<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825</id><updated>2011-07-07T22:10:16.769-03:00</updated><title type='text'>Blog do BILU</title><subtitle type='html'>Um espaço infomativo sobre o que acontece na região do Alto Turi e outros assuntos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>170</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2775575662064736116</id><published>2010-07-22T20:48:00.004-03:00</published><updated>2010-07-22T21:13:07.491-03:00</updated><title type='text'>Deu no Le Monde Diplomatique - Brasil</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/TEjaAwflxPI/AAAAAAAAAuY/8G97Lr0X2VU/s1600/Urna_eletrnica2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496883051757946098" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 131px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/TEjaAwflxPI/AAAAAAAAAuY/8G97Lr0X2VU/s200/Urna_eletrnica2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Lula não pode se apresentar para um terceiro mandato, mas possui uma candidata. Sem experiência parlamentar e jamais tendo ocupado cargos majoritários, Dilma Rousseff estreia sob o signo da dependência do prestígio do presidente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, triunfou nas eleições presidenciais um partido cujos quadros políticos foram historicamente alheios às elites que governaram o país desde 1985. A posse de um político vinculado a uma tradição mais à esquerda, o cumprimento de todo o mandato presidencial – apesar da crise política de 2005, iniciada a partir do tema da corrupção – fortalecem o princípio democrático de alternância das elites. Isso é ainda mais significativo pelo fato da reeleição de Lula da Silva ter sido assimilada pelas outras elites políticas, novamente derrotadas nas presidenciais de 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que a democracia não possa ser reduzida a um conjunto de regras e procedimentos, as normas importam e podem ter efeitos sobre a qualidade da representação política. No Brasil, a Câmara dos Deputados é integrada por políticos eleitos a cada quatro anos, em cada um dos Estados e no Distrito Federal, por meio de um sistema proporcional de lista aberta. Um dos efeitos desse sistema – em que o eleitor pode escolher entre votar em um candidato ou em um partido – é a grande competição entre os candidatos e o incentivo a que os políticos atuem no sentido de valorizar características próprias e abdiquem das ideologias. A permissão para a formação de coalizões eleitorais também reduz as ofertas ideologicamente orientadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira de organizar o tempo eleitoral tem consequências sobre o cálculo dos eleitores e o resultado das urnas. De maneira similar a outros cinco países latino-americanos, no Brasil as eleições são simultâneas. Esse calendário, adicionado à exigência de maioria absoluta no primeiro turno para o presidente ser empossado, pode implicar uma votação mais dispersa. Os eleitores podem sufragar seu partido preferido, a fim de que este aumente sua força de negociação no segundo turno. Outra parte pode escolher um candidato presidencial da mesma posição parlamentar dos partidos que o apoiam, para fortalecer seu governo. Como decorrência, o presidente eleito pode ficar sem maioria no Legislativo, pois a dispersão do voto pode produzir um Congresso mais fragmentado, dificultando a construção de coalizões estáveis em torno de um projeto político do governo, e mais propenso a produzir crises políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a representatividade do sistema e a governabilidade, os partidos políticos são pontos essenciais de referência. Ao promover a formação de grupos e de identidades, oferecem maior segurança ao eleitor em relação às consequências de suas escolhas. Ao reduzir as incertezas em relação às políticas futuras, os partidos e as ideologias podem funcionar como importantes preditores do comportamento da classe política. Mas, o sistema político brasileiro apresenta restrita capacidade para produzir vínculos consistentes com o eleitorado, e os partidos, em geral, não representam clivagens ou ideologias. Como resultado, ainda que os presidentes organizem uma coalizão multipartidária, não podem se sentir seguros apenas em função desse apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este conjunto de regras e características afeta duas importantes dimensões do sistema político. De um lado, a governabilidade, de outro lado, a representatividade – que significa que o eleito deve promover o programa confirmado pelos eleitores. Mas, ambas são obtidas no interior de um sistema político com traços específicos, no qual frequentemente o partido que vence para o cargo de presidente fica com a minoria das cadeiras. Como representar um programa materializado nas eleições sem contar com o apoio da maioria dos parlamentares? Como realizar um governo confiável e responsável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PT iniciou seu primeiro governo (2003-2006) em franca minoria, com 17,7% de cadeiras na Câmara. Além de não contar com o PMDB, o governo eleito tampouco conseguiu manter como aliados todos os líderes que o haviam endossado no segundo turno, o que corroborou uma vez mais a dificuldade, no Brasil, de traduzir adequadamente o momento eleitoral em governamental. Apesar disso, ao longo do mandato, o presidente conseguiu alargar a sua base legislativa, mas finalizou com um apoio à esquerda menor do que no início do governo, e passou a ser mais dependente dos partidos de direita1. Ainda assim, o primeiro governo de Lula da Silva cumpriu parte significativa daquilo pactuado com os eleitores. Teve capacidade para manter a adesão dos mais pobres e melhorar parcialmente suas condições de vida. No segundo mandato (2007-2010), além de conservar a adesão das camadas mais pobres, aumentou seu respaldo junto à classe média e alargou sua sustentação no Legislativo.2 Ao longo dos dois mandatos conseguiu implementar parcelas importantes dos programas declarados nas campanhas, podendo assim ser confiável perante os eleitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despeito das características do sistema político, o presidente Lula obteve governabilidade. Esse fenômeno pode ser examinado para além do presidencialismo de coalizão, ainda que os arranjos institucionais sejam importantes. Um fator decisivo para que o governo conseguisse articular maioria parlamentar derivou do fato de que o presidente se tornou uma liderança popular consensual, cujas principais medidas não podiam ser frontalmente contestadas pela classe política, sob risco de esta ser punida pelo eleitorado. A altíssima popularidade do presidente foi um fator que orientou o comportamento pragmático-governista da classe política, pois uma estratégia de oposição frontal ao mandatário reduziria as chances de reeleição dos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A aposta na engenharia eleitoral &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, quais os significados que a próxima legislatura trará para o presidente a ser eleito em 2010, tendo em vista que este poderá vir a governar com o seu partido sendo minoria no Congresso? As instituições estão de fato consolidadas ou a governabilidade foi possível, sobretudo, em função do prestígio de Lula da Silva? O Executivo pôde ser confiável para os eleitores devido à adesão programática dos parlamentares, ou essa aderência foi artificial – produzida pela popularidade do presidente e pelo temor da classe política de ser punida nas urnas, caso desertasse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula da Silva não pode se apresentar para um terceiro mandato, mas possui uma candidata. No entanto, sua candidata não possui votos nem eleitorado próprios. Sem experiência parlamentar e jamais tendo ocupado cargos majoritários, Dilma Rousseff inaugura sua primeira experiência eleitoral especialmente sob o signo da dependência do prestígio do presidente. Assim, quais fatores podem ser controlados para aumentar suas chances de vitória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma estratégia é a de tirar proveito dos efeitos das normas para rentabilizar o máximo de votos, pois as engenharias eleitorais condicionam a campanha e os resultados das eleições. Os sistemas eleitorais produzem efeitos mecânicos – sobrerrepresentando ou sub-representando os partidos. No caso das coligações, estas são feitas para atingir a maior parte do Congresso, propiciando maioria artificial em função da desproporcionalidade. Assim, uma interpretação para os acordos do PT com o PMDB pode ser encontrada menos na moderação do PT – ainda que o partido esteja muito mais domesticado que antes de participar do governo – e mais nas consequências da escolha de uma candidata, da qual nada se sabe sobre sua capacidade de, disputando isoladamente, conseguir aglutinar o eleitorado e os partidos pró-Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolha pessoal do presidente, a opção por Dilma é uma estratégia de risco, o que a torna mais dependente de outras máquinas partidárias. Sem dispor do mesmo prestígio de Lula da Silva, a ex-ministra necessita de outros recursos políticos para ser eleita, obter maioria no Congresso e, finalmente, governar. Por isso, os seus articuladores estão realizando ajustes com outras legendas, confiando nos efeitos mecânicos da sobrerrepresentação dos partidos governistas. Tais acordos devem ser baseados em programas que atendam à visão média dos políticos aliados, e os partidos terão posição mais equilibrada nas negociações e em um provável governo de coalizão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros efeitos das regras são psicológicos e atuam sobre os eleitores. Os eleitores que se sentem próximos a uma coalizão que não tem possibilidade real de chegar ao poder, podem optar por outro candidato com o qual não se sintam muito identificados, a fim de evitar “perder seu voto”. Em 2010, com a oferta reduzida, os eleitores tendem mais a votar no governo que na oposição. E, ainda que o eleitorado esteja longe de ser petista, está hoje muito mais inclinado a aderir ao candidato que represente o governo do PT que a se refugiar no PSDB, partido cuja preferência não alcança 10% dos votantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os efeitos psicológicos das regras também se projetam sobre os líderes partidários. Ao conhecer seus efeitos para as possibilidades de vitória, as lideranças ajustam suas estratégias para aumentar sua rentabilidade. A retirada, a fórceps, de Ciro Gomes (PSB) da disputa e os constantes convites do Planalto para acordos políticos que produzam um cenário do tipo plebiscitário, é uma aposta nos efeitos psicológicos das regras sobre os eleitores. Por isso, o PT tem feito frequentes apelos à “maior utilidade do voto”, para evitar que o eleitor se envolva em opções que supostamente não têm viabilidade real – como seria o caso de Ciro Gomes ou Marina da Silva (PV).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eleitores e campanha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem só de líderes vive a democracia. Desse modo, as condutas em relação ao ato de votar não podem ser explicadas somente como efeito dos cálculos realizados pelas lideranças partidárias. Deve-se indagar como o eleitorado reagirá às estratégias e às engenharias eleitorais. Afinal, uma democracia representativa depende do comportamento dos atores representáveis, e não somente das elites políticas. A questão de como o voto é decidido em determinada eleição está sujeita à maneira como o eleitor vincula os seus sentimentos circunstanciais em relação aos partidos, aos problemas do momento e sua posição em relação às qualidades simbólicas e instrumentais dos candidatos. Quando estes elementos conduzem o eleitor na mesma direção, ele mostrará interesse na campanha. As orientações constantes na mesma direção consolidam as preferências prévias; pressões contrárias podem produzir desinteresse pelo candidato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O êxito da ex-ministra supõe que os eleitores devem estar predispostos a votar pela continuidade do governo petista; ao mesmo tempo, a candidata deve ser identificada como portadora dos melhores atributos pessoais e funcionais para representar o programa de continuísmo. Nas eleições de 2010, além desses elementos clássicos, a possibilidade de transferência de voto, do presidente Lula da Silva para a sua candidata, também deve ser considerada. Em termos empíricos, as questões que se colocam são as seguintes: qual a percepção do eleitorado sobre o mundo presente e o futuro? Como avalia o governo defendido pela candidata? Os eleitores estão dispostos a manter a situação atual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas pesquisas de opinião pode-se observar, por meio das curvas de intenção de voto, o crescimento contínuo da candidata petista, que ultrapassou recentemente o principal candidato da oposição, José Serra (PSDB). A questão central é elucidar se o apoio obtido por Dilma Rousseff no período de pré-campanha é circunstancial ou cristalizado. Neste sentido, observa-se um sentimento de satisfação com as políticas governamentais (76%), a aprovação ao modo como o presidente Lula administra o país (83%), além do otimismo em relação ao futuro. Além disso, os eleitores desejam um presidente que dê continuidade ao governo atual ou faça poucas mudanças (65%).3 Consolida-se, assim, uma eleição de manutenção do status quo e uma predisposição ao uso do voto retrospectivo – no qual o eleitor examina o passado dos candidatos/coalizões e estima os efeitos da permanência deste grupo político para o futuro. Esta conjunção de avaliações positivas certamente beneficia a candidata governista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto diz respeito aos eleitores informados pela preferência partidária. A legenda da candidata dispõe da simpatia de fatia considerável do eleitorado. Nada menos que 30% dizem preferir o PT; valores que alcançam 37% no Nordeste, mas somente 16% do eleitorado do Sul do país. O petismo está mudando de perfil e avançando sobre as camadas de renda mais baixa e com menos anos de estudos. Muitos eleitores se mantêm fiéis ao partido, mesmo quando os líderes ostentam atitudes não compatíveis com as suas expectativas. Isso pode ser explicado porque o mapa cognitivo do eleitor passa por um mecanismo de desatenção seletiva, ou seja, aquilo que os indivíduos percebem do partido é afetado por aquilo que eles querem receber. Em uma eleição competitiva, o fato de a candidata iniciar uma campanha com muitos eleitores dispostos a escolher o seu partido faz diferença significativa sobre a estabilidade da sua votação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A candidata necessita do prestígio do presidente, por isso, a pré-campanha tem se concentrado na imagem de Lula da Silva. O efeito disso é que 80% dos eleitores já têm conhecimento de que a ex-ministra é apoiada pelo presidente. Todavia, essa estratégia pode ser insuficiente: apesar de 1/3 do eleitorado afirmar que votaria no candidato indicado pelo incumbente, outros 32% estão dispostos a votar dependendo de quem é o candidato.4 Isso significa que, se por um lado, Lula transfere votos, por outro, Dilma deve se apresentar a um eleitor disposto a seguir os conselhos do presidente, mas que avaliará o que este candidato tem a oferecer. O trabalho de persuadir esses eleitores passa a depender unicamente da candidata e, neste aspecto, a campanha será crucial para projetar a sua imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra dimensão interfere na conduta do eleitor: a sua orientação em relação ao candidato, suas qualidades simbólicas e instrumentais. Serra é considerado como o mais experiente (64%), mais realizador (40%) e mais preparado para exercer a presidência (45%). Mas a debilidade do tucano encontra-se em outra clivagem: 45% acreditam que o candidato, se eleito, defenderá os ricos e os empresários (50%), além de crer que ele é o mais autoritário (35%). Em direção inversa, a fortaleza de Dilma reside em uma imagem associada à defesa dos mais pobres (37%) e das mulheres (45%).5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os candidatos deverão usar a campanha para reduzir seus pontos mais frágeis. Mas a campanha é eficaz quando potencializa elementos já disponíveis; as orientações políticas prévias funcionam como filtros para a recepção das informações dadas pelas campanhas. Cabe indagar qual a imagem a ser construída pela candidata do PT, para além de fiel seguidora de Lula da Silva e mãe do PAC, e como o candidato tucano conjugará o discurso da mudança em uma eleição disputada sob o signo da permanência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados positivos das políticas públicas, a identidade com o presidente e a satisfação com a vida econômica são os principais fatores para a explicação da popularidade de Lula da Silva – principal ator dessas eleições. E a satisfação do eleitor com o mundo atual dificilmente será modificada, o que aponta para um contexto de continuísmo que pôde ser encontrado nas eleições municipais de 2008. Beneficiados pela prosperidade econômica que permitiu repasse de recursos aos municípios, foi elevado o número de vereadores e prefeitos reeleitos. Mais que um eleitor que se baseia em imagens circunstanciais, são maiores as chances de que o voto retrospectivo funcione como o principal atalho cognitivo para a decisão do eleitor em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dilma herdará parte dos eleitores de Lula da Silva. Mas receberá junto com os votos o prestígio do presidente? O Planalto está confiante que poderá garantir a vitória de sua candidata. Mas, após oito anos sob Lula da Silva, não se sabe as razões exatas que produziram a estabilidade política, e se esta foi mais efeito de instituições consolidadas ou do prestígio do presidente. O que se sabe é que tanto a candidata petista quanto seus opositores poderão ganhar ou perder as eleições em função do posicionamento em relação a Lula da Silva. Mas iniciarão o mandato sem a mesma popularidade do atual presidente e, na tarefa de governo, contarão principalmente com as regras, as instituições e os partidos – comme il faut faire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Helcimara de Souza Telles é professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, coordenadora do Portal Opinião Pública e do periódico “Em Debate”, publicação eletrônica vinculada ao Grupo de Pesquisa “Opinião Pública: Marketing Político e Comportamento Eleitoral” – &lt;a href="http://www.opiniaopublica.ufmg.br/"&gt;www.opiniaopublica.ufmg.br&lt;/a&gt;. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;1 Em outubro de 2002, foram eleitos 166 deputados de esquerda – PT/PSB/PDT/PPS/PCdoB/PV – mas, em novembro de 2006, apenas 120 deputados da base governista eram de esquerda; o governo foi iniciado com 75 deputados de direita – PTB/PP/PPB –, mas, em novembro de 2006, já eram 94 os deputados da direita que faziam parte da base do governo.2 Estudo desenvolvido por Timothy Power, em 2006, apresentou a existência de uma correlação importante entre o voto em Lula e a penetração do Bolsa Família, o Programa ProUni e o aumento do salário mínimo. 3 IBOPE, JOB631/2010, abril de 2010.4 Instituto Vox Populi, 15 e 18 de maio de 2010.5 Datafolha, 20 e 21 de maio de 2010.&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;FARIA, Cláudia Féres (2009). Participação, sociedade civil e governo Lula (2003-2006): construindo uma sinergia positiva? In: Ângelo, V. A.; Villa, M.A. O Partido dos Trabalhadores e a política brasileira (1980-2006):uma história revisitada. São Carlos: EDUFSCar.LAVAREDA, Antonio (2009). Emoções ocultas e estratégias eleitorais. Rio de Janeiro: Objetiva.&lt;br /&gt;TELLES, Helcimara de Souza (2007). “Las elecciones brasileñas y la dimensión representativa en los gobiernos de Lula da Silva”. Apuntes Electorales – Revista del Instituto Electoral del Estado de México, nº 28, pp. 53-94.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2775575662064736116?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2775575662064736116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/07/deu-no-le-monde-diplomatique-brasil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2775575662064736116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2775575662064736116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/07/deu-no-le-monde-diplomatique-brasil.html' title='Deu no Le Monde Diplomatique - Brasil'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/TEjaAwflxPI/AAAAAAAAAuY/8G97Lr0X2VU/s72-c/Urna_eletrnica2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-8613362857964537113</id><published>2010-04-22T19:07:00.002-03:00</published><updated>2010-04-22T19:13:24.567-03:00</updated><title type='text'>Serra: cadê o paulinho?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S9DJ5jjqFkI/AAAAAAAAAso/AoqJpnZLiIA/s1600/Jos%C3%A9+Serra+Atirando.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463088338634937922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 146px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S9DJ5jjqFkI/AAAAAAAAAso/AoqJpnZLiIA/s200/Jos%25C3%25A9%2BSerra%2BAtirando.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Circula na internet uma história inverossímel, mas que ao mesmo tempo revela um pouco da alma do candidato tucano. Há histórias aos borbotões na mídia paulista de jornalistas que ou foram repreendidos diretamente pelo ex-governador ou foram demitidos por seus chefes a pedido do mesmo. Segue a parábola...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Serra foi a uma escola conversar com as criancinhas, acompanhado uma comitiva do Jornal Nacional, da Veja e da Folha de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois de apresentar todas as maravilhosas propostas para seu governo(se eleito), disse às criancinhas que iria responder perguntas. Uma das crianças levantou a mão e Serra perguntou: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Qual é o seu nome, meu filho?* &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Paulinho.*&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- E qual é a sua pergunta? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Eu tenho duas perguntas. A primeira é "Quanto tempo o senhor vai esperar para sujar a barra da Dilma como fez com a Roseana Sarney??" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A segunda é "Onde sua filha Verônica conseguiu grana para ser dona de 10% do Ebay / Mercado Livre, estudar na Harvard Business School pagando R$ 60.000,00 por mês e ainda por cima "comprar" uma mansão em Trancoso onde o senhor passou o Reveillon??? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Serra fica desnorteado, mas neste momento a campainha para o recreio toca e ele aproveita e diz que continuará a responder depois do recreio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Após o recreio, Serra diz: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-OK, onde estávamos? Acho que eu ia responder perguntas. Quem tem perguntas? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um outro garotinho levanta a mão e Serra aponta para ele, sorrindo para as cameras da Globo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Pode perguntar, meu filho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Como é seu nome? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Joãozinho, e tenho 4 perguntas: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A primeira é "Quanto tempo o senhor vai esperar para sujar a barra da Dilma como fez com a Roseana Sarney??" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A segunda é "Onde sua filha Verônica conseguiu grana para ser dona de 10% do Ebay / Mercado Livre, estudar na Harvard Business School pagando R$ 60.000,00 por mês e ainda por cim a "comprar" uma mansão em Trancoso onde o senhor passou o Reveillon??? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E a terceira é "Por que o sino do recreio tocou meia hora mais cedo?". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A quarta é... "Cadê o Paulinho??"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Blog do Rovai&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-8613362857964537113?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/8613362857964537113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/04/serra-cade-o-paulinho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/8613362857964537113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/8613362857964537113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/04/serra-cade-o-paulinho.html' title='Serra: cadê o paulinho?'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S9DJ5jjqFkI/AAAAAAAAAso/AoqJpnZLiIA/s72-c/Jos%25C3%25A9%2BSerra%2BAtirando.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-4421281232969485409</id><published>2010-04-22T18:22:00.002-03:00</published><updated>2010-04-22T18:46:41.637-03:00</updated><title type='text'>Raízes sociais e ideológicas do Lulismo</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Jornalista e cientista político, André Singer foi porta-voz da Presidência da República e, neste artigo, publicado em 2009 na Revista Novos Estudos, destrincha como o "lulismo" emergiu e como conquistou força na sociedade brasileira. Para facilitar a leitura, as notas de rodapé estão todas neste&lt;/em&gt; &lt;a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4393874-EI6578,00-Notas+de+roda+pe.html" target="_blank"&gt;link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;André Singer&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez no futuro, quando for escrita a crônica factual dos dois mandatos presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva, o pleito de 29 de outubro de 2006 apareça como mera repetição dos resultados numéricos de quatro anos antes, em que o candidato do PT venceu o do PSDB por uma diferença em torno de 20 milhões de votos (1). Permanecerá então encoberto, sob cifras quase idênticas, o deslocamento que, com o aspecto superficial da consagração do lulismo, pode ter significado, na verdade, um importante realinhamento político de estratos decisivos do eleitorado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A hipótese que desejamos sugerir neste artigo é que a emergência do lulismo expressa um fenômeno de representação de uma fração de classe que, embora majoritária, não consegue construir desde baixo as suas próprias formas de organização. Por isso, aos esforços despendidos ate aqui para analisar a natureza do lulismo (2), achamos conveniente acrescentar a combinação de ideias que, a nosso ver, caracteriza a fração de classe que por ele seria representada: a expectativa de um Estado o suficientemente forte para diminuir a desigualdade, mas sem ameaçar a ordem estabelecida. Diante desse arranjo ideológico, uma possível nova hegemonia não seria "as avessas", como sugeriu Francisco de Oliveira, ainda que, ao juntar elementos de esquerda e de direita, cause a impressão de subverter a lógica dos argumentos. (3) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A percepção desse movimento profundo, que definiu a reeleição, foi dificultada porque ele se deu sem mobilização e "sem fazer-se notar", como assinalou um observador. (4) O silêncio provocou confusão a direita e a esquerda. Dez meses antes da reeleição, a revista Veja publicava que Lula seria derrotado porque, de acordo com pesquisa do Ibope, 40% do apoio obtido em 2002 tinha se esfumado e a "política assistencialista" não estava conseguindo segurar o eleitor de baixa renda. "A disputa eleitoral de verdade se dará entre Serra e Alckmin", escrevia Veja, mesmo avisando que previsões de longo prazo falhavam tanto quanto as meteorológicas. (5) Abertas as urnas, Oliveira ainda duvidava da "interpretação corrente" segundo a qual "o Brasil eleitoral se dividiu entre pobres e ricos". "Seria ótimo, se fosse plausível que os 40% de votos de Alckmin foram dos 'ricos', e que a votação de Lula foi exclusivamente dos 'pobres'", escreveu Oliveira sobre o primeiro turno. (6) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A origem do mal entendido é dupla. De um lado, houve um deslocamento subterrâneo de eleitores não de baixa renda, mas de baixíssima renda, o qual passou despercebido, de outro, porque se deu de modo concomitante ao estardalhaço em torno do "mensalão", escândalo que teceu, a partir de maio de 2005, um cerco político-midiático ao presidente, deixando-o na defensiva por cerca de seis meses. (7) No período do "mensalão", o governo efetivamente perdeu parcela importante do suporte que trazia desde a eleição de 2002. Nas camadas médias, essa rejeição desdobrou-se numa forte preferência por um candidato de oposição a presidência em 2006. "Entre os brasileiros de escolaridade superior, a reprovação a Lula deu um salto de 16 pontos percentuais, passando de 24% em agosto para 40% hoje", escrevia a Folha de S. Paulo em 23 de outubro de 2005. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Três meses depois, porém, enquanto os mais ricos, seguindo na linha anterior, optavam em massa (65%) pelo então pré-candidato do PSDB, entre os de renda familiar de até cinco salários mínimos ocorria uma inflexão, com um aumento dos índices de satisfação a respeito do mandato de Lula. (8) Sobretudo no fundo da sociedade, onde circulam personagens de escassa visibilidade, houve uma crescente inclinação, desde pelo menos o inicio de 2006, no sentido de manter no Palácio do Planalto o ex-retirante pernambucano que tinha as mesmas origens dos seus recém-apoiadores. (9) A divergência entre os estratos de renda ira crescer ao longo de 2006, e os números encontrados pelo Ibope perto do primeiro e do segundo turnos expressam uma disputa socialmente polarizada, como mostram as Tabelas 1 e 2 (10). Nelas, a disposição de sufragar em Lula da parcela mais pobre inverte-se de maneira linear à medida que aumenta o rendimento, de modo que os mais ricos dão folgada maioria a Alckmin.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que atrapalhou a compreensão e levou analistas como Oliveira a considerarem pouco plausível que os quase 40 milhões de votos em Alckmin no primeiro turno fossem apenas dos "ricos" e a dualidade brasileira, que grosso modo transforma em "classe média" todos (ai incluídos setores assalariados de baixa renda) os que não pertencem a metade da população que tem baixíssima renda. Lula foi eleito, sobretudo, pelo apoio que teve no segmento de baixíssima renda, enquanto Alckmin contou, além do voto dos mais ricos, com certa sustentação na fatia de eleitores de classe media baixa, que vagamente corresponde ao que os especialistas de mercado chamam de "classe C". Na faixa de mais de dois a cinco salários mínimos de renda familiar mensal, por exemplo, Alckmin quase empatava com Lula às vésperas do primeiro turno (Tabela 1), mas entre os eleitores de baixíssima renda (até dois salários mínimos de renda familiar mensal), Lula aparecia com uma vantagem de 26 pontos percentuais sobre Alckmin. Por isso, e verdadeira a interpretação de que o Brasil eleitoral se dividiu entre pobres e ricos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A polarização social do pleito deu-se pela implantação de Lula entre os eleitores de baixíssima renda, visível desde o primeiro turno, assim como a de Alckmin, entre os eleitores de renda mais alta (acima de dez salários mínimos de renda familiar mensal). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os dados mostram que o lulismo foi expressão de uma camada social específica, e o descolamento entre eleitores de baixíssima renda e de "classe média", que apareceu nos debates pós-eleitorais sob a forma de "questionamento do real papel dos chamados 'formadores de opinião'" (11), outorgou um caráter único à eleição de 2006. Em perspectiva comparada, as cientistas políticas Denilde Oliveira Holzhacker e Elizabeth Balbachevsky observaram que em 2002 o voto em Lula "não estava especialmente associado com nenhum estrato social", enquanto em 2006 "os eleitores de classe baixa se mostram significativamente mais inclinados a dar seu voto a Lula". (12) Na realidade, o único caso anterior de polarização por renda em eleições presidenciais, desde a redemocratização, surgira no segundo turno de 1989, sendo que naquela ocasião a candidatura Lula estava, não por acaso, no lado oposto da linha que dividia pobres e ricos, como notaram Wendy Hunter e Thimoty J. Power. (13) &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto Fernando Collor de Mello alcançava vantagem de dez pontos percentuais na faixa de eleitores que recebiam até dois salários mínimos de renda familiar mensal, no segmento mais alto quem obtinha essa vantagem era Lula (Tabela 3).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se no primeiro turno de 1989 já havia uma nítida tendência de crescimento do apoio a Collor com a queda da renda, levando a uma concentração do voto nele entre os mais pobres, no campo oposto ("classe média") ocorria uma dispersão de votos entre Lula, Brizola, Covas e Maluf, não caracterizando, ainda, a polarização, que viria a ocorrer no segundo turno. (14) Em entrevista concedida depois daquele pleito, Lula afirmava: "A verdade nua e crua é que quem nos derrotou, além dos meios de comunicação, foram os setores menos esclarecidos e mais desfavorecidos da sociedade...Nós temos amplos setores da classe média com a gente - uma parcela muito grande do funcionalismo público, dos intelectuais, dos estudantes, do pessoal organizado em sindicatos, do chamado setor médio da classe trabalhadora." (15) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Consciente do peso eleitoral dos "mais desfavorecidos", ele acrescentava: "A minha briga é sempre esta: atingir o segmento da sociedade que ganha salário mínimo. Tem uma parcela da sociedade que é ideologicamente contra nos, e não há porque perder tempo com ela: não adianta tentar convencer um empresário que é contra o Lula a ficar do lado do trabalhador. Nós temos que ir para a periferia, onde estão milhões de pessoas que se deixam seduzir pela promessa fácil de casa e comida". (16) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em trabalhos sobre a eleição de 1989, notei, entretanto, que a vitória de Collor não decorria apenas de promessas fáceis. Havia uma hostilidade às greves, cuja onda ascensional se prolongou desde 1978 até às vésperas da primeira eleição direta para presidente, e da qual Lula era, então, o símbolo maior. Observava-se um aumento linear da concordância com o uso de tropas para acabar com as greves conforme declinava a renda do entrevistado, indo de um mínimo de 8,6%, entre os que tinham renda familiar acima de vinte salários mínimos, a um máximo de 41,6% entre os que pertenciam a famílias cujo ingresso era de apenas dois salários mínimos (Tabela 4). Em outras palavras, ao contrário do esperado, "os mais pobres eram mais hostis às greves do que os mais ricos". Em parte, e essa inversão que faz a nova hegemonia parecer "às avessas". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A época, assinalamos que a resistência às greves e à candidatura Lula, manifestada por eleitores de baixíssima renda, estava associada, além do mais, a uma autolocalização intuitiva à direita do espectro ideológico(17). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, tratava-se de uma direita peculiar, uma vez que favorável à intervenção do Estado na economia, como se pode ver na Tabela 5. Como resolver a aparente contradição? Sugerimos a interpretação de que os eleitores mais pobres buscariam uma redução da desigualdade, da qual teriam consciência, por meio de uma intervenção direta do Estado, evitando movimentos sociais que pudessem desestabilizar a ordem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para eleitores de menor renda, a clivagem entre esquerda e direita não estaria em ser contra ou à favor da redução da desigualdade e sim em como obtê-la. Identificada como opção que colocava a ordem em risco, a esquerda era preterida em favor de uma solução pelo alto, de uma autoridade já constituída que pudesse proteger os mais pobres sem ameaça de instabilidade. Esse seria o sentido da adesão intuitiva à direita (muitas vezes entendida como o que e direito ou como sinônimo de governo versus oposição) no espectro ideológico e tornaria inteligível o viés desfavorável a Lula. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O modelo de comportamento político desenhado acima tem antecedentes clássicos. Marx, em O 18 Brumario de Luis Bonaparte18, revela que a projeção de anseios em uma força previamente existente, que deriva da necessidade de ser constituído como ator político desde o alto, e típica de classes ou frações de classe que têm dificuldades estruturais para se organizar. A natureza do vínculo esclarece por que o seu surgimento sempre causa surpresa. Como eles "não podem representar-se, antes tem que ser representados"(19), aparecem na política como raio em céu azul, uma vez que surgem de cima para baixo, sem aviso prévio, sem a mobilização lenta (e barulhenta) que caracteriza a auto-organização autônoma das classes subalternas quando ela se dá nos moldes típicos do século XIX, isto é, dos partidos e movimentos de classe. O fato de Collor ter decepcionado a base social que o elegeu ao provocar a recessão de 1990/1991, levando a perda de suporte que facilitou o impedimento em 1992, não mudou a estrutura de comportamento político que o pleito de 1989 iluminara. Em 1994 e 1998, o "conservadorismo popular", acionado pela inflação e pelo medo da instabilidade, venceu Lula outra vez. Era relativamente claro que havia um poder de veto das classes dominantes, o qual residia na capacidade de mobilizar o voto de baixíssima renda. O que não se distinguia com nitidez eram as raízes ideológicas do mecanismo, embora os levantamentos de opinião indicassem permanente supremacia conservadora na distribuição do eleitorado entre esquerda e direita. O campo da direita aparecia sempre tendo uma adesão 50% superior ao da esquerda, como se observa no Quadro 1, desequilíbrio que decorria da inclinação dos eleitores de menor renda para a direita.&lt;br /&gt;Nesse sentido, as derrotas de Lula em 1994 e 1998 podem ser entendidas como reedições de 1989, apesar de a estabilidade monetária ter se sobreposto, em 1994, aos argumentos abertamente ideológicos utilizados por Collor (ameaça comunista) em 1989. Tal como em 1989, as duas campanhas de Fernando Henrique Cardoso mobilizaram os eleitores de menor renda contra a esquerda. Antonio Manuel Teixeira Mendes e Gustavo Venturi demonstraram que, na esteira do Plano Real, o melhor resultado de Lula em 1994 ocorreu entre os estudantes, entre os assalariados registrados com escolaridade secundária ou superior e entre os funcionários públicos. Já os trabalhadores sem registro formal, portanto, desvinculados da organização sindical, deram os melhores resultados a Fernando Henrique(20). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em 1998, a coligação vencedora procurou convencer, com sucesso, os eleitores mais pobres de que Cardoso seria o melhor condutor do país em meio à crise financeira internacional que ameaçava a estabilidade conquistada quatro anos antes(21). De acordo com Tarso Genro, "boa parte das massas excluídas simplesmente repercutiram esta estratégia manipuladora" .... Para Genro, em 1998 "pesou significativamente, mais do que ocorreu com a eleição de Collor, uma grande parte da população marginalizada, lumpesinata ou meramente excluída do mundo da Lei e do Direito"(22).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em decorrência, os argumentos da campanha de Lula de que Fernando Henrique tinha abaixado "a cabeça para os banqueiros e agiotas internacionais ..., aumentou os juros ... e as empresas estão fechando e demitindo"(23 ) não atraíram mais do que os cerca de 30% de votos validos que pareciam, então, constituir o teto do candidato,quando, na realidade, eram o teto da esquerda, socialmente limitada pela rejeição do subproletariado no extremo inferior de renda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mesmo em 2002, depois de unir-se a um partido de centro-direita, anunciar um candidato a vice de extração empresarial, assinar uma carta-compromisso com garantias ao capital e declarar-se o candidato da paz e do amor, Lula tinha menos intenção de voto entre os eleitores de renda mais baixa do que entre os de renda superior. Hunter e Power notaram corretamente que "em suas quatro corridas presidenciais entre 1989 e 2002, a principal base de apoio a Lula estava entre os eleitores dos níveis superiores de escolarização nos Estados mais urbanizados e industrializados do Sul e do Sudeste"(24). Em suma, a base social de Lula e do PT expressavam as características da esquerda em uma nação cuja metade mais pobre pendia para a direita. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Só depois de assumir o governo, Lula obteve a adesão do segmento de classe que buscava desde pelo menos 1989. "Lula perdeu intenções e, provavelmente, votos entre alguns de seus eleitores 'tradicionais', 'decepcionados' com os 'escândalos'. Substituiu-os, porém, e compensou as perdas, com votos de 'não-eleitores', pessoas que nunca haviam votado nele antes", afirma Marcos Coimbra, diretor do Instituto Vox Populi(25).Entre a eleição de 2002, comemorada como sendo a da demorada ascensão da esquerda em país de tradição conservadora, e a reeleição de Lula por outra base social e ideológica, em outubro de 2006, operou-se uma transformação que se faz necessário entender. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;As bases Materiais do Realinhamento ... as primeiras pesquisas feitas logo após o começo do governo captaram uma nítida mudança nas atitudes dos eleitores de classe popular, apontando para o aumento de sua auto-estima e da confiança, de que o Brasil iria melhorar, agora que as políticas de governo passariam a ter outra intenção e finalidades:um governo diferente, com gente diferente, fazendo coisas diferentes(26). Mas só três anos depois da posse em primeiro de janeiro de 2003,quando outro pleito já apontava no horizonte, e que tais "mudanças nas atitudes" se expressaram na forma de uma adesão que salvou o presidente da morte política a que parecia condenado pela rejeição da classe média. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Uma explicação para esse lapso de tempo emana da própria análise de Coimbra. De acordo com ela, o "fundamento" da aprovação ao governo, que por sua vez levou ao voto em Lula em 2006, "foi a sensação de eleitores de renda baixa e média de que o seu poder de consumo aumentara, seja em produtos tradicionais (alimentos, material de construção), seja em novos (celulares, DVDs, passagens aéreas)"(27). Essa "sensação" não caberia no começo do mandato, marcado por política econômica recessiva. No entanto, a partir do final de 2003, com o lançamento do Programa Bolsa Família (PBF), inicia-se uma gradual melhora na condição de vida dos mais pobres. No princípio, apenas unificação de programas de transferência de renda herdados da administração Fernando Henrique, o qual, por sua vez, copiara a fórmula de governos petistas, aos poucos a quantidade de recursos destinados ao PBF o converteu em uma espécie de renda mínima para todas as famílias brasileiras que comprovassem situação de extrema necessidade. Em 2004, o PBF recebeu verba 64% maior e, em 2005, ano do "mensalão", teve um aumento de outros 26%, mais do que duplicando o número de famílias atendidas, de 3,6 milhões para 8,7 milhões, em dois anos. Entre 2003 e 2006, a Bolsa Família viu o seu orçamento multiplicado por treze, pulando de R$ 570 milhões de reais para 7,5 bilhões de reais, atendendo a cerca de 11,4 milhões de famílias perto da eleição de 2006 (28). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Diversos estudos encontraram indícios de que o PBF teve influência nos votos recebidos por Lula em 2006. Elaine Cristina Licio e colaboradores verificaram, por meio de survey, "no que se refere a atitude dos beneficiários do Programa", que "a porcentagem de voto em Lula foi cerca de 15% maior no primeiro e segundo turnos" em comparação com a obtida na média do eleitorado(29). Em segundo lugar, Yan de Souza Carreirão relaciona a alta votação de Lula nas regiões nordeste e norte com o fato de o programa ter-se concentrado naquelas áreas. Lula teve, no primeiro turno, por exemplo, cerca de 60% de votos no Nordeste e apenas 33% no Sul, sendo que o investimento do PBF na primeira região foi três vezes maior do que na segunda (30). Em observação mais segmentada, Nicolau e Peixoto notaram que "Lula obteve percentualmente mais votos nos municípios que receberam mais recursos per capita do Bolsa Família"(31), mostrando a repercussão do programa nos chamados grotões, tipicamente o interior do Norte/Nordeste, que sempre fora tradicional território do conservadorismo. Por fim, vale notar que, de acordo com Coimbra, entre os que votaram em Lula pela primeira vez em 2006, a maioria eram mulheres de renda baixa, "o público alvo por excelência do Bolsa Família", pois em geral são as mães que recebem o benefício(32).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Assim, soa consistente a afirmação de que o PBF cumpriu um papel na vitória de Lula. Porem, "a importância do Bolsa Família não deve ser subestimada e nem exagerada", adverte Coimbra. "Sozinho não bastaria para explicar o resultado da eleição" (33), diz o diretor do Vox Populi. Claudio Djissei Shikida e colaboradores argumentam que raciocínios centrados no local de votação correm o risco de apenas mostrar a coincidência geográfica de dois fatores, a saber, a presença do PBF, dada a pobreza do lugar, e o voto em Lula, mas não a sua relação causal. A Bolsa Família foi obviamente destinada em maior proporção às regiões pobres e aos municípios de menor IDH. Mas o fato de a votação em Lula ter sido maior nessas regiões e municípios não implica que ela fosse causada pelo PBF ou só por ele. Fazendo uso de outro instrumental estatístico para compulsar as tendências municipais, Shikida e colaboradores concluem:&lt;br /&gt;O PBF mostrou alguma evidência de impacto positivo na eleição, porém os resultados não se mostraram robustos. Mesmo se significativo fosse, o valor do estimador seria bem menor do que o necessário para que essa fosse a variável-chave para a compreensão da eleição de Lula. (34)&lt;br /&gt;Shikida e colaboradores sugerem que o controle dos preços, como um componente central do aumento do poder de compra entre as camadas pobres, pudesse ser mais explicativo da virada ocorrida em 2006. Chamam a atenção, por exemplo, para o fato de que entre 2003 e 2006, a cesta básica subiu 8,5% e 10,4% em Porto Alegre e São Paulo, mas, em Recife e Fortaleza, a variação foi de 4% e de -3%. Terá sido coincidência Lula ter perdido no Rio Grande do Sul e em São Paulo nos dois turnos, ao passo que no Estado de Pernambuco recebeu 82% dos votos no segundo turno e no Ceara, 75%. (35) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Na mesma linha, de mirar além da Bolsa Família, Hunter e Power lembram que o aumento real de 24,25% no salário mínimo durante o primeiro mandato teve um impacto mais abrangente do que o PBF. Além disso, a Bolsa Família e a elevação do salário mínimo, somadas, dinamizaram as economias locais menos desenvolvidas,...que dependem pesadamente de despesas pessoais de pequena escala para o seu sustento. Assim, não e surpreendente que as vendas do varejo tenham subido dramaticamente nos últimos três anos no norte e nordeste do Brasil...Também não e surpreendente que essas sejam as duas regiões nas quais o comparecimento eleitoral e o apoio a Lula tenham crescido em 2006 comparado a 2002. (36) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O primeiro aumento importante do salário mínimo ocorreu em maio de 2005, e é razoável imaginar que a poderosa combinação Bolsa Família-salário mínimo tenha demorado alguns meses para produzir efeitos. Mas além do aumento obtido pelos milhões que recebem um salário mínimo da Previdência Social, outra possibilidade aberta aos aposentados, as vezes principal fonte de recursos em pequenas comunidades, foi o uso do crédito consignado. O crédito consignado fez parte de uma série de iniciativas oficiais que tinha por objetivo expandir o financiamento popular, que incluiu um aumento expressivo do empréstimo à agricultura familiar, do microcrédito e da bancarização de pessoas de baixíssima renda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Criado em 2004, o crédito consignado permitiu aos bancos descontar empréstimos em parcelas mensais retiradas diretamente da folha de pagamentos do assalariado ou do aposentado. A redução do risco decorrente do pagamento garantido acarretou uma queda em quase treze pontos percentuais da taxa de juros, e, em 2005, depois de crescer quase 80%, o crédito consignado colocava em circulação dezenas de bilhões de reais, usados, em geral, para o consumo popular. Ainda no capítulo da assistência social, com a promulgação do Estatuto de Idoso, em janeiro de 2004, a idade mínima para receber o Beneficio de Prestação Continuada (BPC), que paga um salário mínimo para idosos ou portadores de necessidades especiais cuja renda familiar per capita seja inferior a 1/4 de salário mínimo, caiu de 67 para 65 anos. Em 2006, 2,4 milhões de cidadãos recebiam o BPC. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Além dessas medidas de alcance geral, que propiciaram a ativação de setores antes inexistentes na economia (por exemplo, clínicas dentárias para a baixa renda), uma série de programas focalizados, como o Luz para Todos (de eletrificação rural), regularização das propriedades quilombolas, construção de cisternas no semi-árido etc. favoreceram o setor de baixíssima renda. Carreirao reproduz um cruzamento realizado pelo Datafolha em junho de 2006, que mostra a influência de ser atendido por programa governamental sobre a disposição de reeleger o presidente. Os números mostram que a intenção de voto em Lula pulava de 39%, na media, para 62%, quando o entrevistado participava de algum programa federal. (37) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O tripé formado pela Bolsa Família, pelo salário mínimo e pela expansão do credito, somado aos referidos programas específicos, resultaram em uma diminuição significativa da pobreza a partir de 2004, quando a economia voltou a crescer e o emprego a aumentar. E isso que Marcelo Neri chama de "o Real de Lula": "no biênio 1993-1995 a proporção de pessoas abaixo da linha da miséria cai 18,47% e, no período 2003-2005, a mesma cai 19,18%." (38) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em particular no ano de 2005, quando eclodiu o escândalo do "mensalão", ocorreu, segundo classificação de Waldir Quadros, a primeira redução significativa da miséria desde o Plano Real (39), presumivelmente em consequência do conjunto de medidas tomadas pelo governo Lula. Assim, enquanto os atores políticos tinham a atenção voltada para a sequência de denúncias do "mensalão", o governo produzia em silêncio o "Real do Lula" que, diferentemente do original, beneficiava, sobretudo, a camada da sociedade que não aparece nas revistas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Razão de classe e ideologiaExaminadas em seu conjunto, as ações governamentais do primeiro mandato vão muito além de simples "ajuda" aos pobres. Sem falar nos programas específicos, o aumento do salário mínimo, a expansão do crédito popular com aumento da formalização do trabalho (o desemprego caiu de 10,5% em dezembro de 2002 para 8,3% em dezembro de 2005) (40) e a transferência de renda, aliados a contenção de preços, sobretudo da cesta básica (e em alguns casos deflação, como decorrência da desoneração fiscal), constituem uma plataforma no sentido de traçar uma direção política para os anseios de certa fração de classe. Não apenas porque objetivamente foram capazes de aumentar a capacidade de consumo de milhões de pessoas de baixíssima renda, como atesta o acesso em grande escala à "classe C", mas também porque sugerem um caminho a seguir: manutenção da estabilidade com expansão do mercado interno, sobretudo para os setores de baixa renda. Nesse sentido, tais ações colocam Lula à frente de um projeto, que e compatível com aspectos de sua biografia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Coimbra, orientador de diversas pesquisas quantitativas e qualitativas no período, chama a atenção para o fato de Lula ser o político de origem mais humilde a ter chegado ao topo do sistema, assim como para o fato de "a intensa campanha negativa que sofreu em suas tentativas anteriores" ter feito dele alguém que mexeu com a "auto-imagem e o amor-próprio" do eleitorado popular (41). Convém lembrar que Lula é o primeiro presidente que viveu a experiência da miséria, o que não é irrelevante, dada a sensibilidade que demonstrou, uma vez na presidência, para a realidade dos miseráveis. Por isso, é plausível a suspeita de Francisco de Oliveira de que a eleição de 2006 comprove ter Lula se elevado "à condição de condottiere e de mito". (42) &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Oliveira acrescenta, entretanto, que é um tipo de liderança que "despolitiza a questão da pobreza e da desigualdade", o que leva o autor a questionar a natureza da hegemonia que estaria surgindo e a propor que ela agiria às avessas, isto é, para consolidar a "exploração desenfreada", em lugar de minar o modelo superexplorador. À primeira vista, um lulismo despolitizante seria compatível com a "síndrome do Flamengo", hipótese formulada por Fabio Wanderley Reis para explicar a ascensão do MDB nos anos de 1970 e depois generalizada como visão estrutural da política brasileira. Esse ponto de vista sustenta que um eleitorado de baixa escolaridade terá necessariamente que orientar-se por "imagens toscas" (43), não se devendo esperar que ele esteja informado das orientações substantivas adotadas pelos atores nem que se guie por elas. Da mesma maneira que o voto popular no MDB não simbolizava, para espanto do senso comum, rejeição ao governo militar, o voto em Lula não representaria qualquer tipo de opção ideológica, antes pelo contrario, seria fruto de uma desideologizacao. As opções populares, regidas por mecanismos de identificação acionada por imagens difusas, nada expressariam de substantivo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Subproletários são aqueles que "oferecem a sua força de trabalho no mercado sem encontrar quem esteja disposto a adquiri-la por um preço que assegure sua reprodução em condições normais"(54). Estão nessa categoria "empregados domésticos, assalariados de pequenos produtores diretos e trabalhadores destituídos das condições mínimas de participação na luta de classes"(55). Para encontrar uma maneira de quantificá-los, Singer usou informações sobre ocupação e renda fornecidas pela PNAD de 1976, concluindo que seria razoável considerar subproletários os que tinham renda de até um salário mínimo per capita e metade dos que tinham renda de até dois salários mínimos per capita(56). De acordo com esse critério, 63% do proletariado era constituído por subproletários(57). Em números absolutos, significava dizer que dos 29,5 milhões de proletários existentes no Brasil naquela época, 18,6 milhões faziam parte da fração subproletária da classe. Dos outros participantes da População Economicamente Ativa (PEA), 8 milhões seriam pequeno-burgueses e 1,3 milhão, burgueses(58). Em outras palavras, o subproletariado constituía 48% da PEA. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não dispormos de uma atualização para o trabalho realizado por Singer, a lógica permite supor que os processos de aumento da produtividade, desindustrialização, desemprego estrutural, subemprego, precarização do trabalho em geral e crescimento da pobreza que acompanharam a implantação do neoliberalismo nos anos de 1990 tenham, no mínimo, mantido a proporção de subproletários no proletariado em geral. Vai nessa direção Oliveira, em texto originalmente publicado em 2003, quando afirma que ... o trabalho sem-formas inclui mais de 50% da força de trabalho, e o desemprego aberto saltou de 4% no começo dos anos 1990 para 8% em 2002, segundo a metodologia conservadora do IBGE; entre o desemprego e o trabalho sem-formas, transita, entre o azar e a sorte, 60% da força de trabalho brasileira(59). Em 1980, 44% das famílias no Brasil tinham renda de até dois salários mínimos (60) e um quarto de século depois, 47% do eleitorado estava nessa faixa de renda(61). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em virtude de seu tamanho, o subproletariado encontra-se no centro da equação eleitoral brasileira, e seu coração está no Nordeste. Não somente porque nessa região empobrecida, que é a segunda mais populosa do país, habitam boa parte dos subproletários, mas também porque dela irradiam aqueles que buscam oportunidade no centro capitalista, o Sudeste. Nucleado no Nordeste, onde conta com elementos biográficos, mas estendendo-se para o conjunto do país, o lulismo, segundo indicam os dados eleitorais de 2006, pode ter fincado raízes duradouras no subproletariado brasileiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E Agora, José?&lt;br /&gt;Como vimos, a persistência do que poderíamos chamar de "conservadorismo popular" marca a distribuição das preferências ideológicas no Brasil pós-redemocratização, com a direita reunindo sempre cerca de 50% mais eleitores do que a esquerda. Gustavo Venturi mostra que a pendência para a direita do eleitorado de menor escolaridade (que está associada à renda), já observada em 1989, continuava presente quase duas décadas depois. Em 2006, enquanto os eleitores de escolaridade superior dividiam-se por igual entre os campos da esquerda (31%), do centro (32%) e da direita (31%), entre os que frequentaram até a quarta serie do ensino fundamental, a direita tinha 44% de preferência, mais do que triplo de adesão que tinha a esquerda (16%) e o centro (15%)(62). Essa é a explicação para a conclusão de Venturi: "Passadas mais de duas décadas de democracia, a construção de uma hegemonia politico-cultural identificada como de esquerda não avançou "(63). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em que pese o sucesso do PT e da CUT, a esquerda não foi capaz de dar a direção ao subproletariado, uma fração de classe particularmente difícil de organizar. O subproletariado, a menos que organizado por movimentos como o MST, tende a ser politicamente constituído desde cima, como descobriu Marx a respeito dos camponeses da Franca em 1848. Atomizados pela sua inserção no sistema produtivo, necessitam de alguém que possa, desde o alto, receber a projeção de suas aspirações. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Buscamos aqui mostrar que, na ausência de um avanço da esquerda, o primeiro mandato de Lula terminou por encontrar outra via de acesso ao subproletariado, amoldando-se a ele, mais do que o modelando, porém, ao mesmo tempo, constituindo-o como ator político. Isso implicou um realinhamento do eleitorado e a emergência de uma força nova, o lulismo, tornando necessário um reposicionamento dos demais segmentos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O discurso de Lula em defesa da estabilidade tirou a plataforma a partir da qual o centro mobilizava os mais pobres, sobrando-lhe apenas o recurso as denúncias de corrupção, assunto limitado a classe média. Isso implicou um aumento dos votos para Lula à direita, como se pode verificar na comparação entre as Tabelas 6 e 7, limitando ao centro a base da oposição. Diante da dificuldade de ganhar eleições presidenciais só com a classe média, os oposicionistas não sabem para aonde ir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em 2002, embora os índices de Lula tivessem aumentado em todos os segmentos, a tendência permanecia a de 1989: aumento da intenção de voto conforme se caminhava da direita para a esquerda. Em uma situação como essa, o centro ainda tinha chances de recuperar, adiante, o eleitorado de direita e sonhar com uma volta ao Planalto, sobretudo se a ordem estivesse ameaçada(64). Em 2006, como reflexo do realinhamento, o voto em Lula sofre uma mudança ideológica: aumenta em direção aos extremos, tanto esquerdo como direito, e cai em direção ao centro (Tabela 7). O fato de Lula receber votos a esquerda e a direita de modo equivalente seria o reflexo do realinhamento em curso, a partir do qual Lula passa a representar uma opção nova, que mistura elementos de esquerda e de direita, contra uma alternativa de classe média organizada em torno de uma formulação de centro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para a esquerda, fica a tarefa de redefinir o discurso de classe à sombra de uma liderança popular no sentido pleno da palavra. Não será surpresa se tiver que se defrontar, outra vez, com a impregnação de imagens que marcaram a era Vargas. Tem razão Francisco de Oliveira quando afirma que há "um fenômeno novo" em curso, que "não e nada parecido com qualquer das práticas de dominação exercidas ao longo da existência do Brasil "(65) (embora não seja a "hegemonia as avessas" e sim, talvez, uma efetiva representação do subproletariado), mas há sintomas de que, como soe acontecer na história, o novo possa buscar no passado a linguagem em que se expressar, como lembra Marx nas primeiras páginas de O 18 Brumário. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O popular que havia ficado fora de moda, seja pela retórica da modernização, ao centro, seja pelo discurso de classe, à esquerda, está de volta. Diferentemente da experiência peessedebista, o "Real de Lula" veio acompanhado de uma mensagem que faz sentido para os de menor renda: pela primeira vez, o Estado brasileiro olha para os mais frágeis e, portanto, se popularizou. Essa é a razão pela qual o presidente insiste que "nunca na história deste país... etc. etc." Irritados,os supostos "formadores de opinião" não percebem que Lula não está se dirigindo a eles e insistem na tecla de que a história não começou com Lula, o que é verdade, mas ouvido vários degraus abaixo, o bordão adquire outro sentido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O relativo desinteresse de Lula pelos "formadores de opinião" significa que o realinhamento tirou centralidade dos estratos médios, que eram mais importantes no alinhamento anterior. Nele, a esquerda organizava segmentos baixos e médios da "classe média", notadamente operários industriais e servidores públicos, em torno de uma ideologia de esquerda, isto é, do discurso de classe. O centro agregava as classes médias ao redor da modernização do capitalismo e mobilizava o subproletariado contra a esquerda nos momentos cruciais. Assim, o conflito político geral era filtrado pelo debate entre os setores médios. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;À medida que passou a ser sustentado pela base subproletária, Lula obteve uma autonomia bonapartista (sem qualquer conotação militar). Com ela, criou um ponto de fuga para a luta de classes, que começou a ser arbitrada desde cima ao sabor da correlação de forças.&lt;br /&gt;Se a reforma da previdência, que tirava benefícios do servidor público, passou, a reforma trabalhista, que visava tirar direitos dos assalariados, foi adiada sine die, e assim por diante.&lt;br /&gt;Árbitro acima das classes, o lulismo não precisa afirmar que o povo alcançou o poder ou que "os dominados comandam a política", como na formulação que Oliveira foi buscar na África do Sul pós-apartheid(66). Ao incorporar tanto pontos de vista conservadores, principalmente o de que a conquista da igualdade não requer um movimento de classe auto-organizado que rompa a ordem capitalista, como progressistas, a saber, o de que um Estado fortalecido tem o dever de proteger os mais pobres, independentemente do desejo do capital, ele achou em símbolos dos anos de 1950 a gramática necessária. A noção antiga de que o conflito entre um Estado popular e elites antipovo se sobrepunha a todos os outros poderá cair como uma luva para o próximo período. Agora enunciada por um nordestino saído das entranhas do subproletariado, ganha uma legitimidade que talvez não tenha tido na boca de estancieiros gaúchos. Por isso, se a hipótese do realinhamento se confirmar, o debate sobre o populismo ressurgirá das camadas pré-sal anteriores a 1964, em que parecia destinado a dormir para todo o sempre. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;*André Singer&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;é professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Notas de rodapé&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1) No segundo turno de 2002, Lula teve 52.788.428 votos contra 33.366.430 votos para José Serra. No segundo turno de 2006, Lula ficou com 58.295.042 votos, contra 37.543.178 votos para Geraldo Alckmin.&lt;br /&gt;(2) Ver, por exemplo, Viana, Gilney. "O PT e o lulismo", 2007, , acessado em 25/08/2009; Simões, Renato. "Duas agendas: na crise, de duas, uma", 2009, , acessado em 25/08/2009. Em outra vertente, e de modo mais ligeiro, ver a menção ao lulismo na entrevista de Carlos Augusto Montenegro ao jornal Valor, 23/09/2009, intitulada "Identificação ao PT derrota Dilma".&lt;br /&gt;(3) Ver Oliveira, Francisco de. "Hegemonia às avessas". Piauí, no 7, jan. 2007.&lt;br /&gt;(4) Amaral, Roberto. "As eleições de 2006 e as massas: uma emergência frustrada?" , acessado em 25/08/2009.&lt;br /&gt;(5) Veja, no 1936, 21/12/2005, p. 55: "De agosto para cá, segundo o Ibope, Lula perdeu 9 pontos porcentuais entre aqueles que, até a eclosão da crise, eram seus eleitores mais fieis: brasileiros que ganham ate um salário mínimo".&lt;br /&gt;(6) Oliveira, op. cit. No primeiro turno de 2006, que ocorreu a primeiro de outubro, Lula teve 46.662.365 votos e Geraldo Alckmin, 39.968.369, Heloisa Helena, 6.575.393 e Cristovam Buarque, 2.538.544.&lt;br /&gt;(7) Usando balizamentos de mídia, pode‑se dizer que a fase aguda do "mensalão" iniciou‑se com a reportagem da Veja que começou a circular em 14 de maio de 2005 e terminou com a entrevista presidencial ao programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, em 7 de novembro do mesmo ano.&lt;br /&gt;(8) Folha de S. Paulo, 5/02/2006.&lt;br /&gt;(9) Ver resultados das pesquisas Datafolha nas edições da Folha de S. Paulo de 23/11/2005 e 5/02/2006.&lt;br /&gt;(10) Agradeço ao Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp a cessão de dados do Ibope/2006 utilizados neste artigo e a Gustavo Venturi a cessão de dados da Fundação Perseu Abramo.Tabela 1Intenção de voto por renda no 1º turno de 2006Fonte: Ibope. Pesquisa com amostra nacional de 3010 eleitores, realizada entre 28 e 30 de setembro de 2006.Tabela 2Intenção de voto por renda no 2º turno de 2006Fonte: Ibope. Pesquisa com amostra nacional de 8680 eleitores, realizada entre 26 e 28 de outubro de 2006.&lt;br /&gt;(11) Amaral, op. cit., p. 9.&lt;br /&gt;(12) Holzhacker, Denilde e Balbachevsky, Elizabeth. "Classe, ideologia e política: uma interpretação dos resultados das eleições de 2002 e 2006". Opinião Pública, vol. 13, no 2, nov. 2007, pp. 294-96.&lt;br /&gt;(13) Hunter, Wendy e Power, Thimoty J. "Rewarding Lula: executive power, social policy, and the brazilian elections of 2006". Latin American Politics and Society, vol. 49, no 1, 2007, p. 4.&lt;br /&gt;(14) Singer, Andre. "Collor na periferia: a volta por cima do populismo?". In: Lamounier, B. (org.), De Geisel a Collor, o balanço da transição. São Paulo: Sumaré, 1990, p. 138.&lt;br /&gt;(15) Idem. Sem medo de ser feliz. São Paulo: Scritta, 1990, pp. 98-99.&lt;br /&gt;(16) Ibidem, p. 98.&lt;br /&gt;(17) Sobre os dados que evidenciam a adesão intuitiva a direita, ver Singer, A. Esquerda e direita no eleitorado brasileiro. São Paulo: Edusp, 2000.&lt;br /&gt;(18) Marx, Karl. O 18 Brumário de Luís Bonaparte. São Paulo: Paz e Terra, 1986, p. 116.Tabela 4concordância/discordância com o uso de tropas contra greves por renda familiar mensal, 1990 Fonte: Cultura Política (Consorcio USP/Cedec/Datafolha). Pesquisa realizada com amostra nacional de 2480 eleitores, realizada em marco de 1990, conforme Andre Singer, Ideologia e voto no segundo turno da eleição presidencial de 1989. São Paulo, Dissertação de Mestrado, 1993, p. 71.Tabela 5Reconhecimento de que o governo deve intervir mais na economia por autolocalização na escala esquerdadireta, 1993Fonte: Cultura Política (Consorcio USP/Cedec/Datafolha), pesquisa com amostra nacional de 2499 eleitores realizada em marco de 1993, conforme Andre Singer, Esquerda e direita no eleitorado brasileiro. São Paulo, Edusp, 2000, pagina 188.&lt;br /&gt;(19) Ibidem.&lt;br /&gt;(20) Mendes, Antonio Manuel Teixeira e Venturi, Gustavo. "Eleição presidencial: o Plano Real na sucessão de Itamar Franco". Opinião Pública, vol. 2, no 2, dez. 1994, pp. 43-45.&lt;br /&gt;(21) "Muitos votaram pela reeleição porque Fernando Henrique Cardoso tinha apoio internacional, do qual Lula carecia" (Singer, Paul. "No olho do furacão". Teoria e Debate, no 39, out.-dez. 1998, p. 22).&lt;br /&gt;(22) Genro, Tarso. "Um confronto desigual e combinado". Teoria e Debate, no 39, out.-dez. 1998, p. 5.&lt;br /&gt;(23) Almeida, Jorge. Marketing político, hegemonia e contra-hegemonia. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2002, p. 219.&lt;br /&gt;(24) Hunter e Power, op. cit., p. 4. Tradução minha (AS).&lt;br /&gt;(25) Coimbra, Marcos. "Quatro razões para a vitoria de Lula". Cadernos Fórum Nacional, n° 6, fev. 2007, p. 7, grifos meus.&lt;br /&gt;(26) Ibidem, p. 13.&lt;br /&gt;(27) Ibidem, p. 11.&lt;br /&gt;(28) Sobre o crescimento do Programa Bolsa Família, ver Nicolau, Jairo e Peixoto, Vitor. "As bases municipais da votação de Lula em 2006". Cadernos Fórum Nacional, no 6, fev. 2007, p. 20; Araujo, Jose Prata. Um retrato do Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2006, p. 155.&lt;br /&gt;(29) Licio, Elaine Cristina, Renno, Lucio R. e Castro, Henrique Carlos de O. de. "Bolsa Família e voto na eleição presidencial de 2006: em busca do elo perdido". Opinião Pública, vol. 15, no 1, jun. 2009, p. 43.&lt;br /&gt;(30) Carreirão, Yan de Souza. "Evolução das opiniões do eleitorado durante o governo Lula e as eleições presidenciais brasileiras de 2006", 2007, , acessado em 30/08/2009.&lt;br /&gt;(31) Nicolau e Peixoto, op. cit., p. 21.&lt;br /&gt;(32) Coimbra, op. cit., p. 7.&lt;br /&gt;(33) Idem, ibidem.&lt;br /&gt;(34) Shikida, Claudio Djissey e outros. ""It"s the economy, companheiro!": an empirical analysis of Lula"s re-election", 2009, , acessado em 30/08/2009. A citação e da versão em português do mesmo artigo.&lt;br /&gt;(35) Idem, ibidem.&lt;br /&gt;(36) Hunter e Power, op. cit., p. 16, trad. minha.&lt;br /&gt;(37) Carreirão, op. cit.&lt;br /&gt;(38) Neri, Marcelo. "Miséria, desigualdade e políticas de renda: o Real do Lula", 2007, , acessado em 30/08/2009.&lt;br /&gt;(39) Holzhacker e Balbachevsky (op. cit., p. 289), reproduzem interessante estudo de Waldir Quadros, segundo o qual a massa de miseráveis teria caído de 38% em 2004 para 22% em 2005.&lt;br /&gt;(40) Dados do IBGE citados por Araujo, op. cit., p. 145.&lt;br /&gt;(41) Coimbra, op. cit., p. 12.&lt;br /&gt;(42) Oliveira. "Hegemonia as avessas", op. cit.&lt;br /&gt;(43) Reis, Fabio Wanderley. "Participação política". Valor, 07/07/2008.&lt;br /&gt;(44) O fato de o Eseb-2006 ter ido a campo em dezembro, nove meses depois da pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo (FPA) que consta do Quadro 1, não chega a constituir explicação para a diferença, pois nova rodada da FPA, em novembro de 2006, encontrou uma diminuição pouco significativa da esquerda (de 26% em março para 23% em novembro) e uma estabilidade nas demais posições, inclusive no número dos que não sabiam se localizar (16%).&lt;br /&gt;(45) Carreirão. "Identificação ideológica, partidos e voto na eleição presidencial de 2006". Opinião Pública, vol. 13, no 2, nov. 2007, p. 332.&lt;br /&gt;(46) Holzhacker e Balbachevsky, op. cit., p. 304.&lt;br /&gt;(47) Reis, Fabio Wanderley e Castro, e Monica Mata Machado de. "Regiões, classe e ideologia no processo eleitoral brasileiro". Lua Nova, no 26, 1992, p. 131.&lt;br /&gt;(48) Hunter e Power, op. cit., p. 8, trad. minha.&lt;br /&gt;(49) Ibidem, p. 11.&lt;br /&gt;(50) Ibidem, p. 7.&lt;br /&gt;(51) Araujo, op. cit., p. 75.&lt;br /&gt;(52) Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. "Concepção e diretrizes do programa de governo do PT para o Brasil", mar. 2002, pp. 20, 21 e 25.&lt;br /&gt;53 Ibidem, p. 15.&lt;br /&gt;54 Singer, P. Dominação e desigualdade. São Paulo: Paz e Terra, 1981, p.&lt;br /&gt;55 Ibidem, p. 83.&lt;br /&gt;56 Ibidem, p. 86.&lt;br /&gt;57 Ibidem, p. 129.&lt;br /&gt;58 Ibidem, p. 108.&lt;br /&gt;59 Oliveira. "Política numa era de indeterminação: opacidade e encantamento". In: Oliveira, Francisco de e Rizek, C. A era da indeterminação. São Paulo: Boitempo, 2007, p. 34.&lt;br /&gt;(60) Singer, P. Repartição da renda: pobres e ricos sob o regime militar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985, p. 42.&lt;br /&gt;(61) "Segundo o Datafolha, os eleitores com renda de até dois salários mínimos representam 47% do total", publicou a Folha de S. Paulo em 08/10/2006.&lt;br /&gt;(62) Venturi, Gustavo. "Esquerda ou direita?". Teoria e Debate, no 75, jan.-fev. 2008, p. 39. As posições no espectro ideológico foram agregadas em 1 e 2 = esquerda; 3, 4 e 5 = centro; 5 e 6 = direita. Dados de pesquisa da Fundação Perseu Abramo realizada com uma amostra nacional de 2.400 entrevistados em novembro de 2006.&lt;br /&gt;(63) Idem, ibidem.&lt;br /&gt;(64) Acredito que em virtude da existência de uma "direita popular", o centro e a posição mais associada a classe média conservadora no Brasil e não a direita, como ocorre em outras formações sociais.Tabela 6Voto no primeiro turno por localização no espectro ideológico, 2002Obs.: As posições na escala de 1 a 7 foram assim agrupadas: esquerda= 1 e 2; centro= 3, 4 e 5; direita= 6 e 7.Fonte: Fundação Perseu Abramo. Pesquisa com amostra nacional de 2291 eleitores, realizada em novembro de 2002.Tabela 7Voto no primeiro turno de 2006 por localização no espectro ideológicoObs.: As posições na escala de 1 a 7 foram assim agrupadas: esquerda = 1 e 2; centro= 3, 4 e 5; direita= 6 e 7.Fonte: Fundação Perseu Abramo. Pesquisa com amostra nacional de 2400 eleitores, realizada em novembro de 2006.&lt;br /&gt;(65) Oliveira, "Hegemonia às avessas", op. cit. 102&lt;br /&gt;(66) Ibidem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-4421281232969485409?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/4421281232969485409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/04/raizes-sociais-e-ideologicas-do-lulismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4421281232969485409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4421281232969485409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/04/raizes-sociais-e-ideologicas-do-lulismo.html' title='Raízes sociais e ideológicas do Lulismo'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-7312138320888667158</id><published>2010-03-31T14:17:00.002-03:00</published><updated>2010-03-31T14:24:24.254-03:00</updated><title type='text'>Brasil: cautela e caldo de galinha...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S7OFLjghP3I/AAAAAAAAAr4/DOWMTkYK-Ss/s1600/Olho%20Brasil.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454850007232495474" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S7OFLjghP3I/AAAAAAAAAr4/DOWMTkYK-Ss/s200/Olho%2520Brasil.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  * Flávio Aguiar&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;...nunca fizeram mal a ninguém. Volto para Berlim, de uma temporada no Brasil, muito animado e um pouco assustado também.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Animado: o país passa por uma fase evidente de melhoras e ascensão social. Deixo as estatísticas para o Prof. Márcio Pochmann e o IPEA, que aliás, está excelente sob sua batuta (apesar de gremista, como sempre digo). Ao invés das estatísticas (que não são desprezíveis nem desprezáveis, muito pelo contrário), prefiro falar das expectativas. Fazia tempo que não encontrava tanta gente otimista, ainda que cautelosamente. Mais ou menos assim: empresários empresariando, operários operariando, crianças criançando (apesar de haver ainda essa praga do trabalho infantil), velhinhos velhando, a classe média se remediando e, é claro, nossa anacrônica direita cuspindo fel, fogo e baba pela boca (vide matérias na CM sobre o encontro do Instituto Millenium). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A impressão que dá, e a troquei com o professor Antonio Candido, meu fiel interlocutor e termômetro socioeconômicopolíticocultural, é que “o país entrou nos trilhos”, seja lá onde isso vai nos levar. Quer dizer: o país entrou num rumo que vai ser difícil mudar radicalmente, apesar da direitona tramar isso por debaixo e por cima do pano de suas promessas com pele de cordeiro de que “as boas coisas da administração Lula serão mantidas”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem quiser acreditar que morda o dedo e faça um despacho na encruzilhada. Mas o que eu e o professor queríamos dizer é que se alguém quiser mudar esse rumo de crescimento social sustentado e de inclusão, vai enfrentar uma resistência de amargar-lhe a vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Peguei também nessa temporada o momento ascensional da candidatura de Dilma nas pesquisas de opinião. Foi animador. Afinal de contas, ela é sim uma candidata competitiva e competente. Botou em ordem a casa, junto com o “CTG” (Marco Aurélio Garcia e Tarso Genro) de que faz parte, ainda que venha das Minas Gerais, em momento difícil para o PT e o governo, antes das eleições de 2006. Sustentou o fogo do adversário, e deu lastro para que Lula envergasse Alckmin a ponto deste ter menos votos no 2° do que no 1° turno. Repito: animador.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas... aí começaram as preocupações. Porque naquele momento ascensional de Dilma notei que entre vários de meus amigos e correligionários de esquerda instalava-se um tentador clima de “já ganhou”, de “ninguém mais duvida de que Serra vai perder” (não era nem de que “Dilma vai ganhar”). Vi-me envolvido por um verdadeiro foguetório parecido com aqueles de quando o Brasil entra em campo, e a gente esquece de tudo, na antecipação da vitória: esquece a hecatombe de 1950, esquece o desastre de Sarriá, na Espanha, contra a Itália, os vexames de 1954 (olha que sou velhinho!), 1966, 1974 e 1978, 1998 e 2006. É verdade que, em geral, no futebol, o Brasil, quando perde, é porque dá vexame. Porque se resolve jogar, poucos times agüentam o tranco.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas na política, entre direita e esquerda, não é assim. O nosso time pode jogar bonito, e perder o jogo. Não foi assim em 1989? Que eleição aquela! Até hoje me arrepia a lembrança de Chico, Milton e Djavan (parece uma linha média) cantando o “Lula lá”. Mas o outro lado, além das pilantragens do costume, coisa de marquetear edição de debate, botar camiseta de petista em autor de seqüestro, colocar as barbaridades da Míriam Cordeiro no ar sem nenhum pudor nem candor, repito, o outro lado jogou melhor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Melhor? Melhor. Eu não jogaria do jeito que eles jogaram. Mas eles, naquela ocasião, exploraram melhor as fraquezas e as limitações do nosso lado. Não estou fazendo o julgamento nem a caveira de ninguém. Só alertando que o outro lado joga pesado, feio, é contra a política-arte e a favor do tranco, do pé no peito e do carrinho dentro da área, mas que isso, em política, pode ser jogar bem também. A gente tem que estar preparado, porque vem artilharia pesada, torpedos e bombardeios, além de possíveis ogivas nucleares para cima da candidatura da Dilma e para todo o nosso lado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por quê? Porque a perspectiva de ficar mais 4, 8, talvez 12 ou 16 anos fora do Palácio do Planalto deixa a turma dos amigos do Millenium (e dele mesmo) apopléticos, com risco de ataque de asma espiritual, taquicardia política e risco de anorexia financeira e organizativa. O DEM vai definhar, o PSDB pode implodir, Alckimistas de um lado e Serralhos do outro e FHC no meio segurando o pincel, os Verdes são capazes de esverdear, com musgo e mofo se alastrando de seu lado direito em direção à sufocação do seu lado esquerdo – pois terão de deixar essa postura que vêm mantendo, de que o que a minha mão direita faz a outra mão desconhece, e vice-versa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já o PSOL, bem, o PSOL ficará onde sempre esteve, isto é, não se sabe muito bem aonde, ou, como se diz na minha terra, “mais perdido que cusco em procissão” e “mais nervoso que gato em dia de faxina”. Isso, quanto à direção. O povo do PSOL vai acabar votando na Dilma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Voltei convicto de que o Brasil vai bem obrigado. Que as chances de Dilma são reais. Mas que as de Serra também. Ou seja: vamos pra frente que o futuro é da gente. Mas que hay que trabalhar para lá chegar. E muito. A peleia promete ser das boas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;*Flávio Aguiar&lt;/strong&gt; é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Agência Carta Maior&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-7312138320888667158?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/7312138320888667158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/brasil-cautela-e-caldo-de-galinha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7312138320888667158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7312138320888667158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/brasil-cautela-e-caldo-de-galinha.html' title='Brasil: cautela e caldo de galinha...'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S7OFLjghP3I/AAAAAAAAAr4/DOWMTkYK-Ss/s72-c/Olho%2520Brasil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-6396806968966687568</id><published>2010-03-31T13:43:00.003-03:00</published><updated>2010-03-31T13:54:33.039-03:00</updated><title type='text'>O poder do voto</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S7N-F5IGFAI/AAAAAAAAArw/JFhOnnk7s24/s1600/seu+voto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454842213375022082" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 167px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S7N-F5IGFAI/AAAAAAAAArw/JFhOnnk7s24/s200/seu+voto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Poder contar 87 votos para derrotar a tese que defendia o apoio do PT ao PMDB (Roseana Sarney) aqui no Maranhão não foi uma tarefa fácil. Fui delegado ao encontro estadual que definiu a tática eleitoral 2010. Delegado pela CNB (Construindo um Novo Brasil). Mesmo contrariando o encaminhamento da direção da tendência, que em nenhum momento procurou criar um ambiente para ouvir a sua base, uma vez que a lista de delegados foi feita com o único objetivo de fazer passar o apoio ao PMDB, resolvi votar contra esse apoio. Entendo que o PT saiu vitorioso nesta disputa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não duvido do favoritismo da candidatura da governadora Roseana Sarney para as eleições de outubro próximo, o peso da máquina é inegável, sobretudo em um estado como o Maranhão, mas grande parte daqueles que defendiam o apoio ao PMDB, no interior da CNB, o fazim pensando apenas na possibilidade de assumir cargos (já agora, no governo Roseana). Penso que um partido que se pretende sério não pode definir a sua tática eleitoral orientado por uma estratégia tão rasteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais importante do que votar contra o apoio ao PMDB local, a minha decisão teve como fundamento a certeza de que é possível pensar um projeto de desenvolvimento para o nosso estado diferente do que vem sendo praticado por aqui. A governadora Roseana e o seu grupo político tem uma compreensão de desenvolvimento e procura colocá-la em prática, o que é legítimo (Aliás, muita gente por aqui é adepta desta compreensão, não fosse assim e talvez o mando deste grupo não durasse tanto), com a qual eu não concordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Votar pela aliança com o PCdoB que apresenta o deputado Flávio Dino como pré-candidato a governador foi a minha forma de expressar discordância em relação ao encaminhamento que a CNB local deu para uma questão tão importante, o destino do Maranhão. Votei com convicção e continuo convicto de que o PT do Maranhão saiu vitorioso. O desafio agora é prepararmos um programa de governo que a exemplo do que vem sendo feito no Brasil promova o desenvolvimento do nosso querido Maranhão. Um desenvolvimento que tenha no protagonismo dos maranhenses a sua principal marca. É com um programa assim que conquistaremos corações e mentes para eleger a primeira presidenta do Brasil, Dilma, e faremos do Flávio Dino o governador de todos os maranhenses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-6396806968966687568?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/6396806968966687568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/o-poder-do-voto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/6396806968966687568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/6396806968966687568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/o-poder-do-voto.html' title='O poder do voto'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S7N-F5IGFAI/AAAAAAAAArw/JFhOnnk7s24/s72-c/seu+voto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2465274578322253205</id><published>2010-03-24T17:11:00.002-03:00</published><updated>2010-03-24T17:38:28.790-03:00</updated><title type='text'>As hipóteses de 2010</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6p4LvigvoI/AAAAAAAAAro/0t4S1sqtuJY/s1600/interrogacoes-2010.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452302442020519554" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6p4LvigvoI/AAAAAAAAAro/0t4S1sqtuJY/s200/interrogacoes-2010.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Escrito por &lt;strong&gt;Wladimir Pomar&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;*&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Desenvolver empresas estatais, dar força econômica à pequena burguesia industrial e dos serviços, expandir a pequena burguesia agrícola, ampliar a força social dos trabalhadores assalariados das cidades e dos campos e estimular sua participação social e política, num contexto em que parte do governo rema contra esses esforços, e em que, em sua maioria, o aparato do Estado é contrário, não é uma missão fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que, em alguns terrenos, o governo Lula poderia ser mais audacioso do que vem sendo. Ele poderia criar mecanismos governamentais mais eficazes para apoiar e estimular as micro e pequenas empresas industriais e de serviços. E poderia ser mais criativo no assentamento dos lavradores sem terra nos 90 milhões de hectares dos latifúndios improdutivos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No entanto, isso não depende apenas dele. Depende, em grande medida, do PT, demais partidos socialistas, sindicatos e movimentos sociais democráticos e populares se voltarem com mais ênfase a organizar os trabalhadores e camadas populares em torno de seus interesses imediatos e de longo prazo. E depende de que essa organização da base social se movimente para pressionar a burguesia a dividir o espaço na sociedade, no governo e no Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa pressão que pode fazer com que a harmonização de contrários, praticada pelo governo, funcione como política de acumulação de forças para contrabalançar-se à hegemonia das classes dominantes. Isto vai ser especialmente importante quando os contrários entrarem em rota de colisão na disputa entre seus interesses não-comuns. Será nesse momento que as teses de que o governo Lula tem hegemonia sobre as forças populares ou está sob o comando da grande burguesia sofrerão seu teste decisivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o momento, o governo Lula parece ter uma maioria política capaz de vencer as eleições de 2010 e manter o projeto de desenvolvimento e integração soberana na globalização capitalista. No entanto, a pauta do programa de críticas ao governo Lula, aparentemente pela esquerda, mostra que a disputa pode ser mais complexa do que parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O social-liberalismo tucano, que se esconde sob o manto de uma social-democracia envergonhada, sustenta que seu candidato, caso eleito, não vai retornar à privataria descarada nem à financeirização desbragada que marcou o governo FHC. Segundo porta-vozes não autorizados, Serra deve manter o mesmo projeto de Lula, apenas com modulação diferente. O elogio retardado de Serra a Lula e a tentativa de separar o governo Lula da candidata Dilma mostram que a oposição vai se pautar pela tentativa de não discutir a natureza dos programas de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, há um grande esforço intelectual, de mídia e de propaganda explícita para demonstrar que Dilma e Serra são muito parecidos, tendo a mesma visão de mundo. Há quem diga que, se houvesse uma reorganização política, ambos estariam no mesmo partido. Eles seriam a expressão de pessoas que não existiriam mais na política brasileira, gente compromissada com o Brasil e que poderia ser enquadrada no conceito inglês de servidor público. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que não impede Serra de manobrar para destruir a candidata do PT pelas bordas, estimulando a candidatura Marina Silva, que num primeiro momento arrastou intelectuais católicos e progressistas - e possivelmente boa parte da esquerda que critica o governo Lula. Nem de que o saco de maldades de denúncias envolvendo figuras do PT já esteja com munição suficiente para alimentar a mídia marrom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente, a parte da esquerda que está servindo de massa divisionista de manobra para Serra não sabe se ainda é possível um projeto nacional popular no Brasil. Acredita que esse projeto teria sido derrotado, supostamente após ter sido descaracterizado pelo PT e pelo governo Lula, no poder. Nessas condições, embora afirme que a Consulta Popular é o único ator político que retoma o debate sobre um projeto de tal tipo, prefere apostar na promessa tucana, ou em seu derivativo Marina.&lt;br /&gt;O que mostra o quanto há de gente que, mesmo diante da banda passando, não consegue enxergar os passistas, nem ouvir a música. E não sabe o que realmente está em jogo em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Wladimir Pomar&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;é analista político e escritor.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Correio da Cidadania&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2465274578322253205?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2465274578322253205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/as-hipoteses-de-2010.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2465274578322253205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2465274578322253205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/as-hipoteses-de-2010.html' title='As hipóteses de 2010'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6p4LvigvoI/AAAAAAAAAro/0t4S1sqtuJY/s72-c/interrogacoes-2010.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-4615211411480872522</id><published>2010-03-24T17:03:00.002-03:00</published><updated>2010-03-24T17:11:05.276-03:00</updated><title type='text'>A quintessência da frivolidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6pxsRUU4rI/AAAAAAAAArg/EE07LV-2vyw/s1600/logo_bbb_bbb9_03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452295304262247090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 132px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6pxsRUU4rI/AAAAAAAAArg/EE07LV-2vyw/s200/logo_bbb_bbb9_03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;em&gt;O programa de maior audiência da televisão brasileira é a versão moderna de um zoológico, onde em vez de observar animais observamos do que são capazes semelhantes nossos trancafiados em uma jaula com aparência de casa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Washington Araújo*&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos últimos dez anos, o canal de maior audiência da TV aberta no Brasil exibiu durante 900 noites seguidas a atração Big Brother Brasil. Em outras palavras, a TV Globo passou mais de dois anos transmitindo, de forma ininterrupta, o programa que segue o formato criado em 1994 pelos holandeses Joop van den Ende e John de Mol, nomes que deságuam na ora famosa marca Endemol. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No conjunto, são dois anos e meio falando de prêmio de dinheiro graúdo. R$ 500 mil, R$ 1 milhão, R$ 1,5 milhão. E também de anjo, monstro, liderança, paredão, eliminação. E tome Pedro Bial pontificando, filosofando, misturando superego, mito do herói, arquétipo e inconsciente coletivo, Brecht e Paulo Coelho, Maiakovski e Paulo Leminski, Renato Russo e Bob Dylan, arrematando tudo com a manjada moral da história extraída possivelmente dos contos da lavra dos irmãos Grimm. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O BBB é mais atração que programa. Programa tem algum tipo de encadeamento, de estrutura enquanto atração: tem pouco de previsibilidade, a "coisa em si" é o que capta os sentidos da audiência. Há a ilusão da imprevisibilidade. Apenas ilusão, porque o que vale mesmo é a realidade fabricada ali na mesa de edição; é ali que se constroem os mocinhos e os bandidos, os "cabeças" e os iletrados, o éticos e os aéticos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Contrariando a máxima de que homem algum é uma ilha, o BBB termina sendo a própria ilha a ter como mar suas paredes e o tempo todo é desperdiçado com conversa, namoro, intriga, ginástica, bebedeira. No entretempo, os super-heróis do Bial se digladiam para eliminar os outros e vencer. E é o vale-tudo: fazem alianças, traem, simulam, dissimulam, enfim, tentam se aproximar do Santo Graal, aquele objeto de desejo agora representado pelo cheque de R$ 1,5 milhão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem está ali se depara com o dilema da modernidade: se tornará celebridade instantânea ou retornará ao anonimato. Ser celebridade, mesmo que por poucos dias, parece conceder um sentido à vida desses participantes; e renunciar aos holofotes deve, em sua estima, equivaler simbolicamente à própria morte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Em volta da piscina&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Concordo com o ótimo poeta brasiliense Gustavo Dourado. E, de sua autoria, compartilho os bem-humorados versos: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"É um joguete da mídia:/ De lucro comercial.../ Os bobos no telefone:/ Escravidão digital.../ A mando do Grande Irmão:/ Que acumula o vil metal.../// Loteria de milhões:/ Os bundões em evidência.../ Decadente baixaria:/ Em busca de audiência.../ Programinha indecente:/ Que está na repetência..."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É aquele desfile de corpos sarados – na maioria dos casos – com mentes vazias. Gigantes materiais e pigmeus éticos. Muita futilidade, caras e bocas, mau caratismo explícito, atentados ao pudor e à língua pátria, preconceitos raciais e sociais de todos os matizes. O voyeurismo estimulado pela atração supera e muito o interesse e curiosidade com que visitantes param em um zôo para observar a jaguaritaca, o filhote de anta e o urso polar, a girafa ou o flamingo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O programa de maior audiência da televisão brasileira é a versão moderna de um zoológico, onde em vez de observar animais observamos do que são capazes semelhantes nossos trancafiados em uma jaula com aparência de casa, com jeito de casa. Ninguém joga pipoca nem banana, mas a atenção é concentrada: em determinada noite da semana se contabilizam formidáveis dezenas de milhões de ligações telefônicas jogadas na jaula em forma de casa com o nobilíssimo intuito de sensibilizar os administradores do zôo para que expulsem da casa – em forma de jaula doméstica – este ou aquele participante. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em pleno verão carioca, sempre no período de janeiro a março, sabemos na edição noturna os que ficaram papeando na piscina ou desmaiados em volta desta, sempre em trajes sumários, sumaríssimos. E os instintos estarão, quase sempre, à flor da pele. E isso me faz lembrar os jacarés do papo amarelo, aquela espécie de jacaré que habitava rios, lagos e brejos próximos ao mar, desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul e na bacia do Rio Paraná, chegando até o Pantanal. É que ali já estiveram trancafiados gente de quase todos os estados brasileiros. Largados em volta da piscina colocando em dia seus papos amarelos. E põe amarelos nisso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;A verdadeira natureza&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Todos parecem desfrutar do mesmo DNA do Pedro Bial: belos, sarados e afinados com essa cultura de frivolidades de que a atração é seu fruto mais maduro e consumido. Quando Bial surge na tela com seus jargões pomposos – meus heróis, meus ídolos, tripulantes de minha nave, habitantes da casa mais vigiada do Brasil, meus mais-mais – os participantes dão uma última retocada no visual, uma nova cruzada de pernas, e como integrantes de bem ensaiado coral capricham no sorriso e retribuem o desejo de boa noite. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bial não consegue disfarçar seu encantamento com aqueles espécimes humanos, fala como se Oráculo fosse e tem a plena convicção que jamais – jamais! – será contraditado ou contrariado por quaisquer deles – e não importa quão infamante seja seu gracejo ou quão estúpidas as observações a ser proferidas em tom ora solene ora galhofeiro. E todos sabem que agradar o Bial é o mesmo que aparecer bem nas casas de milhões de telespectadores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas nem tudo está perdido. O Big Brother Brasil está a merecer estudo sociológico. A casa-jaula assemelha-se também a uma gaiola de hamsters (aqueles pequenos roedores brincalhões). São 80-90 dias de cativeiro, privados de intimidade, alvos de simpatia e da antipatia de uns e de outros, do ciúme e da inveja de uns e de outros, com tanto tempo ocioso e pouco afeitos à atividade de pensar, talvez acreditando piamente que pensar enlouquece. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como hamsters, têm acesso à roda gigante: festas no sábado, gincanas premiando o vencedor com carros 0 km, esforço físico colossal para fixar na mente dos telespectadores a marca do detergente que pode limpar tudo menos os lugares vazios, muito vazios de ideais e de sentido para a vida.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Do ponto de vista financeiro a atração é uma mina de ouro. Muito merchandising, pouco investimento. Assim como é fácil de tratar o hamster e de o mesmo não necessitar de alimentação dispendiosa, a manutenção da casa do BBB é relativamente econômica. Eles mesmos são quem fazem a comida e esta precisa ser conquistada vencendo obstáculos. E agora o formato da Endemol inclui a existência da Casa Grande &amp;amp; Senzala – ou, como chamam seus participantes, a casa de luxo e o puxadinho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hamsters levam a vantagem de rapidamente conquistar a nossa simpatia com seu comportamento amistoso ao contrário dos heróis do Bial, que na maioria das vezes apenas revelam sua verdadeira natureza com o passar do tempo em cativeiro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;A maior tragédia&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesta décima edição houve recorde de votos para eliminação de um participante: 92 milhões. Pausa para alguns rápidos cálculos. Neste paredão recorde, caso 100% dos votos tenha sido transmitido por ligação telefônica, podemos calcular que as ligações renderam R$ 27,6 milhões – considerando o preço da ligação a R$ 0,30. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora... sim, sempre tem um agora. Agora, vamos imaginar que a Rede Globo tenha feito um contrato "50% por 50%", ou melhor, "meio a meio" com uma operadora de telefonia. Então, nesse único paredão a emissora carioca teria embolsado nada desprezíveis R$ 13,8 milhões. Toda essa dinheirama em um único paredão. Acontece que em três meses a quantidade de paredões varia de 14 a 16. Portanto, seguindo certa mentalidade de nossos meios de comunicação, ante tamanho volume de dinheiro, algum desses empresários pensaria duas vezes antes de riscar de sua grade conteúdos que favoreçam e cultura e cidadania do povo brasileiro?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outra constatação é que pensamentos egoístas e imagens preconceituosas dominam o programa ou, ao menos, a quase totalidade da edição do programa. Os que se sentem acima da média – que, aliás, é muito baixa – avocam para si o atributo de serem elas mesmas, de serem sinceras em suas opiniões, de não estarem jogando pra platéia e que "dinheiro não é tudo na vida". Para estes, os outros apenas vêm confirmar o pensamento de Jean-Paul Sartre de ser, os outros, o próprio inferno. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Big Brother Brasil é autoexplicativo. Mesmo quem diz que nunca assistiu consegue rapidamente formular opinião sobre o programa. Até porque é de longe fonte primária para o jornalismo de frivolidades – também conhecido como de entretenimento –, crítica de televisão e, na verdade, reedita o velho colunismo social dos jornais impressos. Só que bem mais ao gosto dos dias atravessados que vivemos, com direito a pergunta em rede nacional em horário nobre tão instrutiva e recatada quanto: "Você é ativo, passivo ou ambos?" E a resposta de supetão: "Nessa idade, eu sou tudo". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;À sua maneira, os participantes se põem a conversar sobre tudo e todos, sobre tudo e nada. É uma pena que não consigam elaborar em 90 dias perguntas que façam a vida valer a pena. Penso em busca de respostas para questões essenciais: todo mundo é corrupto ou depende das circunstâncias? Você toparia tudo – mas tudo mesmo! – por dinheiro? Todo mundo mente, faz intriga, é fofoqueiro, traíra ou X9? Existe algum ser humano que seja confiável quando há muito dinheiro em jogo? Por que tenho medo de lhe dizer o que eu sou? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É que ainda não entendemos que a pior tragédia na vida de um homem é aquilo que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo. Não preciso escrever mais nada, né?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Washington Araújo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pelaUNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.orgEmail - wlaraujo9@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-4615211411480872522?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/4615211411480872522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/quintessencia-da-frivolidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4615211411480872522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4615211411480872522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/quintessencia-da-frivolidade.html' title='A quintessência da frivolidade'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6pxsRUU4rI/AAAAAAAAArg/EE07LV-2vyw/s72-c/logo_bbb_bbb9_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-8050162954907107695</id><published>2010-03-19T13:00:00.003-03:00</published><updated>2010-03-19T13:11:17.642-03:00</updated><title type='text'>Organizador explica evolução do movimento "Lulécio" em MG</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6Oh1SLsW7I/AAAAAAAAArY/OG2MwD9cNaE/s1600-h/lula_dilma_aecio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450377910834453426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 192px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6Oh1SLsW7I/AAAAAAAAArY/OG2MwD9cNaE/s200/lula_dilma_aecio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Carolina Oms&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Especial para Terra Magazine&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em 2006, 19 prefeitos mineiros contrariaram as orientações de seus partidos e apoiaram a reeleição do governador tucano Aécio Neves e do presidente Lula, do PT. Este ano, o ex-petista José Antônio Prates anuncia o aprofundamento do movimento conhecido como "Lulécio" e que agora está sendo reeditado como "Dilmasia".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Prates, que é prefeito de Salinas, conta que o Lulécio surgiu de uma percepção sua de que o povo estava "diante das vanguardas":&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- O povo optou por segurança, pela continuação de um processo que ele via no governo Lula e no governador Aécio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O prefeito afirma que foi expulso do PT por "querer discutir" o apoio a candidatos dos prefeitos mineiros ao governador Aécio Neves, então candidato à reeleição, atualmente, encontra-se filiado ao PSB, mas parece não guardar mágoas: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Lula nunca me discriminou, fiquei ainda mais amigo dele, eu sou o provedor das cachaças dele, as cachaças de Salinas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Prates minimiza as disputas políticas com as quais o "Dilmasia" mexe: "A diferença entre propostas dos petistas e da social democracia é muito pequena". Mas sobre o tucano, porém paulista, governador José Serra profetiza: "Vai levar uma surra histórica" em Minas Gerais. "Os prefeitos do PT, do PSDB, vão estar juntos nisso. Muitos prefeitos". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda sobre José Serra, Prates analisa as recentes pesquisas eleitorais: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ele desdenhou a proposta de prévias do governador Aécio Neves, uma discussão onde o povo debateria os candidatos e as propostas. O Serra boicotou, fugiu do palco, correu e Aécio saiu de cena no final do ano e deixou o Serra só. E é por isso que o Serra começou a cair e a Dilma a se consolidar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leia os principais trechos da entrevista:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Terra Magazine&lt;/strong&gt; - Pra nos situarmos um pouco, eu gostaria que o senhor explicasse o movimento denominado "Lulécio", liderado pelo senhor. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;José Antônio Prates&lt;/strong&gt; - Foi uma percepção que eu tive na época de que o povo estava diante das vanguardas e que ele havia decidido por um caminho de pequenas conquistas, mas seguras. O povo optou por segurança, pela continuação de um processo que ele via no governo Lula e no governador Aécio.&lt;br /&gt;Mas as elites políticas não enxergavam muito essa percepção, porque elas sempre se baseavam em análises de lideranças, o que é importante também. Acontece que desde algum tempo, essa mudança vinha sendo operada. O povo começou a formar uma consciência própria e passou por cima desse tipo de raciocínio, porque ele ficou temeroso que essas pequenas conquistas que o valorizavam fossem destruídas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;E o senhor acha que em 2010 haverá uma nova versão desse movimento?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é uma nova versão, é um aprofundamento. Nós estamos vendo as mesmas elites que não querem compreender. O povo não vai votar nos candidatos que alguém determinar no partido. O Brasil, infelizmente, não tem partidos que representem correntes ideológicas. Então, o povo está formando um movimento novo, espontâneo, mas agora é menos espontâneo do que em 2006 - ele é muito mais rigoroso, muito mais enraizado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;E então?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais uma vez o povo vai votar na continuidade daquilo que ele reconheceu como seu movimento, com políticas sociais, políticas públicas de governo, emanadas da necessidade de segmentos da população. A diferença entre propostas dos petistas e da social democracia é muito pequena. Existem propostas de poder, o que é legítimo também. O povo vai votar na Dilma e no Anastasia. Isso se o Aécio não for candidato a presidente, porque aí vai dar Aécio e Anastasia, isso em Minas.&lt;br /&gt;Se ele não for candidato a presidente, for candidato ao Senado, o Serra vai levar uma surra histórica e Anastasia ganha a eleição. Os prefeitos do PT, do PSDB, vão estar juntos nisso. Muitos prefeitos, a maioria do norte de Minas. A postura do Serra ajudou a consolidar isso em Minas Gerais, porque ele desdenhou a proposta de prévias do governador Aécio Neves, uma discussão onde o povo debateria os candidatos e as propostas. O Serra boicotou, fugiu do palco, correu e Aécio saiu de cena no final do ano e deixou o Serra só. E é por isso que o Serra começou a cair e a Dilma a se consolidar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Há uma rejeição do eleitorado mineiro ao nome do governador paulista José Serra? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A rejeição é profunda e total. O Serra, ao rejeitar as prévias, mostrou desprezo por Minas Gerais. Se ele mostrou esse desprezo antes de ser presidente, imagina como seria... Os mineiros estão desconfiados e eu acredito, se a eleição fosse hoje, o Serra teria, no máximo, 20% dos votos em Minas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Então o senhor aposta em Aécio como candidatado a presidente ainda?&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;E como candidato à vice-presidência?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vice, não. Nós preferimos ser primeiros na província que o segundo na corte.Eu vou onde o povo está e escuto a voz do povo. Não existe Brasil sem Minas. Isso não é uma frase de efeito, isso é a verdade. Minas não tem vocação hegemonista como tem São Paulo. Não estou falando do povo paulista, que é um povo generoso, mas da elite paulista. O PT é assim e todos os demais partidos paulistas são assim. A vocação deles é de hegemonia diante do Brasil. Minas seria a voz libertária do Brasil. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Não há o risco de os prefeitos que apoiarem PT e PSDB sofrerem represálias de seus partidos, como aconteceu com o senhor?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É o risco que nós corremos. Eles querem fazer com a gente hoje, por uma norma do TSE, que não pode ser aceita, uma imposição de em quem devemos votar. A imposição de uma coligação partidária verticalizada, só a ditadura militar fez isso. Eu fui excluído do PT porque eu quis discutir. O mesmo documento que nós entregamos ao Aécio, nós entregamos ao Lula. Lula nunca me discriminou, fiquei ainda mais amigo dele, eu sou o provedor das cachaças dele, as cachaças de Salinas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;Terra Magazine&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-8050162954907107695?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/8050162954907107695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/organizador-explica-evolucao-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/8050162954907107695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/8050162954907107695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/organizador-explica-evolucao-do.html' title='Organizador explica evolução do movimento &quot;Lulécio&quot; em MG'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6Oh1SLsW7I/AAAAAAAAArY/OG2MwD9cNaE/s72-c/lula_dilma_aecio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-4681365326505852150</id><published>2010-03-18T17:46:00.003-03:00</published><updated>2010-03-18T17:52:09.540-03:00</updated><title type='text'>Gafe de Lula?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KSJ1XyraI/AAAAAAAAArQ/LhOG_14Oco8/s1600-h/Gilson%20Caroni.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450079196715068834" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 99px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KSJ1XyraI/AAAAAAAAArQ/LhOG_14Oco8/s200/Gilson%2520Caroni.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;O jornalismo de programa entrou em ação: censurou os elogios do presidente israelense a Lula, dando destaque a uma suposta gafe, uma recusa inusitada a um ato supostamente protocolar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Gilson Caroni Filho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O “incidente diplomático” provocado pela decisão da delegação brasileira de não incluir na agenda do presidente Lula uma visita ao túmulo do criador do movimento sionista precisa ser visto na exata dimensão de seu significado político. E não há dúvidas quanto ao acerto da recusa a um convite feito de última hora. Afinal, o que propõe o sionismo e quais suas implicações para a paz na região conflagrada? Haveria compatibilidade entre a carga simbólica do evento e uma posterior encontro com autoridades palestinas?. O jornalismo de programa entrou em ação: censurou os elogios do presidente israelense a Lula, dando destaque a uma suposta gafe, uma recusa inusitada a um ato supostamente protocolar. Comprou a descortesia da extrema-direita de Israel como justa indignação frente a uma diplomacia desastrada. A operação " tempestade no cerrado", denunciada pelo jornalista Mauro Carrara, desconhece fronteiras e senso de medida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como já registrei, em artigo escrito com o economista Carlos Eduardo Martins, a incompatibilidade entre sionismo e diálogo democrático não é um dado conjuntural, mas fato de origem. A premissa de Theodor Herzl é que os judeus não podem se fiar na “opinião pública mundial” ou na “comunidade das nações”, que sempre assistiram impassíveis às incontáveis perseguições sofridas pelo seu povo através dos séculos. Os judeus teriam que assegurar sua sobrevivência, como povo e como indivíduos, por seus próprios meios. O que só seria possível com o estabelecimento de seu Estado nacional soberano, para o que Herzl indica a Palestina (então sob domínio turco), local do último Reino de Israel. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É bom lembrar que Herzl foi um ativo militante do movimento sionista na Europa, além de conduzir negociações com a Turquia e o Egito. A ideologia territoralista é excludente. Em momento algum ela advoga pública e explicitamente o extermínio ou a expulsão violenta dos palestinos não-judeus. Mas deixa claro, em seus diários, que eles deveriam ser “persuadidos a se retirarem” por meios econômicos, como o confisco de suas terras e outras propriedades, e a recusa em lhes dar emprego. Ou seja, em instância final, Israel deveria ser o lar exclusivamente dos judeus –e inclusiva e idealmente de todos os judeus do mundo, que só ali teriam assegurada sua sobrevivência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Herzl tampouco define fronteiras específicas para o Estado judeu, referindo-se genericamente à “Palestina”. Mas, da mesma forma, antevê o caráter necessariamente expansionista de tal Estado, até mesmo para acomodar a desejada imigração em massa. É significativo que, nos documentos oficiais do governo Israelense, o território de Israel englobe hoje toda a Palestina, Gaza, Cisjordânia e Golan incluídas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Embora haja quem afirme que “a origem do Estado de Israel não está na religião”, é óbvio que as propostas de Herzl estão imbuídas da visão toráica de “povo escolhido” (à exclusão de todos os demais) e de “destino manifesto” – de resto não diferentes da professada pelos proponentes do PNAC, Plano para um Novo Século Americano, que norteou o “bushismo” nos Estados Unidos – a começar pela escolha da “Terra Prometida” para lar do Estado de Israel. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o discurso herzliano parece totalmente laico (o que foi desprezado pela “esquerda sionista”, que acedeu em criar Israel como um Estado confessional, vide a Estrela de David em sua bandeira). E seus objetivos, estritamente materiais: terra e poder. Quer seu criador estivesse consciente delas ou não, as implicações da ideologia sionista são inescapáveis. E o jornalista inglês Daniel Finkelstein as explicita: “Assim, quando se pede a Israel que respeite a opinião mundial e confie na comunidade internacional, não se está compreendendo o ponto fundamental. A própria idéia de Israel é uma rejeição dessa opção. Israel só existe porque os judeus não se sentem seguros como tutelados da opinião mundial.” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Daí se depreende inevitavelmente que quaisquer “negociações” ou “acordos” não têm valor para Israel, que os usará, se conveniente, assim como os ignorará se e quando, a seu exclusivo juízo, forem necessários para sua segurança. Finkelstein continua sua explanação sem se dar conta de que explicita o que a propaganda sionista tenta ocultar: “Israel entregará suas armas quando os judeus estiverem em segurança, mas não o fará enquanto não estiverem.” E só a Israel compete dizer se a “segurança” foi alcançada ou não, bem como até onde o Grande Israel terá que se estender até então. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o sionismo não recorreu à comunidade internacional, representada pela ONU, para formalizar a partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel? Sim, mas por mero oportunismo, valendo-se da “consciência culpada” dos gentios face ao Holocausto e explorando as tensões geopolíticas entre as antigas potências coloniais européias, Inglaterra (já detentora do “mandato palestino”) e França à frente, Estados Unidos e União Soviética, além da divisão entre os países árabes. E só o fez por constatar que o caminho da violência e do terrorismo não levaria à consecução de seus objetivos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Portanto, por sua própria origem e seu cerne ideológico, o Estado de Israel se definiu como uma nação que despreza a opinião mundial, não reconhece a comunidade internacional e ignora quaisquer decisões colegiadas que não lhe pareçam convenientes. A "gafe" de Lula demonstra uma inequívoca compreensão do tabuleiro geopolítico do Oriente Médio. Que outras sejam cometidas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fonte:&lt;em&gt; Site Carta Maior&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-4681365326505852150?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/4681365326505852150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/gafe-de-lula.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4681365326505852150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4681365326505852150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/gafe-de-lula.html' title='Gafe de Lula?'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KSJ1XyraI/AAAAAAAAArQ/LhOG_14Oco8/s72-c/Gilson%2520Caroni.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-8307874319196909102</id><published>2010-03-18T17:37:00.004-03:00</published><updated>2010-03-18T17:54:26.474-03:00</updated><title type='text'>Qual é mesmo o programa do PSDB para o Brasil?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KPU0z_PmI/AAAAAAAAArI/REl0FsH7ZMY/s1600-h/dilma_serra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450076087008575074" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 124px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KPU0z_PmI/AAAAAAAAArI/REl0FsH7ZMY/s200/dilma_serra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Nova pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) confirma tendência apontada em levantamentos anteriores: a aprovação de Lula bate novo recorde, Dilma Rousseff segue crescendo e José Serra segue estagnado (ou “estável”, como preferem dizer seus apoiadores). Nove áreas do governo foram avaliadas e, em apenas três, desaprovação superou aprovação. Geração de emprego em fevereiro bate recorde. Alto desempenho do governo e da economia expõe vazio programático do PSDB e de sua candidatura. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Marco Aurélio Weissheimer&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos números mais terríveis do Ibope para o governador José Serra é o que aponta a manifestação espontânea de voto. Segundo a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (17), o presidente Lula lidera com 20%, sendo seguido pela ministra Dilma Rousseff, com 14% e por Serra, com 10%. Ou seja, somados, Lula e Dilma chegam a 34% contra apenas 10% do tucano. As más notícias, para o PSDB, do levantamento encomendado pela Confederação Nacional da Indústria não param por aí: a diferença entre Serra e Dilma caiu 13 pontos percentuais em relação à última pesquisa Ibope. Na estimulada, Serra tem 35% e Dilma, 30%. Na pesquisa anterior, realizada em novembro, Serra tinha 38% e Dilma, 17%. O índice de rejeição da ministra caiu de 41% para 27% desde a última pesquisa. E 42% dos entrevistados não sabem que ela é candidata de Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa Ibope/CNI mostra que a avaliação positiva do governo do presidente Lula também cresceu. Mais do que isso, bateu seu recorde. O governo Lula foi avaliado de forma positiva por 75% dos pesquisados. Em novembro, esse índice era de 72%. Outros 19% avaliaram o governo Lula como regular, e apenas 5% como ruim ou péssimo. Já a aprovação pessoal do presidente Lula se manteve estável na casa dos 83%. Neste mês de março, somente 13% disseram desaprovar o presidente e 4% não souberam ou quiseram responder. Na comparação entre o primeiro e o segundo mandatos do presidente Lula, 49% consideram que o segundo é melhor que o anterior. Outros 40% consideram igual, e 9% dizem que o segundo é pior que o primeiro. O Ibope ouviu 2.002 pessoas entre os dias 6 e 10 de março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pesquisa confirma tendência de polarização&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em relação às candidaturas de Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV), a pesquisa não apresentou maiores novidades. Ciro caiu dois pontos em relação à pesquisa anterior, ficando com 11% das intenções de voto. Já a senadora Marina Silva manteve os 6% que conseguiu no último levantamento. Com a presença de Ciro, Serra tem 38% de preferência e Dilma, 33%. Neste mesmo cenário, Marina chega a 8%. Ou seja, a pesquisa Ibope apresenta a mesma tendência de polarização verificada nos levantamentos anteriores de outros anteriores. Até aqui, não há grande espaço para o surgimento da famosa “terceira via”, lugar acalantado tanto por Ciro quanto por Marina. Ainda é cedo, mas a disputa Dilma-Serra vai tomando conta, além do tabuleiro político, também da percepção do eleitorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números do Ibope reforçaram a preocupação dos partidários de Serra. Até a metade da tarde desta quarta, o site nacional do PSDB ignorava a pesquisa, sem fazer qualquer comentário sobre ela. Sinal de que falta o que dizer no momento. Pelo twitter, o presidente nacional da sigla, Sérgio Guerra, procurou minimizar o resultado dizendo que Serra “se manteve estável” na pesquisa porque “não faz campanha eleitoral antecipada”. “O Serra operou esse tempo todo como governador. Não operou como candidato”, disse Guerra, esquecendo-se de mencionar as agendas carnavalescas de Serra e as freqüentes inaugurações de obras em São Paulo (atividades que, no caso da ministra Dilma Rousseff, segundo o PSDB, configurariam propaganda eleitoral antecipada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;PSDB sem programa e sem discurso&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A dificuldade do PSDB com as palavras é compreensível. O partido tem um candidato conhecido, mas sem discurso e programa. E a cada nova pesquisa esse vazio vai sendo exposto. Neste novo levantamento do Ibope, há um dado muito expressivo: mais da metade dos entrevistados (53%) disseram que pretendem votar nas eleições deste ano em um candidato apoiado pelo presidente Lula. Some-se a este dado aquele que afirma que 42% dos entrevistados não sabem que Dilma é candidata de Lula e o tamanho do problema para os tucanos está bem configurado. Ainda segundo os números do Ibope, a candidata do PT ficou mais conhecida e a rejeição em relação ao seu nome caiu expressivamente. Em resumo, não uma única notícia boa para Serra na pesquisa, a não ser que se considerasse que Dilma poderia ter crescido ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, a julgar pelas projeções, isso deve ocorrer nas próximas pesquisas. O nome de Dilma é o único que vem crescendo desde setembro de 2009. Enquanto isso, Serra permanece estagnado, ou estável, como preferem dizer seus apoiadores. A diferença pró-Serra caiu de 20 pontos percentuais, em setembro, para apenas 5 pontos agora em março. O que os tucanos não querem reconhecer (e não podem) é que esse crescimento é acompanhado de uma alta aprovação das políticas do governo Lula. O Ibope avaliou essas políticas divididas em nove áreas: combate à fome e à pobreza, educação, meio ambiente, combate ao desemprego, combate à inflação, taxa de juros, saúde, segurança pública e impostos. Apenas nestas três últimas, o índice de desaprovação foi maior do que o de aprovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Criação de emprego: melhor fevereiro da história&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A área mais bem avaliada é a de combate à fome, com 69% de aprovação. Em segundo lugar, vem a educação, com 62%, e, em terceiro, meio ambiente, com 58%. A pesquisa mostra ainda que, no que se refere ao combate ao desemprego, a aprovação voltou ao nível anterior à crise econômica internacional, 60%. E, pela primeira vez desde março de 2006, a aprovação da política de juros (46%) foi maior do que a desaprovação (44%). E isso que o Ibope não computou o efeito do melhor fevereiro da história na geração de empregos no país: mais 209 mil vagas no mês passado, o novo recorde histórico registrado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado é 52% maior do que a média dos melhores registros em fevereiro, que ocorreram entre 2003 e 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os números ajudam a entender os altos índices de aprovação do governo Lula. No primeiro bimestre de 2010 foram gerados 390.844 postos de trabalho, melhor resultado da série histórica para os meses de janeiro e fevereiro, superando em 66% a média dos melhores desempenhos, ocorridos entre 2003 e 2008. Nos últimos 12 meses, a variação acumulada do emprego formal teve alta de 4,63%, resultado da criação de 1.478.523 postos de trabalho, o maior aumento registrado desde dezembro de 2008, nesse tipo de comparação. O Brasil alcança assim a marca de 33.391.863 trabalhadores com carteira assinada. O setor de serviços, a indústria de transformação e a Construção Civil puxaram esse bom desempenho. Diante desses números, cabe perguntar: e aí Serra, qual vai ser mesmo o programa do PSDB?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Site Carta Maior&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-8307874319196909102?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/8307874319196909102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/qual-e-mesmo-o-programa-do-psdb-para-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/8307874319196909102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/8307874319196909102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/qual-e-mesmo-o-programa-do-psdb-para-o.html' title='Qual é mesmo o programa do PSDB para o Brasil?'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KPU0z_PmI/AAAAAAAAArI/REl0FsH7ZMY/s72-c/dilma_serra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-8620747156523707931</id><published>2010-03-18T17:22:00.003-03:00</published><updated>2010-03-18T17:35:31.629-03:00</updated><title type='text'>Os EUA estão doentes</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KOGxytBCI/AAAAAAAAArA/voWjbmBpDCk/s1600-h/boaventura2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450074746168083490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 179px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KOGxytBCI/AAAAAAAAArA/voWjbmBpDCk/s200/boaventura2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;em&gt;Os EUA são o único país do mundo desenvolvido em que a saúde foi transformada em mercadoria e o seu provimento entregue ao mercado privado das seguradoras. Os resultados são assustadores. 49 milhões de cidadãos não têm seguro de saúde e 45 mil morrem por ano por falta dele.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Boaventura de Sousa Santos*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sentido metafórico, a sociedade norte-americana está doente por muitas razões. Há mais de trinta de anos passo alguns meses por ano nos EUA e tenho observado uma acumulação progressiva de "doenças", mas não é delas que quero escrever hoje. Hoje escrevo sobre doença no sentido literal e faço-o a propósito da reforma do sistema de saúde em discussão final no Congresso. As lições desta reforma para o nosso país são evidentes. Os EUA são o único país do mundo desenvolvido em que a saúde foi transformada em mercadoria e o seu provimento entregue ao mercado privado das seguradoras. Os resultados são assustadores. Gastam por ano duas vezes mais em despesas de saúde que qualquer outro país desenvolvido e, apesar disso, 49 milhões de cidadãos não têm qualquer seguro de saúde e 45 mil morrem por ano por falta dele. Mais, a cada passo surgem notícias aterradoras de pessoas com doenças graves a quem as seguradoras cancelam os seguros, a quem recusam pagar tratamentos que lhes poderiam salvar a vida ou a quem recusam vender o seguro por serem conhecidas as suas — condições pré-existentes“, ou seja, a probabilidade de virem necessitar de cuidados de saúde dispendiosos no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perversidade do sistema reside em que os lucros das seguradoras são tanto maiores quanto mais gente da classe média baixa ou trabalhadores de pequenas e médias empresas são excluídos, ou seja, grupos sociais que não aguentam constantes aumentos dos prémios de seguro que nada têm a ver com a inflação. No meio de uma grave crise econômica e alta taxa de desemprego, a seguradora Anthem Blue Cross - que no ano passado declarou um aumento de 56% nos seus lucros - anunciou há semanas uma alta de 39% nos preços na Califórnia, o que provocaria a perda do seguro para 800.000 pessoas. A medida foi considerada criminosa e escandalosa por alguns membros do Congresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todas estas razões, há um consenso nos EUA de que é preciso reformar o sistema de saúde, e essa foi uma das promessas centrais da campanha de Barack Obama. A sua proposta assentava em duas medidas principais:criar um sistema público, financiado pelo Estado, que, ainda que residual, pudesse dar uma opção aos que não conseguem pagar os seguros; regular o sector de modo que os aumentos dos planos não pudessem ser decididos unilateralmente pelas seguradoras. Há um ano que a proposta de lei tramita no Congresso e não é seguro que a lei seja aprovada até à Páscoa, como pede o Presidente. Mas a lei que será aprovada não contém nenhuma das propostas iniciais de Obama. Pela simples razão de que o lobby das seguradoras gastou 300 milhões de euros para pagar aos congressistas encarregados de elaborar a lei (para as suas campanhas, para as suas causas e, afinal, para os seus bolsos). Há seis lobistas da área de saúde registrados por cada membro do Congresso. Lobby é a forma legal do que no resto do mundo se chama corrupção. A proposta, a ser aprovada, está de tal modo desfigurada que muitos setores progressistas (ou seja, setores um pouco menos conservadores) pensam que seria melhor não promulgar a lei. Entre outras coisas, a leib "entrega" às seguradoras cerca de 30 milhões de novos clientes sem qualquer controle sobre o montante dos planos. Os EUA estão doentes porque a democracia norte-americana está doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que lições? Primeiro, é um crime social transformar a saúde em mercadoria. Segundo, uma vez dominantes no mercado, as seguradoras mostram uma irresponsabilidade social assustadora. São responsáveis perante os acionistas, não perante os cidadãos. Terceiro, têm armas poderosas para dominar os governos e a opinião pública. Em Portugal, convém-lhes demonizar o SNS só até ao ponto de retirar dele a classe média, mais sensível à falta de qualidade, mas nunca ao ponto de o eliminar pois, doutro modo, deixariam de ter o "caixote do lixo" para onde atirar os doentes que não querem.Os mais ingênuos ficam perplexos perante os prejuízos dos hospitais públicos e os lucros dos privados. Não se deram conta de que os prejuízos dos hospitais públicos, por mais eficientes que sejam, serão sempre a causa dos lucros dos hospitais privados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Site Carta Maior&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-8620747156523707931?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/8620747156523707931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/os-eua-estao-doentes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/8620747156523707931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/8620747156523707931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/os-eua-estao-doentes.html' title='Os EUA estão doentes'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6KOGxytBCI/AAAAAAAAArA/voWjbmBpDCk/s72-c/boaventura2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-4515101592926195056</id><published>2010-03-18T14:39:00.003-03:00</published><updated>2010-03-18T14:45:58.973-03:00</updated><title type='text'>O desafio de gerir cidades</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6JmIjE1TNI/AAAAAAAAAq4/Ai5O74zJRHM/s1600-h/worldindanger.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450030796112219346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6JmIjE1TNI/AAAAAAAAAq4/Ai5O74zJRHM/s200/worldindanger.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Por&lt;/span&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Denise Ribeiro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conceber a cidade como bem público; envolver os diferentes atores sociais em torno de processos participativos e deliberativos, que tornem os espaços de convivência urbanos mais democráticos, dinâmicos e acolhedores da diversidade; e usar as redes sociais e o poder da internet para pressionar a administração pública a oferecer serviços mais eficientes e aperfeiçoar sua gestão. A discussão desses temas foi o eixo central da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010), que terminou no último sábado (13/3), em Curitiba, no Paraná.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o evento de quatro dias, 3.500 pessoas circularam pelos diversos auditórios da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), na difícil tarefa de escolher entre as inúmeras palestras, oficinas e mesas-redondas oferecidas, aquelas consideradas “imperdíveis”. E haja ânimo e pique para cobrir os 6.800 m2 ocupados pela conferência, atrás de estrelas como o americano Marc Weiss, uma das maiores autoridades em energia verde, o filósofo cibernético tunisiano Pierre Lévy, da Universidade de Ottawa, Canadá, o urbanista francês Marc Giget e o americano Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York e estudioso dos efeitos econômicos e sociais da internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O americano Steven Johnson foi um dos nomes mais festejados do encontro, iniciativa da Fiep que teve promoção conjunta das prefeituras de Curitiba, de Lyon (França), de Bengaluru (Índia) e de Austin (Estados Unidos) e apoio institucional das Nações Unidas e do Banco Mundial. Autor de seis best-sellers, que transitam entre a história, a semiótica e a literatura, Steven Johnson é especialista em redes, visita o Brasil pela segunda vez e tem 1,5 milhão de seguidores no Twitter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Johnson, que analisou as cidades como “organismos biológicos”, disse que elas, por si sós, são plataformas de inovação e que, quanto mais interfaces de comunicação com a administração municipal forem criados, mais ágeis se tornarão as respostas às demandas da população. Citou como exemplo o telefone 311, implantado pela prefeitura de Nova York, que recebe chamadas em 40 idiomas – a diversidade é outra característica das cidades inovadoras. “Denúncia de barulho, aviso de buraco na rua ou de que há um bêbado dormindo num playground, pedido de informações sobre um abrigo para mulheres, o 311 acolhe vários tipos de chamadas não relacionadas à criminalidade. Acabou tornando-se um painel vivo das necessidades mais imediatas da população, pois a prefeitura consegue mapear, em tempo real, como a cidade se move”, disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Johnson também destacou a importância de se adotarem novos paradigmas na captação de conceitos originais. “Vamos perder muito se pensarmos que apenas o sistema competitivo colabora com a evolução, por impulsionar ideias e iniciativas. Sistemas vivos, como a floresta tropical e outros ecossistemas equilibrados, têm muito a ensinar para a vida em sociedade, especialmente em núcleos urbanos”, enfatizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro orador bastante aplaudido foi o urbanista e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner, responsável por inúmeras iniciativas que transformaram a capital paranaense em exemplo de modernidade, mobilidade e cidadania – Curitiba começou a fazer coleta seletiva do lixo em 1976 e é até hoje um dos locais que mais reciclam materiais não orgânicos no mundo. “Inovar é começar”, disse ele, um defensor de soluções pontuais – que chamou de acupuntura urbana –, para transformar as cidades em locais mais acolhedores sem depender de grandes investimentos. “Uma pedreira abandonada pode virar um teatro, por exemplo. Cidades, que considero o último refúgio da solidariedade, não são problema, são soluções”, disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participar para transformar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soluções harmoniosas e de baixo custo foram apresentadas por Ron Littlefield, prefeito da cidade americana de Chattanooga, no Tennessee. Depois que grandes empresas abandonaram a cidade à própria sorte, nos anos 1960, Chattanooga viveu um intenso processo de degradação, mas decidiu renascer 20 anos mais tarde. Graças a iniciativas inovadoras e ao envolvimento da população na reconstrução do município, Chattanooga deixou para trás o título de cidade mais poluída dos Estados Unidos para se transformar na cidade mais verde do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Despoluímos o rio, em que as empresas despejavam detritos, transformando a área num parque. Plantamos árvores, restauramos a região central e convidamos artistas a se instalarem por lá. E mesclamos moradias de diferentes níveis sociais, para incentivar a convivência da diversidade. Hoje todo mundo sente orgulho de viver em Chatanooga”, disse Littlefield. Qual a chave do sucesso? Segundo ele, é fazer com que as pessoas se sintam donas da cidade. “Elas se reúnem para discutir o planejamento urbano, percebem que suas idéias são implementadas e se sentem estimuladas a participar sempre”, ensina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomar para si a tarefa de interferir na administração é a única saída que a população tem para pressionar políticos e líderes municipais. Oded Grajew, coordenador do Movimento Nossa São Paulo, falou da importância da instituição ao conscientizar os moradores da capital paulista a caminhar nessa direção. Sem a eficiência administrativa de Nova York, a qualidade de vida de Chatanooga ou a mobilidade de Bogotá – a capital colombiana tem 350 km de pistas exclusivas para bicicleta, usadas diariamente por 350 mil bogotano no deslocamento até o trabalho –, São Paulo se confronta com dados assustadores. “Se pudessem, 57% dos habitantes deixariam a cidade”, diz Grajew, citando dados coletados pela pesquisa sobre os Indicadores de Referência de Bem-Estar (Irbem).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendeu uma plataforma “sustentável”, que traga inovação social para a cidade. “É preciso mudar processos sociais e políticos e ampliar espaços abertos para que a sociedade se reúna, compartilhe e dê visibilidade às suas propostas. As prioridades do orçamento da maior cidade do país têm de ser debatidas pela sociedade civil, e não apenas por prefeitos e vereadores”, ressalta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O analista político Augusto de Franco, especialista em redes sociais, concorda com Grajew. Segundo ele, o Estado terá de passar por uma transformação, porque os processos inovadores das redes estão tornando obsoletos outros padrões de governança, especialmente os centralizadores. Chamou de “paquidermes organizativos” estruturas autocráticas e disse que “pessoas que se conectam com pessoas têm o poder de transformar as cidades”. Citou como exemplo a Rede de Participação Política, iniciativa da Fiep/Sesi que coordena o Projeto de Desenvolvimento das Cidades do Paraná. Em Curitiba e mais sete cidades paranaenses, as comunidades estão elaborando planos de ação para vigorarem nos municípios nos próximos dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao todo, a CICI2010 recebeu 105 conferencistas dos cinco continentes, 300 prefeitos e vereadores de 72 cidades de 35 países e promoveu 15 palestras simultâneas por dia. O interesse gerado foi tamanho que seu site recebeu 11.600 acessos diários e seu Twitter ocupou o primeiro lugar no Brasil, durante os quatro dias de duração do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com informações da &lt;a href="http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=71326&amp;amp;edt=1"&gt;Envolverde&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Revista Forum, 18/03/2010.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-4515101592926195056?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/4515101592926195056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/o-desafio-de-gerir-cidades.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4515101592926195056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4515101592926195056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/o-desafio-de-gerir-cidades.html' title='O desafio de gerir cidades'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6JmIjE1TNI/AAAAAAAAAq4/Ai5O74zJRHM/s72-c/worldindanger.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2667060716816773905</id><published>2010-03-18T14:15:00.002-03:00</published><updated>2010-03-18T14:19:00.922-03:00</updated><title type='text'>Internet banda larga pode custar entre R$ 25 e R$ 35 por mês, afirma ministro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6JgV5V2KxI/AAAAAAAAAqw/Al6IBPLhjnA/s1600-h/aacabo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450024428357692178" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6JgV5V2KxI/AAAAAAAAAqw/Al6IBPLhjnA/s200/aacabo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  O governo quer criar um programa que garanta acesso à internet banda larga com preços acessíveis, afirmou hoje (18) o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro. De acordo com ele, estão sendo discutidos preços na faixa de R$ 25 a R$ 35 por mês.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo o ministro, deve ser utilizada a rede de fibra ótica da antiga Eletronet e que agora pertence ao governo. O mecanismo de acesso pode ser feito em parceria com empresas privadas. “[A empresa] terá o acesso à fibra ótica e vai fornecer para o usuário. Vamos condicionar que tenha um preço compatível.” &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para Paulo Bernardo, não poderá haver, nesse caso, venda casada, em que a operadora oferece a internet com o telefone fixo, uma vez que isso ampliaria os custos para o usuário. A ideia é que, depois de lançado, o projeto de uso da fibra ótica se dissemine pelo país em dois anos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;De acordo com ele, o debate sobre o assunto foi interrompido por conta da elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. Segundo o ministro, o assunto deverá voltar à pauta de conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final deste mês ou em abril, após o lançamento do PAC 2. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O ministro também afirmou que a utilização da cabos de eletricidade está sendo testada pelas distribuidoras de energia elétrica e pode ser mais uma opção de acesso à banda larga com preço menor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Paulo Bernardo disse que em alguns locais onde não há cabos de eletricidade ou fibra ótica poderão ser usados sistemas de rádio ou acesso via satélite. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para o ministro, o Plano de Banda Larga, que está sendo elaborado pelo governo, deve ser aprovado pelo Congresso Nacional com rapidez. “Temos observado que há uma demanda muito grande [pela banda larga]. Se a gente fizer uma boa proposta, com certeza o Congresso vai correr para aprovar. Todos sabemos que é muito importante diminuir o custo, facilitar o acesso”, disse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Na entrevista, Paulo Bernardo também afirmou que não há previsão de lançamento de programa de incentivo às exportações brasileiras, que caíram por conta da crise financeira internacional. “É muito difícil antecipar medidas que estão em estudo”.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Agência Brasil&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2667060716816773905?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2667060716816773905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/internet-banda-larga-pode-custar-entre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2667060716816773905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2667060716816773905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/internet-banda-larga-pode-custar-entre.html' title='Internet banda larga pode custar entre R$ 25 e R$ 35 por mês, afirma ministro'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S6JgV5V2KxI/AAAAAAAAAqw/Al6IBPLhjnA/s72-c/aacabo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-5269187755880363789</id><published>2010-03-15T14:34:00.004-03:00</published><updated>2010-03-15T14:50:27.514-03:00</updated><title type='text'>Polícia Federal usa tropa de elite para combater quadrilhas no Nordeste</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55x62T4dhI/AAAAAAAAAqo/1__r92agSk8/s1600-h/Brasil-COT-Logo-Brasao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448917854990136850" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55x62T4dhI/AAAAAAAAAqo/1__r92agSk8/s200/Brasil-COT-Logo-Brasao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  A Polícia Federal decidiu utilizar o que tem de melhor em inteligência, planejamento e ação tática para brecar o avanço dos assaltos a banco no interior do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perfil destas quadrilhas é de ladrões perigosos, envolvidos em homicídios e latrocínios, que migraram do tráfico de drogas para assalto à banco, com armamento pesado. Dirigem suas ações para pequenas cidades, onde não tem batalhões de Polícia Militar, dominam facilmente a delegacia local. Os mais organizados sequestram familiares de funcionários dos bancos, fazem reféns. Em muitos casos, criminosos alterados pelo consumo de crack, deixam um rastro de terror e sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a polícia Federal, com respaldo do governo, está reagindo com rigor para evitar que bandos se transformem em grandes organizações criminosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pequena cidade de Santa Luzia do Paruá, no dia dois de março, no Maranhão, quem assumiu a linha de frente foi o Comando de Operações Táticas (COT), a mais bem treinada tropa de elite do país, que só entra em ação quando a operação envolve alto risco. Era o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cercados em frente à agência, os criminosos responderam à bala o cerco, em vez de se renderem. E perderam. Nos 15 minutos de tiroteio, seis deles foram mortos na hora, um saiu ferido e três, que se renderam, foram presos. Um funcionário do banco, baleado pelos assaltantes, morreu. Foi o maior número de mortos numa ação do COT, cuja sede fica em Brasília, no Setor Policial Sul, a poucos metros da cela onde está preso o governador José Roberto Arruda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias depois, em Alagoa Nova (PB), uma tentativa de assalto à agência do Banco do Brasil terminou com mais seis mortos, quatro na ação e outros dois, no dia seguinte, ao reagirem, num matagal próximo da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram apenas mais dois episódios dentro de um novo fenômeno da criminalidade no Nordeste que a Polícia Federal já chama de “novo cangaço”. As quadrilhas escolhem uma cidade pequena e, em dias de pagamento de benefícios federais, dominam os poucos policiais e tomam a localidade para limpar a única agência bancária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portando armamento pesado, como fuzis e pistolas de grosso calibre, antes e depois do assalto, assustam a população com rajadas ou matando quem oferecer a menor resistência, uma versão moderna do antigo cangaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência empregada pelos grupos e o pânico gerado em comunidades pobres comoveram o governo do presidente Lula. A PF então criou uma divisão de repressão aos crimes contra o patrimônio, sediada em Brasília, que coordena todas as ações. Os passos dos criminosos são mapeados e os telefones grampeados com autorização judicial. Os bandos agem em vários estados, o que caracteriza o crime interestadual, cujo combate é atribuição da PF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não consegue prender os criminosos antes do assalto, os policiais agem no momento em que eles chegam à agência. Com mobilidade para chegar em qualquer lugar do país em três horas e meia, os homens do COT estão sempre à espera da quadrilha e usam o fator surpresa para tentar as prisões. Quando os bandidos reagem ou a vida de reféns está em risco, entram em ação os atiradores de precisão – os chamados snipers, sempre bem posicionados – e os homens de linha de frente, com armas mais potentes que as dos criminosos e protegidos pelos coletes, visor e escudos à prova de bala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Prioridade é prender e evitar o confronto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O emprego do COT para ações de alto risco tem a finalidade de evitar mortes, seja de bandidos ou de inocentes. As de Santa Luzia do Paruá fugiram do padrão, mas são justificadas pela Polícia Federal como o mal necessário quando os criminosos não se rendem e passam a disparar contra reféns. O ideal, segundo a política, é encerrar a operação com todos os criminosos algemados, de preferência antes de o assalto ser deflagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Em pelo menos dez ocasiões o fator surpresa resultou na prisão dos criminosos, sem a necessidade de disparar um tiro. Quando eles resolvem enfrentar, a polícia reage. Nem a sociedade admite que a polícia deixe de agir – diz o superintendente da PF no Maranhão, Fernando Segóvia. Segundo ele, os criminosos tomaram a iniciativa do confronto. Alterados pelo consumo de crack, os criminosos assassinaram um caixa do banco e dispararam contra os policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos 18 meses, especialmente no Nordeste, o COT esteve na linha de frente de praticamente todos os casos e nunca sofreu uma baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Esse trabalho está dando certo e vai continuar ainda mais forte, até a violência recrudescer – avisa Segóvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estatísticas da Federação Nacional dos Bancos (Febraban) apontam que nos últimos dez anos os assaltos em agências bancárias das capitais e cidades de porte médio caíram sensivelmente. Para se ter uma idéia, de 1.903 casos registrados em 2000, as ocorrências caíram para 297 no ano passado, uma redução de 84%. A queda mais vertiginosa se dá justamente quando as quadrilhas, brecadas pelo reforço da parafernália eletrônica e pelo aumento dos aparatos de segurança privada, migraram para as cidades pequenas, mesmo com menos dinheiro no cofre. Boa parte dos assaltos rende de R$ 100 mil a R$ 500 mil. Os bandidos optam por sitiar as cidades porque encontram facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A segurança pública no interior foi abandonada. É frágil e os bandidos se aproveitam disso – observa o delegado Segóvia. Segundo ele, além das ações tipicamente de cangaço, no sertão nordestino, os grupos passam para outros estados e fazem assaltos mais planejados, cuja modalidade a polícia apelidou de “sapatinho”. Os assaltantes chegam em silêncio, se instalam na cidade alguns dias antes, fazem levantamento e, no dia da ação, em vez de uma operação de terror, sequestram o gerente do banco e sua família. A ação é discreta e os reféns só são libertados depois do desfecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado Segóvia diz que a PF decidiu “abraçar” a repressão a esse tipo de crime por causa da deficiência das polícias locais e pelo alto grau de de violência empregado pelos bandos no sertão nordestino. Nas cidades sitiadas, com a polícia subjugada, eles levam o que podem de agências bancárias e lotéricas. E normalmente deixam um rastro de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Prisão pode ajudar polícia a esclarecer assassinato de senador&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os chefões destas quadrilhas são bandidos de alta periculosidade, envolvidos em assassinatos até de policiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles foi preso no ano passado e tem uma ficha que mais parece um roteiro de cinema. João Ferreira Lima, conhecido como João Goiano ou O Homem da .50, aterrorizou as cidades de Varginha e São Gotardo (MG), onde o bando sitiou a cidade, matou um policial e assaltou dois bancos numa só operação. Um levantamento da polícia mineira aponta que, entre roubo a banco e carro-forte, ele está envolvido diretamente em 14 casos. Seu nome está associado também a assaltos no interior do Nordeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O criminoso foi apanhado em Tocantins, a caminho Venezuela para roubar uma carga de ouro avaliada em R$ 50 milhões. Com ele e seus comparsas a polícia encontrou armamento pesado, em cujo arsenal se destacava uma metralhadora Browing .50, com poder de fogo antiaéreo capaz de derrubar qualquer aeronave. Em janeiro deste ano, a PF apreendeu em Goiânia outra .50, igual a que derrubou o helicóptero da polícia no ano passado no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobriu-se depois que na Venezuela João Ferreira de Lima atuaria ao lado de traficantes colombianos. A prisão do “Homem da .50” acabaria revelando um segredo que há 20 anos se transformou num mistério para a polícia e para o Congresso Nacional: a autoria do assassinato do senador Olavo Pires (PTB-RO), fuzilado com uma rajada de metralhadora em outubro de 1990, em frente a uma de suas empresas, em Porto Velho, em meio a campanha para governador de Rondônia, onde o parlamentar era franco favorito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assassinato foi executado por João Ferreira Lima e outros dois matadores de aluguel, Carlos Leonor de Macedo, o Perneta, e Roberval Luiz Magalhães, o Polaco, o homem que acionou o gatilho da metralhadora Uzi que varou o senador com 18 tiros. O Ministério Público já denunciou nove envolvidos: os três executores e outras seis pessoas que deram apoio ou atuaram na contratação dos matadores. Alguns são ligados a políticos e empresários de Rondônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– A prisão dele serviu para reativar o caso. O crime seria prescrito no dia 16 de outubro deste ano – diz o delegado Márcio Mendes de Moraes, de Rondônia, que reabriu o inquérito depois de confirmar que João Goiano esteve no local do crime e, provavelmente, é o autor um dos tiros de pistola que acertou a boca do senador. O assassinato está resolvido pela metade, mas já provocou uma generalizada dor de barriga na classe política de Rondônia em decorrência dos prováveis desdobramentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado Moraes diz que a parte ainda sem solução é a identificação e prisão do mandante do assassinato do senador, cuja motivação pode estar relacionada a um misto de interesses empresariais e políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pelos autos não há como denunciar ninguém. Mas ainda acredito que entre os presos uma das testemunhas aceite a delação premiada e conte quem encomendou o assassinato do senador – diz o delegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Jornal do Brasil, 14/03/2010&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-5269187755880363789?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/5269187755880363789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/policia-federal-usa-tropa-de-elite-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5269187755880363789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5269187755880363789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/policia-federal-usa-tropa-de-elite-para.html' title='Polícia Federal usa tropa de elite para combater quadrilhas no Nordeste'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55x62T4dhI/AAAAAAAAAqo/1__r92agSk8/s72-c/Brasil-COT-Logo-Brasao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-1682467062417935164</id><published>2010-03-15T14:15:00.003-03:00</published><updated>2010-03-15T14:26:58.906-03:00</updated><title type='text'>Vista a camiseta, meu bem!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55twrqQ2XI/AAAAAAAAAqY/-cPPZ8Gq6Y4/s1600-h/332-exemplos-de-estampas-para-camisetas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448913282286016882" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 147px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55twrqQ2XI/AAAAAAAAAqY/-cPPZ8Gq6Y4/s200/332-exemplos-de-estampas-para-camisetas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;em&gt;De complemento do "look" a "prato principal"do vestuário, a peça ganhou o seu lugar ao sol ao traduzir gerações com suas estampas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Por &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Liv Brandão&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Reles coadjuvante do uniforme militar americano na Segunda Guerra Mundial, a camiseta conquistou o papel de protagonista nas mais diversas produções de moda através das décadas e hoje ganhou o propósito de mostrar a personalidade de quem a veste. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A popularização das t-shirts começou na época de ouro do cinema com dois manequins de respeito: Marlon Brando, em Um bonde chamado desejo (esgotado), de 1951, e James Dean, em &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/videos/resenha/resenha.asp?nitem=5039730" target="_blank"&gt;Juventude transviada&lt;/a&gt;, de 1955. Os galãs incorporaram a peça – ainda lisa – aos seus figurinos e fizeram do pedaço de algodão em formato de “T” o must have da época. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se antes o cinema e a música eram o maior meio de influência no vestuário dos antenados, a internet assumiu o posto e a responsabilidade. Tem para todos os gostos: desde a badalada Camiseteria à recém-nascida Ilustrês, passando pela veterana Reverbcity e pela provocadora LI.TER.ATO. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com apenas um ano de vida, a Ilustrês surgiu da união do baiano Tiago Mascarenhas com a paulistana Beth Viveiros. Mirando no estilo nerdcool, a dupla encontra inspiração nos assuntos mais falados na internet para criar as estampas. “Tudo vem do mundo pop, uma ideia pode surgir de um trending topic no Twitter”, explica Tiago. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Das mais badaladas da rede, a Camiseteria se baseia na filosofia punk do “faça você mesmo” para mobilizar uma legião de clientes, que criam estampas e as submetem à votação na comunidade. As mais bem cotadas são produzidas e vendidas e o designer, claro, ganha um cachê e créditos para gastar no site. Desde 2005 (e até o fechamento desta edição), 337 estampas diferentes ganharam corpo e desfilam em corpos Brasil afora. “A identidade da Camiseteria é reflexo do que o povo gosta”, explica Fábio Seixas, sócio-fundador da marca ao lado de Rodrigo David. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se na Camiseteria os clientes ditam as regras, quem compra na Reverbcity sabe o vai que encontrar: música. Comandada por Tony Strauss e Gabriela Pegurier, a marca veste fãs de rock e música pop desde 2004 graças aos anos em que Tony passou no Japão, frequentando shows de suas bandas preferidas. Para as apresentações se transformarem em camisetas foi natural, segundo Tony, que coordenou a coleção de t-shirts com buttons, casacos, canecas, almofadas... até o jeans para fazer a dobradinha perfeita entrou no catálogo da marca. “Tudo compõe o estilo de vida rock and roll dos nossos clientes”, explica Tony. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já do Recife para o Brasil, a LI.TER.ATO aposta desde 2007 na literatura para suas estampas. “Nosso foco é transformar objetos do cotidiano em reflexão. É chamar para perto, é usar coisas simples para levar a pessoa a parar e pensar. E causar um bem-estar até quando contesta”, explica Izabella Lucena, mãe da ideia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Da música ao meme de internet, passando pela liberdade de criação e escolha de cada um, a camiseta vai mudando, permitindo combinações sem fim e demonstrando seu poder de comunicação. Vista a sua. Ou melhor, as suas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Revista da cultura. Ed. 32 - março de 2010 &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-1682467062417935164?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/1682467062417935164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/vista-camiseta-meu-bem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/1682467062417935164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/1682467062417935164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/vista-camiseta-meu-bem.html' title='Vista a camiseta, meu bem!'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55twrqQ2XI/AAAAAAAAAqY/-cPPZ8Gq6Y4/s72-c/332-exemplos-de-estampas-para-camisetas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-7863964812019685162</id><published>2010-03-15T14:04:00.004-03:00</published><updated>2010-03-15T14:15:08.463-03:00</updated><title type='text'>O homem e sua máquina</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55p28YP0lI/AAAAAAAAAqI/TrHMfXfDfOA/s1600-h/foto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448908991806558802" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 94px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55p28YP0lI/AAAAAAAAAqI/TrHMfXfDfOA/s320/foto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;A interação entre você e o seu celular está pretes a ir além da comunicação para se tornar uma extensão do seu cérebro&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Por Sandra Silva, de Barcelona&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Participar do Congresso Mundial de Mobile, que acontece anualmente na cidade de Barcelona (Espanha), é como dar uma voltinha no shopping mais moderno do mundo. Lá estão os últimos modelos de smartphones, celulares e produtos mais exóticos, como o celular de uma operadora japonesa, fabricado em formato de barra de chocolate, nas cores marrom ou rosa (imitando sabor morango). &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encarar a maratona de seminários e palestras é também oportunidade para refletir sobre o que nos reserva o futuro da telefonia móvel. Companhias de celular sinalizam com aplicativos simples, mas capazes de facilitar bastante a vida nas grandes metrópoles. “Em 2020, o processo de urbanização continuará e mais de 60% das pessoas viverão em grandes metrópoles. E nosso feeling é o de simplificar a vida dessas pessoas em experiências cada vez mais individualizadas e rápidas no celular. O telefone móvel é um dos objetos mais pessoais, tanto quanto uma escova de dentes”, afirmou a representante do laboratório de consumidores da Ericsson, Cecília Atterwall, em um dos seminários. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em alguns anos, será possível esquecer as grandes filas em colégios eleitorais e votar pelo celular. E fazer consultas médicas, com o acompanhamento diário dos exames e do estado do paciente, em casa mesmo. Ou, ainda, fazer check in de um voo na reunião de trabalho, utilizando apenas o telefone móvel, enquanto acerta os últimos detalhes da viagem com o colega mais próximo. No Japão, já é possível controlar o volume do fone de ouvido do celular apenas com o movimento dos olhos, com o uso de aplicativo desenvolvido por uma operadora de telefonia local. Em Bangladesh, há a opção de aprender inglês ouvindo lições no celular, por uma pequena quantia paga no download de cada aula. Na Europa, há projeto piloto para carros. Em breve, será comum encontrar no painel digital do veículo as mesmas funções de entretenimento e comunicação oferecidas pela telefonia móvel, além da navegação, deixando para trás aquela ruidosa voz mecânica do tradicional GPS. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;INTERAÇÃO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estar conectado ao celular já significa a obtenção de informação instantânea. Ao fotografar um edifício ou monumento famoso em uma cidade turística, como a Igreja da Sagrada Família, de Barcelona, o usuário tem acesso a todas as informações disponíveis sobre o ponto turístico. Também é possível fazer buscas com reconhecimento de voz no celular. Nesse caso, basta dizer alguma frase do tipo “restaurante catalão Barcelona” para ter acesso às alternativas gastronômicas da cidade no aparelho. O novo aplicativo possibilita ainda que palavras fotografadas no celular, no idioma local, sejam traduzidas online. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pensar num futuro bastante próximo é poder verificar, no final do dia, sem nenhuma preocupação, que todas as despesas diárias foram pagas em transações financeiras realizadas pelo celular. Essa é, aliás, uma das metas de uma das maiores operadoras internacionais de telefonia na América Latina para os próximos anos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O futuro deve nos reservar experiências em hiper-realidade (o filósofo Jean Baudrillard fala da hiper-realidade ao referir-se à dissolução dos conceitos de memória e realidade na sociedade pós-moderna na criação de uma “Matrix”, como na trilogia de filmes do cinema), tudo muito além dos jogos de computador e celular e bem mais próximo das tarefas rotineiras, como cozinhar ou fazer o café da manhã. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para os próximos anos, está prevista a chegada ao mercado de uma geração de celulares “verdes”, com menor dispêndio de energia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar de todas essas experiências cotidianas com o celular significarem aumento da liberdade e tempo livre, o uso exagerado do celular pode trazer também uma das sensações mais comuns da sociedade pós-moderna: a servidão voluntária ao mundo virtual ou puramente tecnológico. Parece exagero? O executivo da empresa sueca de tecnologia TAT e designer de softwares Hampus Jakobsson crê numa mudança de paradigma na relação do usuário com a tecnologia. “Antes, nós falávamos com pessoas. Então, começamos a falar com máquinas. As máquinas deveriam ser invisíveis, mas hoje não são. Acredito que em 10 anos as máquinas serão finalmente invisíveis”, afirmou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Revista da cultura - Ed. 32, março 2010.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-7863964812019685162?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/7863964812019685162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/o-homem-e-sua-maquina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7863964812019685162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7863964812019685162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/o-homem-e-sua-maquina.html' title='O homem e sua máquina'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55p28YP0lI/AAAAAAAAAqI/TrHMfXfDfOA/s72-c/foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-1997655182701246073</id><published>2010-03-15T12:48:00.002-03:00</published><updated>2010-03-15T12:54:12.292-03:00</updated><title type='text'>Segunda puberdade</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55XgYl0qPI/AAAAAAAAAqA/uIxqT0GkwNk/s1600-h/129_631-verissimo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448888813033400562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 133px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55XgYl0qPI/AAAAAAAAAqA/uIxqT0GkwNk/s200/129_631-verissimo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Lá se foi outro romance", dizia o Woody Allen depois de fazer sexo. É antiga a crença de que a energia gasta numa relação sexual diminui a energia criativa do homem — e que portanto impulso sexual represado aumenta a criatividade. Ou seja: abstinência dá boa literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra crença é que o tesão estimula a mente e a criatividade, é um subproduto da libido, e bom sexo também dá bons livros. De qualquer jeito, a ligação entre hormônios e arte seria indiscutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo um livro do conhecido biógrafo Richard Ellmann sobre o poeta William Butler Yeats, entre outros irlandeses, descobri que Yeats, preocupado com a diminuição do seu vigor sexual, procurou um médico chamado Norman Haire, que fazia uma cirurgia de rejuvenescimento de acordo com as teorias do austríaco Eugen Steinach, cujos pacientes em Viena incluíam o dr. Freud (mas não por problemas sexuais, se apressa a dizer Ellmann).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cirurgia revolucionária era o que hoje se chama vasectomia, mas a teoria de Steinach era que ela aumentava a produção de hormônios e revitalizava o organismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yeats fez a operação, que teve pouco efeito no seu desempenho sexual, segundo Ellmann, apesar de ele dizer que passara a viver a"segunda puberdade", mas muito efeito na sua poesia, que entrou na sua melhor fase. Devido a — nas suas palavras — "um fermento que se apossou da minha imaginação". O que fermentava eram os hormônios do dr. Steinach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro efeito colateral da cirurgia em Yeats foi que ele deixou para trás suas simpatias pelo fascismo e se transformou num cético contra toda arregimentação política e todos os dogmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: pelo menos teoricamente, sempre há a perspectiva de uma segunda puberdade para salvar poetas do mau caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tempo integral&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li que os terremotos do Chile causaram um deslocamento do eixo terrestre que atrasou — ou acelerou? — a rotação do planeta em alguns milésimos de segundo.&lt;br /&gt;O que pode não ser muito para você mas é importantíssimo para quem não pode desperdiçar um milésimo sequer de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São as mesmas pessoas que espremem o gargalo até a última gota, passam o pão no prato até não sobrar rastro do molho, pensam em cada batida do seu coração como um bônus e aceitam tudo que lhes dão na rua, até volante de quiromante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que não podem perder nada, ainda mais fração de segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos nosso tempo integral na Terra, e nem um milésimo a menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lembre-te&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;César tinha aquele cara que, volta e meia, dizia no seu ouvido: "Lembra-te que és mortal." O Lula poderia ter um cara que, sempre que ele fosse dizer o que não devia, puxasse a sua manga. Mas como prever o que o Lula vai dizer? A solução seria não parar de puxar a manga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Blog do noblat&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-1997655182701246073?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/1997655182701246073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/segunda-puberdade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/1997655182701246073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/1997655182701246073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/segunda-puberdade.html' title='Segunda puberdade'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55XgYl0qPI/AAAAAAAAAqA/uIxqT0GkwNk/s72-c/129_631-verissimo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2285209825603678610</id><published>2010-03-15T12:41:00.003-03:00</published><updated>2010-03-15T12:48:01.173-03:00</updated><title type='text'>Voltei!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55Wp6vfdLI/AAAAAAAAAp4/KFrbGRJ0wdQ/s1600-h/foto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448887877307954354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 94px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55Wp6vfdLI/AAAAAAAAAp4/KFrbGRJ0wdQ/s320/foto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Estamos de volta!!! Em 2010 você vai encontrar aqui os melhores textos sobre os mais diferentes assuntos. Fique com a gente!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2285209825603678610?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2285209825603678610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/voltei.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2285209825603678610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2285209825603678610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2010/03/voltei.html' title='Voltei!!!'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/S55Wp6vfdLI/AAAAAAAAAp4/KFrbGRJ0wdQ/s72-c/foto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-7180025423839962043</id><published>2009-11-16T17:15:00.003-03:00</published><updated>2009-11-16T17:21:55.052-03:00</updated><title type='text'>Lula manda liberar R$ 1 bi para banda larga</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SwG0S2F72TI/AAAAAAAAApc/w3zoNKJ8IL4/s1600/internet_5g.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404799263672359218" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SwG0S2F72TI/AAAAAAAAApc/w3zoNKJ8IL4/s200/internet_5g.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  O coordenador dos programas de inclusão digital do governo federal, Cezar Alvarez, confirmou nesta segunda-feira, 16, a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já determinou a liberação de recursos do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) para serem usados na expansão da banda larga no Brasil. Na semana passada, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, já havia dito que Lula concordava com a utilização dos recursos no projeto. Segundo Alvarez, a liberação será do fluxo anual dos recursos recolhidos ao Fust, que somam em torno de R$ 1 bilhão.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;O Fundo é formado pela contribuição de 1% da receita operacional bruta das empresas de telecomunicações. Desde 2001, o Fust já recolheu R$ 8 bilhões, mas os recursos não foram aplicados em nenhum projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvarez disse que o governo também está aberto a discutir a desoneração da carga tributária - outra reivindicação das empresas. Mas lembrou que essa discussão depende em grande parte dos governos estaduais, responsáveis pela arrecadação de dois terços do ICMS que incide sobre os serviços. "Não nos furtamos a discutir, em qualquer dimensão, políticas tributárias", disse o coordenador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvarez relatou que o presidente Lula foi incisivo em conversas com líderes dos partidos aliados na Câmara para que deem prioridade ao projeto de lei que libera o uso do Fust por todas as empresas do setor de telefonia e não só pelas operadoras de telefonia fixa, como prevê a legislação. "É uma decisão já tomada pelo presidente e já acertada com o ministro Paulo Bernardo (Planejamento)", afirmou o coordenador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A utilização do Fust é uma das reivindicações das empresas de telefonia para participar do projeto de expansão da banda larga. Elas reivindicam também o uso de recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel). Uma eventual redução da cobrança do Fistel, segundo Alvarez, tem que ser revertida para baixar preço, aumentar a qualidade e ampliar a cobertura dos serviços. "Nesse sentido, sempre estaremos dispostos a discutir. Não pode é haver desoneração pura e simples", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvarez disse que o grupo técnico do governo não definiu qual seria um preço justo para a banda larga, dizendo que essa definição depende da capacidade de conexão e da qualidade. "Hoje, uma banda de 256 kbps por R$ 50 está muito cara", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele defendeu a volta do subsídio cruzado nos os preços de banda larga para financiar os serviços destinados às camadas de baixa renda. "Por que, em um serviço como esse, de interesse público, todos têm que pagar a mesma coisa? Se, na água e na luz, pode ter tarifa diferenciada, por que não nas telecomunicações?", questionou Alvarez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fonte: Agência Estado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-7180025423839962043?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/7180025423839962043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/11/lula-manda-liberar-r-1-bi-para-banda.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7180025423839962043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7180025423839962043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/11/lula-manda-liberar-r-1-bi-para-banda.html' title='Lula manda liberar R$ 1 bi para banda larga'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SwG0S2F72TI/AAAAAAAAApc/w3zoNKJ8IL4/s72-c/internet_5g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-6485182943537922856</id><published>2009-10-07T19:26:00.002-03:00</published><updated>2009-10-07T19:32:21.209-03:00</updated><title type='text'>A EaD no ensino superior público e privado: experiências e contradições</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0WvSOVwLI/AAAAAAAAAoA/yT-gxMwGPfU/s1600-h/ead-senac.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389989330633998514" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 179px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0WvSOVwLI/AAAAAAAAAoA/yT-gxMwGPfU/s200/ead-senac.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt; por&lt;/span&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Joanna Paroli&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;*&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dados do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância apontam que um em cada 73 brasileiros estuda a distância, em diversos níveis de graduação. Esse número demonstra o quanto, ao longo dos anos, a EaD tornou-se presente no cotidiano da educação, em nosso país. Ela é caracterizada, de acordo com o Decreto 5.622/2005, como uma “modalidade educacional na qual a mediação didática-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um exemplo interessante sobre educação a distância é o convênio entre o MEC e as Secretarias de Políticas para as Mulheres e de Promoção da Igualdade Racial, que resultou no Programa “Gênero e Diversidade na Escola”. Através dele, 14 mil professores/as, de 5ª à 8ª série do fundamental, já passaram por especialização com o objetivo de estabelecer novos olhares na abordagem em sala de aula. Mais de 15 universidades federais têm oferecido o curso, instrumentalizando profissionais da rede pública de ensino para o seu protagonismo na construção de uma educação não sexista, não racista e não homofóbica. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 2005, o governo federal lançou o Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), na perspectiva de “ampliar e interiorizar o ensino superior gratuito de qualidade”, bem como oferecer qualificação aos professores da rede básica de ensino. De lá para cá, houve um crescimento estrondoso da EaD, com adesão de diversas IES do país e, em paralelo, muitos problemas em sua concepção. Esse fenômeno foi possível a partir do Decreto do MEC, que permitiu a proliferação de faculdades nessa modalidade com pouco ou nenhum acúmulo sobre a sua função social ou aspectos legais. Hoje, temos mais de 900 mil matrículas na graduação em modalidade EaD e mais algumas milhares de vagas a serem abertas, anualmente. Na capital da Bahia, já são mais de 14 instituições que ofertam graduação nessa modalidade e muitas delas não tem sede no estado, como é o caso da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que, em parceria com o Ministério da Educação, mantêm pólos para licenciatura em Pedagogia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ainda assim, a utilização da EaD pode ser um importante mecanismo na expansão do ensino superior público, se combinado com a construção de mais universidades públicas. Assim como o REUNI e o PROUNI, a experiência da UAB é medida importante por incluir aqueles e aquelas que se mantiveram historicamente renegados a uma ignorância que não acomete as elites. A elas, são resguardados os espaços sociais mais valorizados, como a academia, “guardiã” irretocável dos saberes. A universidade, antes destino dos mais abastados, tem se tornado cada vez mais popular e não se pode diminuir o papel dos movimentos sociais e da UNE em face dessas conquistas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O setor privado também se apropria da EaD para continuar seu processo de expansão. Isso tem gerado distorções no entendimento sobre EaD e sua importância para o ensino brasileiro. Algumas IES privadas tem visto a modalidade como um mecanismo para diminuir custos e demitir trabalhadores. Mesmo que não o ofereça em sua totalidade, muitas tem introduzido a EaD nas grades curriculares dos seus cursos presenciais. A Portaria do MEC 4.059/2004 respalda essa movimentação, quando autoriza a oferta de até 20% de disciplinas em EaD, na carga horária total do curso. Não aceitaremos essa política! No 12º Conselho Nacional de Entidades de Base da UNE, em janeiro de 2009, foi aprovada resolução sobre EaD que, dentre outras coisas, denuncia a inserção da modalidade EaD em cursos de graduação de forma descontrolada e pede o estabelecimento de um sistema de avaliação para controle da qualidade e da oferta de vagas na educação à distância.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A permissão de convênios e parcerias para o estabelecimento de EaD nas IES privadas é mais um ponto preocupante. No Decreto que regulamento o setor, o 5.622/2005, o art. 26 dispõe que as instituições credenciadas para oferta de cursos a distância podem formar parcerias e abranger bases territoriais diversas. Há brecha na legislação para que as mantenedoras, muitas delas transnacionais, façam a gestão financeira das instituições de ensino com as quais se associe. É preciso intervir contra a injeção de capital estrangeiro e a desnacionalização da educação. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Desafios para um novo marco regulatório&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A EaD é realidade em nosso país. Lutar contra ela não ajuda no processo que construímos cotidianamente pela democratização do ensino superior brasileiro. Hoje, o que está colocado é uma legislação insuficiente no que tange a EaD e uma necessidade vital de sua disputa. O movimento educacional deve lutar por um novo marco regulatório do setor, que impeça o credenciamento descontrolado de instituições, sem quaisquer exigências que garantam a qualidade de ensino.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há dificuldades concretas de estrutura nas IES que ofertam somente EaD, já que, mesmo tendo que oferecê-la, essa não é uma prática constante nos pólos. Faltam condições básicas, como: bibliotecas com acervo mínimo, laboratórios de informática, funcionários e salas de estudo. Lutamos para que no mínimo 30% dos currículos sejam na modalidade semi-presencial, com avaliações presenciais, infra-estrutura para ensino, pesquisa e extensão e supervisão de docentes da área de graduação. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dos pilares que sustenta a EaD é justamente a idéia de ser uma política continuada de ensino. Por isso, defendemos que ela seja autorizada prioritariamente para cursos de pós-graduação e profissionalizantes, utilizando critérios que garantam sempre a qualidade da educação ofertada. Para cursos de graduação, entendemos sua justificativa de abertura apenas para regiões afastadas dos grandes centros urbanos. É descabido o número excessivo de faculdades particulares credenciadas para graduação em EaD nas grandes capitais, onde já pesa o fato de existirem outras tantas em modalidade presencial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É óbvio que a EaD não é a modalidade que resolve nosso problema final, mas é tático utilizá-la de forma emergencial, no setor público, construindo um conjunto de mudanças que possam garantir sua qualidade. Ela tem falhas que podem ser corrigidas, sem que seja necessária a sua desativação. É importante o papel que ela cumpre ao levar o ensino superior a regiões de difícil acesso e garantir a continuidade dos estudos para além da juventude. Através dela, muitos profissionais tem se especializado, ampliando sua mobilidade no mundo do trabalho, ainda tão injusto. Nossa tarefa é organizar a luta pela desmercantilização do ensino. Hoje, apenas 5% dos/as jovens têm acesso à universidade pública. A UAB é mais um passo para tornar público o ensino superior, mas é necessário avançar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Conferência Nacional de Educação pode ser um importante espaço de debate e disputa pela regulamentação da EaD. É imprescindível que os setores que compõem o movimento educacional unifiquem uma agenda pela democratização do ensino superior público, que passa também por avaliarmos as contribuições dessa modalidade para a educação brasileira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Todo direito estudantil deve ser assegurado!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O estudante de graduação em EaD também é universitário. A ele, devem ser garantidas as mesmas políticas e direitos acessíveis aos demais estudantes de cursos presenciais, seja de universidades públicas ou privadas, como: assistência estudantil, meia entrada e o meio passe no sistema de transporte público. Estes foram benefícios conquistados com muita luta e também surgiram de uma preocupação em garantir uma formação continuada e sistêmica, com acesso amplo ao lazer e aos bens culturais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Casos de discriminação aos estudantes da rede EaD são constantes e não podem ser tolerados. Um episódio, em especial, tornou-se emblemático. No mês de setembro de 2009, estudantes de EaD, em Salvador, protestam contra a discriminação sofrida ao utilizar o cartão de meia passagem do SalvadorCard, sistema de bilhetagem eletrônica do serviço de transporte municipal. Sem qualquer aviso prévio, o SETPS resolve fazer valer a Lei Municipal 6.324/2003, que admite a meia passagem apenas para alunos com freqüência diária, em cursos presenciais. De maneira repentina, milhares de estudantes soteropolitanos perderam um direito que, se não estava garantido em Lei, já o era por senso comum, e muitos deles abandonaram seus cursos, sem perspectiva de retorno. Nesse caso, a extensão da meia passagem é urgente, mas como assegurar que os estudantes de EaD não terão seus direitos arrancados, ou mesmo, como garantir igualdade de condições destes em comparação aos que cursam a modalidade presencial?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A confusão é nítida. Como não há muito debate sobre EaD nas entidades estudantis e uma dificuldade latente em organizar o movimento nessas IES, os alunos da modalidade estão à mercê dos empresários, lobistas e conservadores. É tempo da UNE e das UEE’s serem vanguarda na formulação política desse setor, disputando seus marcos regulatórios, fortalecendo nossa agenda pela desmercantilização do ensino e tornando-se referência para esses estudantes, também.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não interessa o que dizem as elites econômicas do país. Nós temos posição. Estamos ao lado dos estudantes, inclusive dos que aderem à EaD, trabalhadores e trabalhadoras de um país ainda desigual.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*&lt;strong&gt;Joanna Paroli&lt;/strong&gt; é diretora de Universidade Privadas da UNE e militante da Marcha Mundial das Mulheres&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-6485182943537922856?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/6485182943537922856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/ead-no-ensino-superior-publico-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/6485182943537922856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/6485182943537922856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/ead-no-ensino-superior-publico-e.html' title='A EaD no ensino superior público e privado: experiências e contradições'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0WvSOVwLI/AAAAAAAAAoA/yT-gxMwGPfU/s72-c/ead-senac.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-4594381719812731156</id><published>2009-10-07T19:11:00.003-03:00</published><updated>2009-10-07T19:21:06.757-03:00</updated><title type='text'>Entrevista - Saturnino Braga: Um pensador político</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0Tu932LCI/AAAAAAAAAn4/LG1V5gPLrtg/s1600-h/554073038_c1e28337a7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389986026636061730" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0Tu932LCI/AAAAAAAAAn4/LG1V5gPLrtg/s200/554073038_c1e28337a7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Carioca nascido na Glória, Roberto Saturnino Braga é um homem público com muitas histórias para contar sobre política brasileira. Foi deputado federal eleito em 1962 pelo PSB e teve sua reeleição cassada em 1966, durante a ditadura militar. Na oposição, elegeu-se senador, em 1974, pelo MDB, no que ele considera a única eleição majoritária do período de exceção. Em 1982, no PDT, reelegeu-se senador na chapa que tinha Brizola governador e Darcy Ribeiro vice. Foi, em 1985, eleito prefeito do Rio de Janeiro na primeira eleição da história da capital fluminense e, nos anos 1990, conquista mais uma vez uma cadeira no senado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Socialista convicto e com vários livros publicados entre contos e romances que retratam a vida cotidiana carioca, Saturnino Braga escreveu o livro O curso das ideias – história do pensamento político no mundo e no Brasil. Baseado num roteiro feito para um curso de formação política voltados para vereadores e jovens militantes organizado pela Fundação João Mangabeira do PSB no final dos anos 1990, o livro expõe as ideias dos mais importantes pensadores e políticos que influenciaram a vida política na humanidade e no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A atual crise atingiu fortemente a ideia de que o neoliberalismo é a saída para o desenvolvimento do mundo. Acabou o pensamento único?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A crise foi verdadeiramente um torpedo que pôs a pique a ideia central do neoliberalismo e do pensamento único do último quarto de século: a de que o Estado deve se ausentar completamente da economia, onde só atrapalha, e deixar o campo inteiramente livre ao mercado, que racionaliza automaticamente as decisões. Este centro do pensamento único realmente extinguiu-se; o Estado voltou a intervir, como necessário à fiscalização do sistema financeiro, à alavancagem das economias em recessão e à redistribuição da renda e da riqueza que o mercado, preocupado com o lucro e o estabelecimento de preços, só faz concentrar. Não é o mercado que equilibra as forças econômicas. Tem que haver a intervenção do Estado. Para isso ele tem que ser profundamente democrático. Então agora estamos numa retomada da pluralidade, da democracia das ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em vários outros períodos da História houve pensamento único no nosso mundo ocidental, com características muito mais abrangentes, como o pensamento religioso na Idade Média, que desvalorizava a vida terrena e durou séculos, e o absolutismo monárquico após o Renascimento, regendo a política, a economia e tudo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a diferença das bandeiras socialistas do século passado e a prática desses governos atuais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vejo uma diferença essencial na questão democrática. O socialismo que se implantou na União Soviética, na China e em Cuba conquistou o poder pela luta armada e apelou para a Ditadura de um Partido de vanguarda para se consolidar; e não conseguiu sair da ditadura. Na história, as esquerdas sempre foram muito influenciadas por esse estilo do Partido Comunista que tinha uma mão que não era democrática. Então a esquerda começou a se converter na democracia. As formas de socialismo que estão sendo buscadas na América do Sul, por exemplo, não estão pretendendo abolir a democracia mas realizar as transformações de maneira gradual, sem a força das armas e com amplo apoio popular através do voto. A rejeição à ideia de qualquer ditadura cresceu maciçamente e se tornou um sentimento dominante no fim do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual motivo o levou a escrever O curso das ideias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre me interessei pelo debate das ideias, da filosofia política, da democracia. Sempre achei imprescindível o conhecimento da evolução dessas idéias ao longo da História. E como político por tantos anos, mais de trinta anos de vida pública, três mandatos apenas no senado, tive certa base de conhecimento. Mas busquei ler os grandes autores, conhecer as principais formulações e fui ouvinte de várias matérias de filosofia na UFRJ. Então no final dos anos 1990, entre 1997 e 1998, quando fui presidente da Fundação João Mangabeira, do PSB, organizei cursos de formação de militantes nos quais eu mesmo dava aulas sobre a evolução das ideias políticas afastado das lides e da rotina pesada da política, resolvi retomar aquele roteiro que utilizava nas minhas aulas e desenvolvê-lo num livro de apresentação, para o público leigo, para o cidadão comum, que deve se interessar pela política, daquele grande curso de formação e evolução das ideias políticas ao longo da História da Humanidade Ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em relação ao livro, é possível dizer que há uma evolução do pensamento e da prática política da humanidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A ideia-força que preside a descrição apresentada no livro é precisamente a da existência de um processo evolutivo de aperfeiçoamento ético e político da Humanidade, ao longo dos séculos e milênios, que vai eliminando as diversas formas de despotismo, escravização, opressão, absolutismo, ditadura, em favor de modelos de governo fundados no consentimento e na participação do povo, e no respeito aos direitos essenciais do ser humano. Essa evolução, na minha opinião, passa pela consolidação da democracia e de um pensamento socialista, que possibilite a igualdade de oportunidades que o capitalismo não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais pensadores ou governantes mais influenciaram a história política? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E quais são os pensadores atuais que apontam novo caminho na construção de ideias inovadoras?Os que eu, pessoalmente, considero principais estão mencionados no livro, juntamente com a essência das suas formulações. Mas é claro que os primeiros formuladores, Platão e Aristóteles, sempre terão um lugar de primazia nessa lista. Os antigos gregos foram os que começaram tudo. Ali, pela primeira vez, o interesse da polis era discutido na praça. Era uma democracia restrita aos cidadãos, homens gregos. Não eram todos, excluíam-se escravos, estrangeiros e mulheres. Mas ali, podia-se defender suas ideias, suas argumentações, arrazoados em assembléias de mais de 10 mil pessoas. Portanto eles deram o início de tudo. Já os romanos não contribuíram com a questão filosófica mas desenvolveram o Direito e a organização do Estado. Depois veio o período religioso que não acrescentou nada. Só depois, com Maquiavel, que retomou as ideias dos gregos. Mas os nobre e reis tinham o poder incontestável e a questão da cidadania e participação popular nas decisões aparece pela primeira vez. Isso por conta das cidades. A cidade torna-se o grande ponto de encontro do cidadão. Começou-se a questionar, discutir os problemas comuns e a burguesia dá o tom para o princípio do liberalismo, organizado com os ingleses, com Locke. Depois, na França a revolução teve o poder da irradiação a ponto dos Estado Unidos cria a primeira república democrática. Mas essa grande esperança da igualdade acabou não se concretizando e surgiu a reclamação socialista, com a força da ideia de Marx que mexeu com o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, eu cito os dois pensadores políticos que acho mais importantes nos tempos atuais, que são o americano John Rawls, falecido no final do século passado, e o alemão Jürgen Habermas, ainda atuante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais desses pensadores mais influenciou a realidade política brasileira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O pensamento político brasileiro foi sempre fortemente influenciado pelas ideias que chegavam dos grandes centros culturais do Ocidente. Teve, entretanto, algumas particularidades dignas de registro especial, como a presença fulgurante do brasileiro José Bonifácio nos primórdios da formação nacional, a influência única no mundo do positivismo de Augusto Comte na formação da nossa República, e o trabalho consistente e específico do desenvolvimentismo brasileiro, feito pelos pensadores do ISEB e do grupo BNDE-CEPAL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com que linha de pensamento político se identifica o governo Lula? &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Apesar de ter uma orientação socialista suas ações na área econômica não são de certa forma a continuidade do governo FHC?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O governo Lula se caracterizou como uma rejeição ao neoliberalismo hegemônico em todo o mundo, que retirava o Estado da vida econômica para dar um lugar de absoluta primazia ao Mercado, e por um compromisso de chamar a classe trabalhadora ao palco das decisões nacionais e de efetivar, junto com ela, políticas sócias de redistribuição de renda. Negociou com o Capital e manteve políticas fiscais e monetárias conservadoras, para evitar a repetição das derrocadas de João Goulart e Salvador Allende, e tratou de cumprir seus compromissos, estancando o processo de privatizações, recolocando o Estado na missão de planejar e executar políticas, revitalizando as empresas estatais, e avançando substancialmente nos programas sociais. Não se pode classificá-lo de socialista ou bolivariano mas de um governo desenvolvimentista e social, diferente do desenvolvimentismo anterior, que era nacionalista mas concentrador de renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor teve uma vida política bastante atuante. Inclusive um mandato cassado no período da ditadura.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não tive meu mandato cassado. Comecei em 1963 pelo PSB. Em 1964 veio o golpe, era líder do meu partido na Câmara e permaneci. Mas em 1966 o SNI vetou minha candidatura para a reeleição. Não foi cassação. Depois, em 1968, isso aconteceu com o AI-5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1964 os militares contavam com o apoio da classe média, que sustentava o golpe. Foi isso que segurou os militares. Mas a sociedade começou a entender a necessidade de voltar a democracia. Foi quando pude sair candidato novamente em 1974, na eleição para o senado pelo MDB. Foi uma eleição feita naquele regime de abertura gradual e teve até televisão pela primeira vez. Eu entrei nessa e a gente ganhou contra todos os prognósticos. A eleição de senador era a única eleição majoritária. Dos 22 estados, na época, o MDB ganhou em 16. Uma grande bancada. Foi uma manifestação grande da população e pudemos fazer oposição naquela legislatura. Foi um momento rico. O senado era uma caixa de ressonância da opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Depois o senhor foi prefeito do Rio.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Primeiro me reelegi senador em 1982. Era uma chapa com Brizola governador, Darcy Ribeiro vice e eu no senado. Em 1985, na retomada das eleições nas capitais brasileiras, eu fui candidato a prefeitura. Era a primeira vez que o Rio de Janeiro, que antes era capital federal, pôde eleger um prefeito. Foi um momento muito especial. A primeira experiência de uma gestão participativa, onde os representantes das associações de moradores, os representantes da comunidade puderam dialogar com o executivo. Mas no final vivemos uma crise financeira forte. Criada pela concentração de verbas no governo federal. Depois a Constituição de 1988 mudou isso, pois os municípios ficavam engessados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como o senhor vê a atual crise vivida pelo Senado? Ele cumpre o papel de uma Casa onde se faz os grandes debates nacionais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É triste; é profundamente deprimente, mas eu creio que servirá para elevar o nível ético e cultural do Senado, e do Congresso como um todo, nos tempos futuros. Essas coisas vergonhosas sempre aconteceram, com maior ou menor gravidade, e eram ignoradas pelo povo. Nossa República está passando por uma fase de aumento das exigências de transparência, o que é muito importante. As novas funções do Ministério Público, dos Tribunais de Contas, e o desenvolvimento da imprensa investigativa, que caracterizam esta fase, romperam muitos véus que encobriam fatos que deviam ser públicos, e o Senado, e o Congresso em geral, foram os mais atingidos. Acho, no fundo, deprimente mas necessário e positivo, e espero que esse mesmo processo abranja outros poderes menos transparentes, como o Judiciário e, quem sabe, a própria mídia, que é o único poder que não sofre nenhuma fiscalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum Ed. 78.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-4594381719812731156?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/4594381719812731156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/entrevista-saturnino-braga-um-pensador.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4594381719812731156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4594381719812731156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/entrevista-saturnino-braga-um-pensador.html' title='Entrevista - Saturnino Braga: Um pensador político'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0Tu932LCI/AAAAAAAAAn4/LG1V5gPLrtg/s72-c/554073038_c1e28337a7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-4486721977098800856</id><published>2009-10-07T19:01:00.002-03:00</published><updated>2009-10-07T19:07:08.336-03:00</updated><title type='text'>A imprensa diária está morrendo?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0Q3I4ABsI/AAAAAAAAAnw/NSmcPGu-qOw/s1600-h/jornais34.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389982868493567682" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 198px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0Q3I4ABsI/AAAAAAAAAnw/NSmcPGu-qOw/s200/jornais34.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Ignácio Ramonet&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O desastre é enorme. Dezenas de diários estão em queda. Nos Estados Unidos já fecharam pelo menos cento e vinte. E o tsunami golpeia agora a Europa. Nem sequer se salvam os outrora considerados "jornais de referência": El País em Espanha, Le Monde em França, The Times e The Independent no Reino Unido, Corriere della Sera e La Repubblica em Itália, etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos eles acumulam fortes perdas económicas, baixa da difusão e queda da publicidade (1).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O prestigiado New York Times teve que solicitar a ajuda do milionário mexicano Carlos Slim; a empresa editora de The Chicago Tribune e de Los Angeles Times, assim como a Hearst Corporation, dona do San Francisco Chronicle, caíram na bancarrota; News Corp, o poderoso grupo multimédia de Rupert Murdoch que publica o Wall Street Journal, apresentou perdas anuais de 2.500 milhões de euros...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para cortar despesas, muitas publicações estão reduzindo o número de páginas; o Washington Post fechou o seu prestigiado suplemento literário Bookworld; o Christian Science Monitor decidiu suprimir a sua edição em papel e existir só na Internet; o Financial Times propõe semanas de três dias aos seus redatores e reduziu drasticamente o número de trabalhadores. As demissões são em massa. Desde janeiro de 2008 foram suprimidos 21.000 empregos nos jornais norte-americanos. Em Espanha, "entre Junho de 2008 e Abril de 2009, 2.221 jornalistas perderam o seu posto de trabalho" (2).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A imprensa diária escrita encontra-se à beira do precipício e procura desesperadamente fórmulas para sobreviver. Alguns analistas consideram obsoleto esse modo de informação. Michael Wolf, da Newser, prevê que 80% dos diários norte-americanos desaparecerão (3). Mais pessimista, Rupert Murdoch prevê que, na próxima década, todos os diários deixarão de existir...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que é que agrava tão letalmente a velha decadência da imprensa escrita quotidiana? Um fator conjuntural: a crise econômica global que provoca a redução da publicidade e a restrição do crédito. E que, no momento mais inoportuno, se veio somar aos males estruturais do setor: a mercantilização da informação, o apego à publicidade, a perda de credibilidade, a queda de subscritores, a competência da imprensa gratuita, o envelhecimento dos leitores...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na América Latina acrescenta-se a isto as necessárias reformas democráticas empreendidas por alguns governos (Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela) contra os "latifúndios midiáticos" de grupos privados em situação de monopólio. Esses grupos desencadearam, contra esses governos e os seus presidentes, uma campanha de calúnias difundidas pelos rancorosos meios de comunicação dominantes e pelos seus cúmplices habituais (na Espanha: o diário El País, que passou a atacar o primeiro ministro José Luis Rodriguez Zapatero) (4).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A imprensa diária continua a praticar um modelo econômico e industrial que não funciona. O recurso à construção de grandes grupos multimídia internacionais, como aconteceu nos anos 1980 e 1990, já não não serve perante a proliferação dos novos meios de difusão da informação e do lazer, pela Internet ou pelos telemóveis (5).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Paradoxalmente, nunca os diários tiveram tanta audiência como atualmente. Com a Internet, o número de leitores cresceu de forma exponencial (6). Mas a articulação com a Rede continua a falhar. Porque estabelece uma injustiça ao obrigar o leitor do quiosque, o que compra o diário, a subsidiar o leitor da tela que lê gratuitamente a edição digital (mais extensa e agradável). E porque a publicidade da versão web não compensa, ao ser muito mais barata que na versão de papel (7). Perdas e ganhos não se equilibram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Caminhando às cegas, os jornais procuram desesperadamente fórmulas para enfrentar a hiper-mudança e sobreviver. Seguindo o exemplo do iTunes, alguns pedem micro-pagamentos aos seus leitores para deixá-los aceder em exclusivo às informações online (8). Rupert Murdoch decidiu que, a partir de Janeiro de 2010, exigirá pagamento por qualquer consulta do Wall Street Journal mediante qualquer tecnologia, sejam os telefones Blackberry ou iPhone, Twitter ou o leitor electrónico Kindle. O motor de busca Google está pensando numa receita que lhe permita cobrar por toda a leitura de qualquer diário digital e reverter uma parte à empresa editora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bastarão essas medidas para salvar o doente terminal? Poucos acreditam nisso (leia-se o artigo de Serge Halimi "O combate do Le Monde Diplomatique"). Porque a tudo o que se disse acima soma-se o mais preocupante: a perda da credibilidade. A obsessão atual dos diários pelo imediatismo leva-os a multiplicar os erros. O demagógico apelo ao "leitor jornalista" para que coloque na web do seu jornal o seu blog, as suas fotos ou os seus vídeos, aumenta o risco de difundir erros. E adotar a defesa da estratégia da empresa como linha editorial (coisa que hoje fazem os diários dominantes) conduz à imposição de uma leitura subjectiva, arbitrária e partidária da informação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Frente aos novos "pecados capitais" do jornalismo, os cidadãos sentem-se vulneráveis nos seus direitos. Sabem que dispor de informação fiável e de qualidade é mais importante que nunca. Para eles e para a democracia. E interrogam-se: Onde procurar a verdade? Os nossos leitores assíduos conhecem (uma parte de) a resposta: na imprensa realmente independente e crítica; e obviamente, nas páginas do Le Monde Diplomatique.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Artigo publicado em rebelion.org, traduzido para o português por Carlos Santos, do site Esquerda.Net.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Notas:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(1) Inés Hayes, "En quiebra los principales diarios del mundo", América XXI, Caracas, Abril de 2009.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(2) Segundo a Federação de Associações de Jornalistas de Espanha, Madrid, 13 de Abril de 2009.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(3) The Washington Post, 21 de Abril de 2009.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(4) Sobre os ataques de El País contra Zapatero, leia-se Doreen Carvajal, "El País in Rare Break With Socialist Leader", The New York Times, 13 de Setembro de 2009. Versão em espanhol: internautas.org&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(5) Luis Hernández Navarro, "La crisis de la prensa escrita", La Jornada, México, 3 de Março de 2009.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(6) Leia-se o informe: "Newspapers in Crisis": emarketer.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(7) Em 2008, la audiência do New York Times na Internet foi dez vezes superior à da sua edição impressa, mas os seus ganhos em publicidade na Rede foram dez vezes inferiores aos da edição de papel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(8) Leia-se: Gordon Crovitz, "El futuro de los diarios en Internet", La Nación, Buenos Aires, 15 de Agosto de 2009, e El País, Madrid, 11 de Setembro de 2009. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-4486721977098800856?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/4486721977098800856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/imprensa-diaria-esta-morrendo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4486721977098800856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/4486721977098800856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/imprensa-diaria-esta-morrendo.html' title='A imprensa diária está morrendo?'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ss0Q3I4ABsI/AAAAAAAAAnw/NSmcPGu-qOw/s72-c/jornais34.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-5062092726862795780</id><published>2009-10-06T13:30:00.003-03:00</published><updated>2009-10-06T13:35:27.950-03:00</updated><title type='text'>Estudantes franceses recebem um incentivo extra</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SstxKDzqdMI/AAAAAAAAAno/scsjhgvsX7w/s1600-h/05escola.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389525796713559234" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SstxKDzqdMI/AAAAAAAAAno/scsjhgvsX7w/s200/05escola.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Nos subúrbios pobres de Paris, agora ir bem na escola dá um bom retorno - literalmente. Os estudantes podem ganhar prêmios de até 10 mil euros para dividir com sua classe se frequentarem as aulas e tirarem boas notas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa-piloto, que entrou em vigor nesta segunda-feira em três escolas vocacionais em bairros de classe operária próximos da capital francesa, é a mais chamativa de várias medidas do governo que visam lidar com o problema crônico da baixa frequência escolar, evasão em massa e alta taxa de desemprego entre os jovens na França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia explora uma combinação de pressão dos colegas e incentivos materiais: que os estudantes se comprometam com uma frequência média e uma meta de desempenho. Dependendo de quão ambiciosa for a meta, o governo pagará de 2 mil euros a 10 mil euros, para um fundo que pode ser gasto em tudo, desde aulas para tirar carteira de motorista até viagens quando a meta for atingida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nós estamos tentando ser criativos - é preciso", disse Jean-Michel Blanquer, chefe do distrito escolar da grande Paris, que comparou a iniciativa a um "contrato moral".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no país de Victor Hugo e Voltaire, a ideia de usar o dinheiro para motivar os adolescentes a aprender alimenta um debate que abrange todo o espectro político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean-Jacques Hazan, presidente da organização de pais FCPE, de esquerda, chamou o programa de "perversão da missão da escola". Seu par no grupo de pais PEEP, mais conservador, Philippe Vrand, disse que não queria que "dinheiro fosse a motivação dos estudantes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma organização independente, SOS Educação, foi mais longe, acusando em seu blog o governo de "comprar" os estudantes e minar os valores da República Francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação é um assunto sensível na França. Caro e altamente sindicalizado, o sistema de ensino também é uma instituição ícone no coração da república. É o local onde as crianças são transformadas em cidadãos franceses desde os dias da revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o aumento da evasão escolar, particularmente nos bairros pobres e de maior diversidade étnica, os pedidos por uma reforma crescem cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até 150 mil jovens - cerca de 13% das pessoas com idades entre 20 e 24 anos - entram no mercado de trabalho sem diploma colegial. Há quatro anos, uma série de distúrbios envolvendo jovens de origem imigrante acentuou as frustrações sofridas por muitos na periferia de grandes cidades francesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blanquer, do distrito escolar de Paris, disse que grande parte da oposição ao novo programa ignora o sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se tivéssemos chamado de bolsa escolar, todo mundo estaria de acordo", ele disse nesta segunda-feira em uma entrevista por telefone. "Todos concordam com a necessidade de tirar os jovens da rua e colocá-los nas salas de aula, reduzir o desemprego e a criminalidade. Não há soluções fáceis. Esta é apenas das muitas experiências. Se não funcionar, tentaremos outra coisa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa faz parte de uma lista de 165 iniciativas, que foi divulgada pelo governo em julho, mas não causou alvoroço até que o jornal "Le Parisien" publicou um artigo de primeira página na última sexta-feira, intitulado: "Dinheiro para bons alunos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As escolas empregam medidas diferentes há anos. Um colégio próximo de Paris distribui ingressos de cinema para os estudantes que apresentam desempenho particularmente bom e descobriu que o número médio de faltas no ano letivo caiu de 26 para 20 nos últimos dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais e mais escolas também tentam envolver os pais, ao informá-los por mensagens de texto ou e-mail no mesmo dia em que seus filhos perdem uma aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem-sucedido, o programa poderia ser estendido para metade dos 1.687 colégios vocacionais da França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um momento de aumento dos déficits orçamentários, os valores republicanos podem não ser o único obstáculo para o governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A educação já é o item mais caro no nosso orçamento", disse Aldric Boulange, da SOS Educação. "Dá para imaginar o custo para o contribuinte se implementarem mais isso?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradução: George El Khouri Andolfato&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Herald Tribune/Folha de S. Paulo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-5062092726862795780?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/5062092726862795780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/estudantes-franceses-recebem-um.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5062092726862795780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5062092726862795780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/estudantes-franceses-recebem-um.html' title='Estudantes franceses recebem um incentivo extra'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SstxKDzqdMI/AAAAAAAAAno/scsjhgvsX7w/s72-c/05escola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-1468106057364170204</id><published>2009-10-03T20:59:00.003-03:00</published><updated>2009-10-03T21:05:18.024-03:00</updated><title type='text'>Internet faz 40 anos e busca novos caminhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ssfl58hURpI/AAAAAAAAAng/VeoSfZmwsMU/s1600-h/internet-pela-tomada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5388528262833260178" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 185px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ssfl58hURpI/AAAAAAAAAng/VeoSfZmwsMU/s200/internet-pela-tomada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Pesquisadores discutem mudanças nas tecnologias básicas da rede&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Renato Cruz&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aos 40 anos, a internet precisa se reinventar. Em 29 de outubro de 1969, foram conectados os laboratórios de computação da Escola de Engenharia e Ciência Aplicada da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) e da SRI International, um instituto de pesquisas em Menlo Park, na Califórnia, na rede que viria a ser chamada de Arpanet, a precursora da rede mundial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Criada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a Arpanet foi a primeira rede de pacotes do mundo. A rede telefônica convencional é uma rede de circuitos. Ou seja, os dois telefones que se falam são ligados por um circuito. As centrais fazem as vezes da telefonista que conectava os interlocutores com um fio. Na rede de pacotes, as mensagens são divididas em pequenos pacotes de dados, com o endereço, e a rede decide a cada momento qual é o melhor caminho para chegar ao seu destino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa estrutura básica da internet, que a torna resistente a problemas, dificulta algumas aplicações que estão se tornando importantes na rede mundial. A internet não foi pensada para ser móvel, para comunicações em tempo real (como televisão) e para a transferência de arquivos de grande tamanho. "Além de móvel, a internet precisa ser ubíqua", disse Tania Regina Tronco, pesquisadora do CPqD. Isso significa que todos os serviços precisam estar disponíveis ao usuário com a mesma qualidade, onde quer que ele esteja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um evento realizado no mês passado em Campinas pelo CPqD, centro de pesquisa e desenvolvimento que pertencia à Telebrás, discutiu o futuro da internet. Tania apresentou o projeto Arquitetura de Rede para Comunicações Móveis sobre IP (Arcmip). O TCP/IP, sistema de endereçamento da internet, identifica os usuários com o local onde eles estão, o que pode ser um problema nas aplicações móveis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"É necessária uma nova infraestrutura, mas será muito difícil fazer com que seja adotada no mundo todo", afirmou Serge Fdida, professor da Université Pierre &amp;amp; Marie Curie. "Existe uma discussão se essa mudança precisa ser evolucionária ou se é preciso partir do zero, com uma nova internet e, depois, integrar as duas redes, como foi feito entre a internet e a rede de telefonia", explicou Tania.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A evolução da internet, com seu aumento constante de capacidade, tem até implicações ambientais. Hiroaki Harai, do National Institute of Information and Communications Technology (Nict), identificou alguns desafios existentes no Japão. "Seguindo a tendência atual de crescimento de tráfego, a velocidade necessária chegará a 1 petabit por segundo (Pbps) em 2020", explicou Harai. "Cem roteadores (equipamentos de rede) nessa velocidade consomem a energia gerada por uma usina nuclear." Um Pbps equivale a um bilhão de megabits por segundo (Mbps), unidade mais comum para se medir a velocidade da internet hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O CPqD participa do projeto Giga, em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Trata-se de uma rede experimental de alta velocidade, que está recebendo investimento de R$ 25,54 milhões em sua segunda fase, num período de três anos. Atualmente, a rede conecta 25 instituições e 70 laboratórios em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, com velocidades de 10 gigabits por segundo (Gbps) no seu núcleo e 1 Gbps nos acessos. Um Gbps equivale a 1 mil Mbps. Na segunda fase, a capacidade no núcleo da rede poderá chegar a 40 Gbps e a 10 Gbps nos acessos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Existe hoje um descompasso na internet brasileira", afirmou Alberto Paradisi, gerente do CPqD e coordenador-geral do projeto. "As pessoas precisam de uma capacidade maior do que é oferecida." &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Jornal O Estado de S. Paulo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-1468106057364170204?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/1468106057364170204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/internet-faz-40-anos-e-busca-novos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/1468106057364170204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/1468106057364170204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/internet-faz-40-anos-e-busca-novos.html' title='Internet faz 40 anos e busca novos caminhos'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Ssfl58hURpI/AAAAAAAAAng/VeoSfZmwsMU/s72-c/internet-pela-tomada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-3328081416173448328</id><published>2009-10-01T12:30:00.002-03:00</published><updated>2009-10-01T12:33:50.918-03:00</updated><title type='text'>Agricultura familiar emprega 75% da mão-de-obra no campo, aponta censo do IBGE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsTLbAlQ2dI/AAAAAAAAAnQ/qwvLJ1B1Qbw/s1600-h/agro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387654719115155922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 122px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsTLbAlQ2dI/AAAAAAAAAnQ/qwvLJ1B1Qbw/s200/agro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  O Censo Agropecuário 2009 traz uma novidade: pela primeira vez, a agricultura familiar brasileira é retratada nas pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE). O setor emprega quase 75% da mão-de-obra no campo e é responsável pela segurança alimentar dos brasileiros, produzindo 70% do feijão, 87% da mandioca, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo consumidos no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram identificados 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar que representam 84,4% do total, (5.175.489 estabelecimentos), mas ocupam apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo do IBGE traça uma radiografia do setor, analisando características dos 5,2 milhões de propriedades rurais do país e ainda dados dos produtores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados do levantamento permitem uma comparação com o último censo do tipo, referente aos anos de 1995 e 1996. Entre as informações estão dados sobre a estrutura fundiária, a produção, as técnicas utilizadas, o pessoal ocupado e as finanças desses estabelecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segurança alimentar - Apesar de ocupar apenas um quarto da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (ou R$ 54,4 bilhões) desse total. Mesmo cultivando uma região menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país gerando os produtos da cesta básica consumidos pelos brasileiros. O valor bruto da produção é de R$ 677 por hectare/ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual foi de R$ 13,99 mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro resultado positivo apontado pelo Censo é o número de pessoas ocupadas na agricultura: 12,3 milhões de trabalhadores no campo estão em estabelecimentos da agricultura familiar (74,4% do total de ocupados no campo). Ou seja, de cada dez ocupados no campo, sete estão nesta atividade que emprega 15,3 pessoas por 100 hectares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Censo também revela que dos 4,3 milhões de estabelecimentos, 3,2 milhões de produtores são proprietários da terra. Isso representa 74,7% dos estabelecimentos com uma área de 87,7%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Produção de soja&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A cultura da soja foi a que mais se expandiu no país na última década. Com um aumento de 88,8% na produção, foram produzidos, em 2006, 40,7 milhões de toneladas, em 15,6 milhões de hectares. A área colhida também teve aumento de 69,3%. Ao todo, a produção de soja gerou R$ 17,1 bilhões para a economia brasileira. O grão foi cultivado em quase 216 mil propriedades, localizadas principalmente no Centro-Oeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O levantamento também revela que a produção da soja transgênica vem ganhando espaço no Brasil como forma de reduzir os custos. Em 2006, quase metade (46,4%) das propriedades agropecuárias cultivou esse produto, que ocupou uma área de quatro milhões de hectares. O uso de semente certificada (por 44,6% dos estabelecimentos), de agrotóxicos (por 95,1%) e de adubação química (por 90,1%) e a adoção de colheita mecanizada (por 96,8%) também foram destacados pelos técnicos do IBGE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Outras culturas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O documento ressalta, ainda, outras culturas, que são a do arroz, cuja produtividade teve crescimento de 44,6%, compensando a redução da área colhida, que foi de 18,8%, e a do feijão, com expansão de 50,9%, cuja área teve crescimento de apenas 6,3%. Nessas duas culturas, a colheita foi feita principalmente de forma manual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pecuária teve destaque como principal atividade econômica das propriedades rurais no país, representando 44% do total e ocupando 62% da área de todas as unidades agropecuárias. O valor da produção do setor correspondeu a 21,2% de toda a agropecuária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Site PT na Câmara&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-3328081416173448328?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/3328081416173448328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/agricultura-familiar-emprega-75-da-mao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3328081416173448328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3328081416173448328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/10/agricultura-familiar-emprega-75-da-mao.html' title='Agricultura familiar emprega 75% da mão-de-obra no campo, aponta censo do IBGE'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsTLbAlQ2dI/AAAAAAAAAnQ/qwvLJ1B1Qbw/s72-c/agro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2584313833674656120</id><published>2009-09-29T11:55:00.003-03:00</published><updated>2009-09-29T12:09:44.204-03:00</updated><title type='text'>"A Inclusão Digital é Uma Utopia"</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsIi5Bd4WgI/AAAAAAAAAnA/X1piZX76uME/s1600-h/i144836.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386906467330185730" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 148px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsIi5Bd4WgI/AAAAAAAAAnA/X1piZX76uME/s200/i144836.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;em&gt;Para especialista, constantes atualizações tecnológicas impostas pela indústria condenam o homem à eterna exclusão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O homem está condenado à exclusão digital. A afirmação parece um paradoxo diante dos inacreditáveis avanços tecnológicos da nossa época. No entanto, ela revela a lógica que se estabeleceu no mundo contemporâneo, a da velocidade. Não basta apenas ter acesso ao computador e saber informática. O ser humano precisa acompanhar constantemente as atualizações tecnológicas impostas pela indústria em uma incessante corrida para garantir sua permanência no ciberespaço. “A inclusão digital é uma utopia, um mito”, diz Eugênio Trivinho (&lt;em&gt;foto&lt;/em&gt;), professor do programa de estudos pós-graduados em comunicação e semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Trivinho é autor do livro “A Dromocracia Cibercultural”. Dromo, do grego, significa velocidade, característica da época atual. O professor da PUCSP também organizou a recémlançada obra “Flagelos e Horizontes do Mundo em Rede: Política, Estética e Pensamento à Sombra do Pós-Humano”, que reúne ensaios de pesquisadores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;A internet pode ser considerada um veículo democrático?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Do ponto de vista interno, a internet é democrática quando o acesso a todos os espaços é desimpedido. Nem sempre isso ocorre. Há senhas por questões de segurança e proibições. E por trás de uma senha pode existir um custo econômico, que seleciona os que podem e não podem. Do ponto de vista externo, a época exige conhecimentos específicos, que devem ser traduzidos em uma prática interativa, própria de um comportamento de contiguidade de acesso, de fluência e de rapidez. São conhecimentos pragmáticos para usar o hardware, o software e a rede, necessários para operar os dispositivos da era da velocidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ &lt;/strong&gt;– &lt;em&gt;Quais as consequências dessa exigência para a vida das pessoas?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Como forma de pressão social, o sujeito precisa incorporar esses conhecimentos para ter um lugar ao sol na cibercultura, e não só no mercado de trabalho, mesmo para exercer cargos para os quais não é necessário saber informática. Para efeito de seleção exige-se esse conhecimento no currículo. A época requer não só conhecimentos convencionais, como a matemática, mas também o domínio de tecnologias. Isso pressupõe a incorporação de conhecimentos que não estavam disponíveis havia mais de 50 anos. É algo muito recente. É um cerco, como se a época dissesse: “Deves dominar esses conhecimentos, caso contrário o teu lugar ao sol na cibercultura está com os dias contados.”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ &lt;/strong&gt;– &lt;em&gt;É nesse sentido que a época atual se revela violenta?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – É uma violência simbólica, mas no sentido mais sutil. Não passa por símbolos, linguagem, palavras. O racismo se manifesta por palavras e gestos. A violência da cibercultura se realiza como pressão social, que vem de todos os lados e de lugar nenhum. O indivíduo sabe que não tem chances se não dominar as senhas infotécnicas: o computador, o protocolo de acesso, uma prática de continuidade e o conhecimento conforme a exigência da época. Existe ainda uma quinta senha que é uma das mais relevantes, a capacidade econômica e cognitiva de acompanhar as reciclagens estruturais dessas senhas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;O que são essas reciclagens?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – As indústrias frequentemente lançam hardwares que comportam capacidade de velocidade e de armazenamento diferentes. Quem não lembra do XT no início dos anos 90? Depois ele se transformou em 286, depois 386, 486, Pentium e assim por diante. Essa gramática numérica enseja um deslocamento do que chamo de mais potência do equipamento, do software, que acaba representando a mais potência do indivíduo, da própria cidadania. Essas senhas passam por uma reciclagem estrutural de tempos em tempos. É o discurso publicitário de que o que é lançado agora deve substituir o anterior porque é superior. Isso não é necessariamente verdadeiro, mas é uma lógica da cibercultura. E o drama social começa quando constatamos que essas senhas e o acompanhamento das reciclagens são um capital social que não é dado a todos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;A saída seria investir em políticas de inclusão digital?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – A inclusão digital é uma utopia, um mito. A inclusão social é um conceito mais abrangente. É a inclusão universal das pessoas. A inclusão digital não consegue se exercer dessa forma. Consegue apenas acontecer como inclusão de grupos de pessoas de uma determinada classe social. São grupos de idosos, não todos os idosos, de habitantes de uma periferia, não toda a periferia. A inclusão digital é impossível de se realizar como inclusão social plena.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Por quê?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Porque o capitalismo virtual vai exigir que o indivíduo esteja sempre se atualizando em relação a essas senhas. Se ele não se atualiza, e isso pressupõe dinheiro para bancar essas reciclagens, fatalmente não será um incluído no rigor da palavra. Aquele que hoje está incluído não tem necessariamente o seu dia de amanhã garantido na cibercultura. Ninguém tem, exceto os dromoaptos, aqueles que têm capacidade de ser velozes no trato com as senhas infotécnicas e condições financeiras para bancar a sua inclusão permanente na cibercultura. É uma elite com capacidade econômica e cognitiva e, principalmente, vontade de acompanhar as reciclagens.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Há como escapar dessa lógica da velocidade?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Não existe possibilidade. Não há capacidade para ser veloz sem dispositivos. É o celular, o carro ou o caixa eletrônico. Todos estão no mesmo processo, até aqueles que não têm capacidade econômica e cognitiva porque a sociedade lhes retirou esse direito. As pessoas não são dromoinaptas por voluntariedade. A época seleciona do ponto de vista econômico e cognitivo quem está habilitado para ir para o ciberespaço e os que vão ficar somente no território geográfico de pedra. Os que farão compras pela internet e aqueles que terão que caminhar pelas ruas e passar por lugares de violência. Na base da pirâmide estão os novos pobres sobre cujos ombros a época contemporânea faz recair dissabores de uma nova miséria, que é a miséria informática. Estamos às voltas com uma época implacável, que acaba de alguma forma se autogerenciando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;É um sistema excludente em sua essência?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Endogenamente excludente. É um processo social impessoal, independente de qualquer controle institucional, empresarial, nacional, internacional. Ele pressiona de todos os lados naquela dinâmica que se faz segundo a distribuição do capital cognitivo, que não é dada a todos. Uma pessoa que não tem computador em casa resolve fazer um curso introdutório de informática para voltar ao mercado de trabalho. Um ano depois, ela é entrevistada e não consegue o emprego. Pergunto: esses cursos dão reciclagem? Têm computadores atualizados? É fácil falar em acesso universal, como se os indivíduos fossem iguais na cibercultura, mas aquele que há três anos não atualiza o seu computador é diferente do que participa da elite virtual. Há diferenças dromocráticas, ou seja, de velocidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ &lt;/strong&gt;– &lt;em&gt;E qual o papel da indústria de tecnologia nesse processo?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Ela alimenta e necessita dessa realimentação do mercado, mas controla apenas a sua linha de produção. Precisa evidentemente fomentar o mercado. Mas essa mesma indústria não tem controle do todo, daquilo em que se transformou o capitalismo na cibercultura e a vida regida pela lógica do ciberespaço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Mas temos empresas que dominam o mercado de tecnologia.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Há diferenças de escalas. O fato de se controlar informação no ciberespaço não significa controlar os rumos do mundo. Se há um espaço social que detém o segredo sobre para onde o mundo está caminhando é o mercado. E o mercado é volátil, incerto, imprevisível, precário. Ele se faz de acordo com o jogo da concorrência. Uma cartada aqui e, seis meses depois, o mundo vai para outro caminho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Como o sr. vê o crescimento das redes sociais e blogs?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Hoje, temos dispositivos que articulam um corpo ao outro, uma casa a outra, uma empresa a outra. E não obstante isso não aboliu a nossa solidão. Nós somos talvez os seres mais solitários e, por isso, precisamos de vínculo. O fenômeno do vínculo só é reforçado historicamente porque ele se realiza como forma de compensação. As redes sociais são um termômetro da necessidade de compensação de um processo de solidão que ficou mais intenso. É aquele exemplo bem frugal de irmos para as vitrines e fazermos compras ou para a internet comprar com o cartão de crédito, compensar, portanto, algo. Não é dar-se presentes porque a gente se ama, mas justamente o contrário, para compensar alguma coisa que está desajustada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Por outro lado, ferramentas como o Twitter podem ser usadas como forma de garantir a livre expressão, a exemplo do que aconteceu no Irã.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – As redes sociais são um fenômeno. Podemos considerá-las um grande horizonte do humano, porque criam possibilidade de laços, de aprendizado e crescimento coletivo. Fala-se hoje de inteligência coletiva como forma de reprodução da criatividade, da inovação. Tudo isso é verdadeiro do ponto de vista dos horizontes que a cibercultura nos coloca, mas temos de ter um olhar menos entregue. Não é simplesmente o caso de abraçarmos o discurso vigente, que é ciberufanista. Ele é ufanista porque promove produto, governo, o acesso universal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;E qual é a sua visão?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Do ponto de vista social, o Twitter repõe em novas bases, no ciberespaço, as regras de liderança e seguidores. Ele coagula uma determinada energia social em torno de um indivíduo que em geral tem alguma expressão midiática e, portanto, se coloca legítimo para ter seguidores. Nesse sentido, o Twitter presta um desserviço ao processo social na medida em que estimula as pessoas a seguirem líderes, quando deveriam seguir a si próprias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ISTOÉ&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Mas os seguidores também têm seguidores&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Trivinho&lt;/strong&gt; – Na verdade, qualquer líder tem a ilusão de que tem poder porque conta com seguidores. Antes, ter status era comprar um carro do ano e depois passou a ser ter um computador atualizado. Hoje, ter tantos mil seguidores se tornou alguma forma de currículo. O Twitter repõe uma hierarquização das pessoas, de laços pessoais por subordinação em que o status se renova. Como se um indivíduo com 300 seguidores ou cinco mil seja mais do que aquele que está entrando agora e só tem dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; revista Istoé&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2584313833674656120?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2584313833674656120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/inclusao-digital-e-uma-utopia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2584313833674656120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2584313833674656120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/inclusao-digital-e-uma-utopia.html' title='&quot;A Inclusão Digital é Uma Utopia&quot;'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsIi5Bd4WgI/AAAAAAAAAnA/X1piZX76uME/s72-c/i144836.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-7275403035757415097</id><published>2009-09-29T11:43:00.003-03:00</published><updated>2009-09-29T11:55:01.054-03:00</updated><title type='text'>“Se o governo tivesse coragem política, ele reestatizaria 100% da Petrobras”</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsIdpp797YI/AAAAAAAAAmw/9KhmndAomRE/s1600-h/lula1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386900705757752706" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsIdpp797YI/AAAAAAAAAmw/9KhmndAomRE/s200/lula1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; “O &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25352"&gt;petróleo&lt;/a&gt; continua exercendo um papel essencial para que esta forma de produzir permaneça. Este é o problema maior. Não podemos vincular o problema a uma fonte natural, o problema está na sociedade, na sua &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25326"&gt;organização para a produção&lt;/a&gt;”. É isso que aponta o engenheiro nuclear e ex-diretor da Petrobras, Ildo Sauer. Em entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, Sauer crítica o governo, principalmente, no que diz respeito à condução das questões que envolvem a&lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25294"&gt; exploração e os recursos do petróleo&lt;/a&gt; que está sob a camada do pré-sal. Ele analisa, nesta conversa, a exploração do petróleo em relação à crise ecológica, modelos de exploração, a criação da Petrosal, e responde também a relação que tudo isso tem com as próximas eleições presidenciais. Para Ildo, “estamos sacrificando a chance de administrar o país a longo prazo em nome da disputa imediata pelo poder para reproduzir esse sistema”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o modelo de partilha nem o de concessão. Ildo Sauer defende e indica que os movimentos sociais também apoiam essa ideia, que o petróleo deve ser 100% reestatizado, e, desta forma, o país deve recomprar as ações da Petrobras, e, com isso, a empresa passa a operar o petróleo “porque tem a melhor tecnologia do mundo para o pré-sal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ildo Sauer de 2003 a 2007, foi Diretor Executivo da Área de Negócios de Gás e Energia da Petrobras. Desde 1991, é professor na Universidade de São Paulo. Engenheiro Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sauer é mestre em Engenharia Nuclear e Planejamento Energético pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em Engenharia Nuclear pela Massachusetts Institute Of Technology. Recebeu pela USP o título de Livre Docência em 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira a entrevista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Como você analisa a exploração do petróleo na camada pré-sal em relação à crise ecológica?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ildo Sauer&lt;/strong&gt; – Há uma polêmica em torno do uso do petróleo em relação às &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=23499"&gt;emissões de gás do efeito estufa.&lt;/a&gt; É uma questão real, mas tem que ser entendida na sua totalidade. O vínculo maior da questão da poluição não é o vínculo natural físico, mas o vínculo social. Significa, historicamente, como a humanidade, na sua organização social, tem construído a capacidade de produzir bens e serviços e promover a circulação de bens, serviços e pessoas para manter o &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=20623"&gt;sistema econômico hegemônico&lt;/a&gt; funcionando na sua lógica intrínseca. Assim, o modo capitalista de produção, que hoje é hegemônico no mundo inteiro, tem promovido uma espécie de necessidade permanente de induzir o aumento do consumo para permitir o aumento da produção e, assim, gerar excedentes econômicos que permitem a acumulação e, ao mesmo, um aumento dos significados diretos disso. Em linguagem popular: é o &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25541"&gt;aumento dos lucros&lt;/a&gt; dos que controlam a produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, ao longo dos últimos séculos, a partir da revolução industrial e, em sua segunda fase, no fim do século retrasado, temos tido uma intensificação extraordinária do &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=19042"&gt;consumo da produção e da circulação&lt;/a&gt;. Na primeira etapa da revolução industrial, principalmente, o efeito era vinculado ao uso do carvão, quando começou o incremento do gás do efeito estufa, especialmente o &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25521"&gt;CO2&lt;/a&gt;, além de outros na atmosfera. A partir da segunda fase da revolução, quando o petróleo começa a ser extraído, em 1859, para fins industriais, ele passa a ter um papel predominante. Só que, na atual estrutura produtiva com quase sete bilhões de habitantes no planeta, com cerca de 200 milhões de habitantes no Brasil, o sistema hegemônico permite que essas pessoas sobrevivam, ainda que grande parte delas de maneira assimétrica, já que há uma concentração de acesso aos bens, serviços e amenidades em favor de grupos pequenos. E a grande maioria vive em condições precárias no mundo inteiro e também no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O petróleo é essencial&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que esta é a condição concreta de vida. O &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=18157"&gt;petróleo continua exercendo um papel essencial&lt;/a&gt; para que esta forma de produzir permaneça. Este é o problema maior. Não podemos vincular o problema a uma fonte natural, o problema está na sociedade, na sua organização para a produção. &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=17555"&gt;Fontes de energia naturais&lt;/a&gt; existem em grande quantidade, capazes de suprir, mesmo fisicamente, as necessidades equivalentes à do petróleo, do carvão e de outras fontes hoje utilizadas. Elas não são utilizadas porque o sistema de produção hegemônico não as escolhe, pois permitiriam menos lucros, menos excedente econômico. E, ao mesmo tempo, de outro lado exigiriam mais trabalho das pessoas, mais capital, que é também trabalho acumulado, para permitir que a mesma produção acontecesse. Este é o dilema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema não está na fonte, na natureza, mas na sociedade, mesmo na &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=17165"&gt;constituição ambiental&lt;/a&gt;. A demanda total de petróleo não é determinada a partir de um país, mas a partir da forma como a organização mundial da produção se dá hoje e como se dá a sua circulação, junto com a circulação de pessoas em &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=16990"&gt;escala global&lt;/a&gt;. Então, se o petróleo não vier do pré-sal, vem direto de outra região do mundo. Tem duas razões para a existência da transição energética para fontes. A primeira é a própria exaustão definitiva do petróleo. O petróleo é a forma mais concentrada, eficaz, maleável e flexível de energia e, por isso, tornou-se tão importante na estrutura de produção e na estrutura urbana de organização da vida social como instrumento que permite a produção e a circulação. A sua substituição, hoje, por fontes renováveis, vai demandar mais esforço, mais trabalho, por tanto mais custo e menos excedente econômico. Este é um dos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo problema, de qualquer maneira, vai ter que ser enfrentado, porque os &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=23871"&gt;recursos de petróleo &lt;/a&gt;convencionais estão se exaurindo em razão da taxa atual de consumo, que supera os 84 milhões de barris de petróleo por dia. O que significa que os dois trilhões de barris remanescentes de recursos conhecidos de petróleo convencionais estarão se exaurindo de qualquer maneira nas próximas três ou quatro décadas, dado que o consumo e a produção ainda estão aumentando. O segundo problema, evidentemente, é que há uma preocupação com a questão da mudança climática com a matriz carbonizada da economia mundial, e as tentativas se desencaminham para a busca de novas fontes de energia que permitam substituir o petróleo em função de sua exaustão e, também, visando às reduções de gás do efeito estufa. Este problema vai exigir muito investimento em ciência e tecnologia para sabermos os impactos que esta &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=16967"&gt;substituição&lt;/a&gt; vai ter também na estrutura de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A crise financeira e o petróleo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que alterar a lógica, hoje, hegemônica de que o consumo tem que ser intensificado. Brasil e Estados Unidos, nesta crise que se iniciou a pouco mais de um ano, têm intensificado e incentivado a produção de automóveis com remoção de impostos, criando um caos duplo. Primeiro, intensificando a produção de engarrafamentos nas grandes cidades como São Paulo. Houve incentivos fiscais, renúncia do governo de ter dinheiro para investir em outras prioridades para acelerar a produção de automóveis, que estão provocando o caos e aumentando a poluição em escala global. Isto é um exemplo concreto de como os governos estão muito mais motivados por continuar aumentando a &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25695"&gt;produção e o consumo&lt;/a&gt; dentro da lógica capitalista do que buscar as soluções para os &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25430"&gt;problemas ambientais e sociais&lt;/a&gt; da humanidade. O petróleo, querendo ou não, gostando ou não dele, vai estar presente, e não é uma questão de um país ou outro escolher. Não vejo, hoje, no horizonte, mecanismos globais de regulação e controle sobre o sistema econômico capaz de enfrentar esta questão fundamental com eficácia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Quais são as principais mudanças entre o modelo que existia em 2002 e o que está hoje em vigor?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ildo Sauer&lt;/strong&gt; – O de 2002 é o mesmo que está em vigor hoje. Porque, no governo Lula, embora na campanha houvesse uma discussão da proposta para mudar do regime de concessão para o regime de partilha, isso não aconteceu. Faltou coragem política de enfrentar o interesse das petroleiras internacionais e privadas brasileiras de mudar o regime. O regime anterior foi baseado na mesma ideia que levou a hegemonia da onda neoliberal dos anos 1990 e conduziu ao colapso de setembro do ano passado em escala global. Hegemonia, esta, da rápida circulação financeira, gestão de riscos, e todo esse conjunto de instrumentos de gestão financeira, que é permear o risco de investimento na área exploratória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A constituição é muito clara. Ela diz que os recursos do subsolo pertencem à nação, e o petróleo é monopólio da união. No entanto, a lei do governo Fernando Henrique não foi alterada até agora. O governo Lula diz que quando o &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25403"&gt;petróleo&lt;/a&gt; sai de dentro do reservatório, passa a ser propriedade do concessionário. É uma metamorfose muito interessante criada no ano 1997 para privilegiar aquela visão de mundo que visava criar benefícios econômicos para certos grupos internacionais e nacionais. A proposta do programa de governo de Lula era mudar para partilha que visava apropriar em favor da sociedade uma fração maior do lucro na produção do petróleo. Este lucro deveria ir para investimentos sociais e ambientais, e isto não foi feito até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os modelos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que já não existe mais risco exploratório nenhum, o governo está propondo o modelo de partilha, que me parece, embora seja um avanço em relação à posição anterior, muito tímido. Até porque a proposta que está colocada dá um enorme poder discricionário para um grupo de ministros de escolher o que fazer com o pré-sal que foi descoberto pela Petrobrás num esforço de mais de 50 anos de trabalho, com ênfase na última década, quando passou a investir. Mesmo com o modelo anterior, a Petrobras garantiu a autossuficiência e descobriu o pré-sal. Agora o governo está vogando a si o direito de arbitrar o que vai ser leiloado, para quem será leiloado, se para a Petrobras ou se para grupos privados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolheram na licitação quanto vão pagar ao governo pelo direito de explorar o pré-sal. A diferença é que a Petrobras está mantida com a principal operadora no projeto atual. Eu acho esse projeto tímido porque acho equivocado. O caminho normal para quem descobriu uma reserva de petróleo é dimensioná-la, saber quanto recurso há. Até hoje não se sabe nem se o pré-sal vai para Santa Catarina ou Espírito Santo, como tem falado, ou se ele vai até a Bahia ou Sergipe, como também é possível. De maneira que também não se sabe qual é o volume de petróleo, se um grande campo ou vários campos gigantes, cuja produção deve ser conjunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha opinião, o caminho mais correto para o país, que mais atenderia os interesses nacionais seria o seguinte: Primeiro, contrata-se a Petrobras para que ela conclua a exploração, isto é, a definição do volume de petróleo, onde ele está e quanto é, se nós temos a maior reserva do mundo, a segunda e a terceira reservas do mundo, ou se estamos no grupo intermediário. Dependendo do volume de petróleo que está lá, podemos fazer um plano nacional de desenvolvimento econômico social e ambiental. Definir quanto vai ser investido na alteração da matriz energética no investimento de fontes renováveis de energia, de maneira econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo lugar: definir quais são as prioridades nacionais em investimentos de saúde nas próximas duas décadas, assim como na educação, no desenvolvimento científico e tecnológico, em investimentos para a mitigação e adaptação ambiental em função das mudanças climáticas e em infraestrutura. O país deveria recuperar sua capacidade de planejamento de definir que país nós queremos construir para as próximas décadas, ver quanto custa isso e depois determinar o ritmo de produção de petróleo somente para financiar essas coisas. O restante do petróleo poderia ficar embaixo da terra, porque há uma tendência de que ele se valorize mais ficando embaixo da terra do que o &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25339"&gt;convertendo em dinheiro&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos tirando do seio da terra um produto que causa impactos ambientais, que terá maior valor no futuro, que é patrimônio das gerações futuras. Estamos queimando ele hoje para pagar contas correntes, não há estratégica para ser um plano nacional de desenvolvimento. Isto não está sendo feito. Está sendo acelerada a definição do modelo que permita a esse governo ainda no ano que vem, no meio do maior tumulto eleitoral, leiloar alguns blocos que provavelmente vão atender às demandas de grupos econômicos internacionais, que, por sua vez, têm vínculos diretos no processo eleitoral. Eu estou vendo com muita preocupação o que está se desenrolando no Congresso Nacional, neste momento. Acho que é um risco enorme de que o interesse nacional e o interesse do &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=25342"&gt;futuro da nação brasileira&lt;/a&gt;, mais uma vez, possa vir a ser mal utilizado em função de interesses e barganhas imediatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Você acredita que o Brasil ainda possa mudar para o modelo de partilha?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ildo Sauer&lt;/strong&gt; – Deve mudar, pois o governo tem um rolo compressor no Congresso e pode mudar. Eu não acho que o modelo de partilha seja o melhor. O modelo que eu defendo e que muitos &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=19007"&gt;movimentos sociais&lt;/a&gt; defendem é o seguinte: reestatizarmos o petróleo 100%, recompramos as ações da Petrobras, e ela opera o petróleo porque tem a melhor tecnologia do mundo para o pré-sal. Não precisa de outra petroleira do mundo aqui. Recursos financeiros não faltarão, pois quem está sentado em cima de reservas de petróleo terá o financiamento necessário para produzi-lo. O petróleo só deve ser produzido com eficiência pela Petrobras, na medida em que tivermos um projeto nacional de investimento em saúde, educação, proteção ambiental, melhoria da infraestrutura etc. Se tem isso não precisa de partilha. Se a Petrobras for 100% nacional, todo o lucro da produção do petróleo irá para um fundo constitucional para financiar estes projetos todos. Este é o melhor modelo, faltou coragem política ao governo, pois está vinculado a interesses de grandes grupos internacionais. Não é à toa que o Presidente da República, nesta terça-feira, em Nova York, foi recebido na Casa das Américas pela maior petroleira privada brasileira ao lado da maior petroleira privada mundial que é a &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=19565"&gt;Exxon&lt;/a&gt; e a Ogx. Está claramente indicado que o diálogo do governo com estes movimentos vincula seus compromissos de manter o status quo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;E como esse modelo muda a lógica da relação com o petróleo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ildo Sauer&lt;/strong&gt; – Permite potencialmente e, dependendo dos resultados das licitações, uma fração, possivelmente, maior de dinheiro por interesse público. Só que este não é o melhor modelo. O modelo de partilha é melhor que o de concessão, mas o de prestação de serviços de uma empresa puramente estatal e de monopólio estatal do petróleo é melhor ainda. Hoje, 77% das reservas mundiais de petróleo estão na mão de empresas estatais, só 7% do petróleo estão na mão das chamadas grandes petroleiras, das chamadas sete irmãs, que, no século passado, partilharam o mundo, fizeram guerra, promoveram a miséria, derrubaram governos em nome dos lucros do petróleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, é provável que elas não sobrevivam ao &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=22817"&gt;fim da era do petróleo&lt;/a&gt;. Acho que o Brasil tem um projeto bem melhor do que aquele que foi lançado no Congresso Nacional, que está em debate lá, e é extremamente preocupante a predominância do poder de influência dos grupos nacionais e internacionais. Há alguns dogmas, como a necessidade de ser privado, a necessidade de concorrência, de financiamentos, tecnologias, que são falácias porque não são verdadeiras na definição do modelo, e o que está por trás de tudo isso, em grande parte, são recursos para financiamento no processo eleitoral do ano que vem. Estão todos muitos sensíveis neste momento, em todos os espaços, e o povo brasileiro não está sabendo o que está se passando no Congresso. E no governo também, lamentavelmente, o quadro está se tornando muito preocupante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;E qual sua opinião sobre a criação da Petrosal?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ildo Sauer&lt;/strong&gt; – Não vejo necessidade da Petrosal. Ela é instrumento para montar o modelo que o governo está criando agora para compartilhar um pouco mais para o governo do dinheiro do petróleo e para que as multinacionais façam a administração disso. Se o governo tivesse coragem política, ele reestatizaria 100% da Petrobras, retomaria o monopólio total sobre o petróleo como todos os países do mundo fizeram. 77% do petróleo estão na mão de estados nacionais; e 100% de empresas estatais para desenvolvê-lo. Este é o modelo hegemônico. Se isso for feito, não precisa mais da Petrosal, da partilha, de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais simples seria reestatizar politicamente as &lt;a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;amp;Itemid=18&amp;amp;task=detalhe&amp;amp;id=22552"&gt;reservas de petróleo&lt;/a&gt;, e colocar a Petrobras a serviço de desenvolvê-lo em um ritmo necessário para mudar o país e para criar um novo paradigma mundial na área ambiental, uma transição energética para fontes renováveis, sustentáveis para qual o Brasil também tenha hegemonia. Lamentavelmente, estamos mais uma vez sucumbindo à pressão dos interesses financeiros e econômicos internacionais de grupos nacionais. Fazemos um discurso pela esquerda e pelo popular, e uma prática para a direita em favor do grande capital, reproduzindo um modelo que tem levado a humanidade às crises constantes e à degradação ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;Analisando a conjuntura atual, qual é o futuro do pré-sal, em sua opinião?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ildo Sauer&lt;/strong&gt; – Há dois futuros. Um dele é positivo, se a população brasileira se conscientizar e for capaz, tomando consciência do que está em jogo, de exigir do governo e do congresso um modelo adequado. Parece-me que o modelo do governo foi tímido, fraco e muda o discurso e a forma, mas não muda a essência. A essência que está em jogo com a relação de forças é que vai mais uma vez predominar no modelo de partilha, uma divisão que vai favorecer mais os grupos internacionais e dentro do país a acumulação de dinheiro para certos grupos, elites e projetos. Como a maioria do povo brasileiro, estou extremamente preocupado com o que está acontecendo, especialmente porque recentemente participei de alguns debates no congresso nacional e percebi que o ânimo lá é extremamente entreguista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão dispostos sobre o modelo de partilha a permitir ao manto da incerteza encobrir a entrega de grande parte do valor econômico e acelerar a produção do petróleo brasileiro sem necessidade. A melhor forma de fazer um projeto nacional seria definir as reservas, quantificá-las e somente extraí-las na medida do necessário para investir em educação, saúde, proteção ambiental, infraestrutura e mudança do Brasil. Isso porque o petróleo tende a valorizar mais debaixo da terra do que convertido em dinheiro neste momento. De maneira que essa questão estratégica não tem sido compreendida nem pelo governo nem pelo Congresso Nacional. A mobilização popular está muito fraca para permitir que a gente altere isso. É preciso um urgente esforço para não termos uma grande frustração no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line&lt;/strong&gt; – A&lt;em&gt; forma como o governo está conduzindo esta questão da exploração do petróleo na camada pré-sal pode influenciar nas eleições presidenciais do próximo ano?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ildo Sauer&lt;/strong&gt; – Veja, minha leitura é de que a agenda foi determinada eleitoralmente. O pré-sal já era conhecido desde 2006. O governo, mesmo assim, por duas vezes, tentou vender blocos em cima do pré-sal, só recuou diante da imensa pressão da Petrobras e de certos grupos de parlamentares e outras pessoas que contestaram a visão da Casa Civil sobre a condução do modelo. Levou um ano e meio para definir um plano de partilha que permite fazer qualquer coisa. O modelo de partilha que o governo propõe é o sonho de qualquer governo autoritário de direita que quer entregar tudo, porque permite escolher todos os blocos que serão leiloados sem responsabilização e sem transparência. É uma escolha de apenas alguns grupos que fazem parte do governo. Não me parece suficiente claro o que está acontecendo. Obviamente que isso está vinculado, como anunciou o ministro Lobão dia 24-09, na imprensa, aos leilões de blocos que serão feitos no ano que vem. Nesses leilões de blocos, se vinculará uma simpatia mútua em termos de apoiar o processo eleitoral com recursos para as campanhas. Isso é o que está mais claro no horizonte, para mim. Lamentavelmente, mais uma vez, estamos sacrificando a chance de administrar o país a longo prazo em nome da disputa imediata pelo poder para reproduzir esse sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; IHU - On-Line&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-7275403035757415097?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/7275403035757415097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/se-o-governo-tivesse-coragem-politica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7275403035757415097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7275403035757415097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/se-o-governo-tivesse-coragem-politica.html' title='“Se o governo tivesse coragem política, ele reestatizaria 100% da Petrobras”'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsIdpp797YI/AAAAAAAAAmw/9KhmndAomRE/s72-c/lula1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-1944656528440655725</id><published>2009-09-28T21:55:00.003-03:00</published><updated>2009-09-28T22:07:02.269-03:00</updated><title type='text'>Duas trajetórias distintas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsFdp1QmSRI/AAAAAAAAAmo/5QPzNn7x3VY/s1600-h/dilma_serra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386689602564540690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 124px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsFdp1QmSRI/AAAAAAAAAmo/5QPzNn7x3VY/s200/dilma_serra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Nas horas mais difíceis se revela a personalidade – as forças e as fraquezas - de cada um. Os franceses puderam fazer esse teste quando foram invadidos e tinham que se decidir entre compactuar com o governo capitulacionsista de Vichy ou participar da resistência. Os italianos podiam optar entre participar da resistência clandestina ou aderir ao regime fascista. Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades, seus valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE. Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade. Por isso sua biografia só menciona que foi presidente da UNE, mas nunca diz que não concluiu o mandato, abandonou a UNE e os estudantes brasileiros. Nunca se pronunciou sobre esse episódio vergonhoso da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estudantes brasileiros foram em frente, rapidamente se reorganizaram e protagonizaram, a parir de 1965, o primeiro grande ciclo de mobilizações populares de resistência à ditadura, enquanto Serra vivia no exílio, longe da luta dos estudantes. Ficou claro o caráter de Serra, que só voltou ao Brasil quando já havia condições de trabalho legal da oposição, sem maiores riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No episódio da comissão do Senado em que ela foi questionada por ter assumido que tinha dito mentido durante a ditadura – por um senador da direita, aliado dos tucanos de Serra -, Dilma mostrou todo o seu caráter, o mesmo com que tinha atuado na clandestinidade e resistido duramente às torturas. Disse que mentiu diante das torturas que sofreu, disse que o senador não tem idéia como é duro sofrer as torturas e mentir para salvar aos companheiros. Que se orgulha de ter se comportado dessa maneira, que na ditadura não há verdade, só mentira. Que ela e o senador da base tucano-demo estavam em lados opostos: ela do lado da resistência democrática, ele do lado da ditadura, do regime de terror, que seqüestrada, desaparecia, fuzilava, torturava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura, nessa luta foi presa, torturada , condenada, ficando detida quatro anos. Saiu para retomar a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT, onde participou como secretária do governo do Rio Grande do Sul. Posteriormente foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa trajetória, em particular aquela nas condições mais difíceis, é o grande diploma de Dilma: a dignidade, a firmeza, a coerência, para realizar os ideais que assume como seus. Quem pode revelar sua trajetória com transparência e quem tem que esconder momentos fundamentais da sua vida, porque vividos nas circunstâncias mais difíceis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Blog do Emir Sader&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-1944656528440655725?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/1944656528440655725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/duas-trajetorias-distintas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/1944656528440655725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/1944656528440655725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/duas-trajetorias-distintas.html' title='Duas trajetórias distintas'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsFdp1QmSRI/AAAAAAAAAmo/5QPzNn7x3VY/s72-c/dilma_serra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-5339294468620949230</id><published>2009-09-28T21:48:00.002-03:00</published><updated>2009-09-28T21:52:22.708-03:00</updated><title type='text'>Imprensa brasileira: De facto ou interina?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsFZtZL5E1I/AAAAAAAAAmY/kFD0jEYoF0g/s1600-h/DITADURA-DA-MIDIA.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386685265701573458" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsFZtZL5E1I/AAAAAAAAAmY/kFD0jEYoF0g/s200/DITADURA-DA-MIDIA.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Desde 28 de junho, quando o presidente Manuel Zelaya foi deposto por um golpe militar liderado por Roberto Micheletti, a grande imprensa brasileira, através de seus articulistas mais conhecidos e dedicados editorialistas, voltou a apresentar, como é comum a aparelhos privados de hegemonia, seu vasto arsenal de produção e redefinição de significados. Desta vez, a novidade foi o deslocamento semântico do real sentido do que vem a ser golpe de Estado. Em Honduras, segundo a narrativa jornalística, não há golpistas, mas "governo interino" ou "de facto", pouco importando que a ação militar tenha sido condenada pela União Européia e governos latino-americanos representados pela Organização dos Estados Americanos (OEA).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já tive oportunidade de destacar em outra oportunidade "há algo profundo no jogo das palavras". Ainda mais quando, quem as maneja, tem, por dever de ofício, que relatar o que cobre com precisão e clareza. Fica evidente que razão cínica e ética ambíguas são irmãs siamesas. E no jornalismo brasileiro, mudam as gerações, mas as tragédias continuam e o imaginário dos aquários insiste em se engalfinhar contra as evidências factuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, empenhada em afirmar que o governo brasileiro teria agido de maneira irresponsável ao conceder abrigo ao presidente deposto, a mídia corporativa repete um velho procedimento. Tenta armar, na produção noticiosa, uma subversão monstruosa: a autoria e a responsabilidade do golpe são transferidas aos que a ele se opõem, de modo que os golpistas, posando de impolutos democratas, ainda encontrem razões e argumentos para desmoralizar, reprimir e, se possível, eliminar seus oponentes. Para a empreitada foram convocados até diplomatas aposentados, saudosos de uma subalternidade quase colonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma característica saliente do discurso editorial, e de forma alguma sem importância, é o tom mordaz de quem que se propõe a dizer "verdades" a leitores e/ou telespectadores não apenas iludidos, mas idealizados como obtusos. O trecho abaixo, extraído da revista Veja (edição 2132, de 30/09/2009) é exemplar. Trata-se da reportagem “O pesadelo é nosso", assinada pelos jornalistas Otávio Cabral e Duda Teixeira."Com as eleições marcadas para o próximo dia 29 de novembro, o governo interino que derrubou Zelaya se preparava para reconduzir o país à normalidade democrática. O candidato ligado a Manuel Zelaya aparecia até bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Seria uma saída rápida e democrática para um golpe, coisa inédita na América Latina. Seria. Agora o desfecho da crise é imprevisível. O mais lógico seria deixar o retornado sob os cuidados dos amigos brasileiros até depois das eleições, que, se legítimas, convenceriam a comunidade internacional das intenções democráticas dos golpistas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não procurem lógica no texto. Muito menos o uso político do mito da objetividade jornalística. O panfletarismo é prepotente e assumidamente faccioso para se preocupar com detalhes. Falar em “intenções democráticas dos golpistas" não expressa dificuldade de ordem racional, mas uma formidável comédia de erros e imposturas orquestradas por setores decisivos de uma direita inconformada com uma política externa exitosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata apenas da insistência da grande mídia brasileira em “manter um viés anti-Lula, fazendo uma cobertura parcial e tendenciosa sobre os acontecimentos que envolvem o fato", como afirmou o deputado José Genoíno. A operação em curso vai bem além desse propósito. O que ela busca ocultar são os resultados da reunião do G-20, em Pittsburgh, com a abertura para a reorganização das instituições financeiras internacionais e maiores direitos para os países emergentes. O êxito diplomático deve ser substituído por uma "trapalhada ideológica que não faz jus à tradição pragmática do Itamaraty”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É exatamente isso o que confessa o articulista Clóvis Rossi, em sua coluna de sexta-feira, 25 de setembro, na Folha de S. Paulo. "Escrevendo textos no lobby do Hotel Sheraton, em que Luiz Inácio Lula da Silva está hospedado em Pittsburgh, sou agradavelmente interrompido por Gilberto Scofield, o competente correspondente de "O Globo" em Washington: Cara, Honduras conseguiu eclipsar completamente o G20 nos jornais brasileiros. Só recebo cobranças sobre Honduras".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa desenvoltura de militantes eufóricos só reforça o que se sabe da grande imprensa. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas os modelos - teimosos - permanecem como farsa de um jornalismo que não se sabe ao certo se é “de facto" ou interino. Os acontecimentos de Tegucigalpa são contagiantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Gilson Caroni Filho&lt;/strong&gt; é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-5339294468620949230?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/5339294468620949230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/imprensa-brasileira-de-facto-ou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5339294468620949230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5339294468620949230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/imprensa-brasileira-de-facto-ou.html' title='Imprensa brasileira: De facto ou interina?'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SsFZtZL5E1I/AAAAAAAAAmY/kFD0jEYoF0g/s72-c/DITADURA-DA-MIDIA.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2718885559268923658</id><published>2009-09-25T14:19:00.002-03:00</published><updated>2009-09-25T14:29:47.142-03:00</updated><title type='text'>"América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo", por Noam Chomsky</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srz8B8qUMQI/AAAAAAAAAmA/phvQXa48f54/s1600-h/noam-chomsky.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385456364821950722" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 142px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srz8B8qUMQI/AAAAAAAAAmA/phvQXa48f54/s200/noam-chomsky.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;em&gt;Em entrevista ao La Jornada, Noam Chomsky fala sobre a América Latina, definindo-a como uma das únicas regiões do mundo onde há uma resistência real ao poder do império. "Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo", diz Chomsky.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo, diz Noam Chomsky. Há aqui uma resistência real ao império; não existem muitas regiões das quais se possa dizer o mesmo. Entrevistado pelo La Jornada, um dos intelectuais dissidentes mais relevantes de nossos tempos assinala que a esperança e a mudança anunciada por Barack Obama é uma ilusão, já que são as instituições e não os indivíduos que determinam o rumo da política. Em última instância, o que Obama representa, para Chomsky, é um giro da extrema direita rumo ao centro da política tradicional dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presente no México para celebrar os 25 anos de La Jornada, o autor de mais de cem livros, lingüista, crítico antiimperialista, analista do papel desempenhado pelos meios de comunicação na fabricação do consenso, explica como a guerra às drogas iniciou nos EUA como parte de uma ofensiva conservadora contra a revolução cultural e a oposição à invasão do Vietnã. Apresentamos a seguir a íntegra das declarações de Chomsky ao La Jornada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo. Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é um exemplo interessante. No princípio dos anos 60, os programas de (João) Goulart não eram tão diferentes dos de Lula. Naquele caso, o governo de Kennedy organizou um golpe de Estado militar. Assim, o estado de segurança nacional se propagou por toda a região como uma praga. Hoje em dia, Lula é o cara bom, ao qual procuram tratar bem, em reação aos governos mais militantes na região. Nos EUA, não se publicam os comentários favoráveis de Lula a Chavez ou a Evo Morales. Eles silenciados porque não são o modelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um movimento em direção à unificação regional. Começam a se formar instituições que, se ainda não funcionam plenamente, começam a existir, como é o caso do Mercosul e da Unasul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro caso notável na região é o da Bolívia. Depois do referendo, houve uma grande vitória e também uma sublevação bastante violenta nas províncias da Meia Lua, onde estão os governadores tradicionais, brancos. Dezenas de pessoas morreram. Houve uma reunião regional em Santiago do Chile, onde se expressou um grande apoio a Morales e uma firme condenação à violência, o que foi respondido pelo presidente boliviano com uma declaração importante. Ele disse que era a primeira vez na história da América Latina, desde a conquista européia, que os povos tomaram o destino de seus países em suas próprias mãos sem o controle de um poder estrangeiro, ou seja, Washington. Essa declaração não foi publicada nos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A América Central está traumatizada pelo terror da era Reagan. Não é muito o que ocorre nesta região. Os EUA seguem tolerando o golpe militar em Honduras, ainda que seja significativo que não possa apoiá-lo abertamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra mudança, ainda que acidentada, é a superação da patologia na América Latina, provavelmente a região mais desigual do mundo. É uma região muito rica, sempre governada por uma pequena elite europeizada, que não assume nenhuma responsabilidade com o resto de seus respectivos países. Isso pode ser visto em coisas muito simples, como o fluxo internacional de bens e capitais. Na América Latina a fuga de capitais é quase igual à dívida. O contraste com a Ásia oriental é muito impactante. Aquela região, muito mais pobre, teve um desenvolvimento econômico muito mais substantivo e os ricos estão submetidos a mecanismos de controle. Não há fuga de capitais; na Coréia do Sul, por exemplo, ele é castigado com a pena de morte. O desenvolvimento econômico lá é relativamente igualitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O enfraquecimento do controle dos EUA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia duas formas tradicionais pelas quais os EUA controlavam a América Latina. Uma era o uso da violência; a outra, o estrangulamento econômico. Ambas foram debilitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os controles econômicos são agora mais fracos. Vários países se liberaram do Fundo Monetário Internacional através da colaboração. Também foram diversificadas as ações entre os países do Sul, processo no qual a relação do Brasil com a África do Sul e a China desempenhou um fator importante. Esses países passaram a enfrentar alguns problemas internos sem a poderosa intervenção dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência não terminou. Ocorreram três golpes de Estado neste início de século XXI. O venezuelano, abertamente apoiado pelos EUA, foi revertido, e agora Washington tem que recorrer a outros meios para subverter o governo, entre eles, ataques midiáticos e apoio a grupos dissidentes. O segundo foi no Haiti, onde a França e os EUA depuseram o governo e enviaram o presidente para a África do Sul. O terceiro, em Honduras, foi de um tipo misto. A Organização dos Estados Americanos (OEA) assumiu uma postura firme e a Casa Branca teve que segui-la e proceder com muita cautela e lentidão. O FMI acaba de aprovar um enorme empréstimo a Honduras, que substitui a redução da ajuda do governo dos EUA. No passado, estes eram assuntos rotineiros. Agora, essas medidas (a violência e o estrangulamento econômico) ficaram debilitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Estados Unidos estão reagindo e dando passos para remilitarizar a região. A Quarta Frota, dedicada à América Latina, que tinha sido desmantelada nos anos 1950, foi retomada, e as bases militares na Colômbia são um tema importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A ilusão de Obama&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eleição de Barack Obama gerou grandes expectativas de mudança para a América Latina. Mas são ilusões. Sim, há uma mudança, mas o giro é porque o governo de Bush foi tão ao extremo do espectro político estadunidense que qualquer coisa que se movesse iria para o centro. De fato, o próprio Bush, em seu segundo período, foi menos extremista. Desfez-se de alguns de seus colaboradores mais arrogantes e suas políticas foram mais moderadamente centristas. E Obama, de maneira previsível, continua com esta tendência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos um giro rumo à posição tradicional. Mas qual é essa tradição? Kennedy, por exemplo, foi um dos presidentes mais violentos do pós-guerra. Woodrow Wilson foi o maior intervencionista do século XX. O centro não é pacifista nem tolerante. De fato, Wilson foi quem se apoderou da Venezuela, tirando os ingleses de lá, em função da descoberta de petróleo. Apoiou um ditador brutal. E dali seguiu rumo ao Haiti e à República Dominicana. Enviou os “marines” e praticamente destruiu o Haiti. Deixou nestes países guardas nacionais e ditadores brutais. Kennedy fez o mesmo. Obama é um regresso ao centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história se repete com o tema de Cuba, onde, por mais de meio século, os EUA se envolveram em uma guerra, desde que a ilha ganhou sua independência. No princípio, esta guerra foi bastante violenta, especialmente com Kennedy, quando houve terrorismo e estrangulamento econômico, ao qual a maioria da população estadunidense se opõe. Durante décadas, quase dois terços da população tem estado a favor da normalização das relações, mas isso não está na agenda política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As manobras de Obama rumaram em direção ao centro; suspendeu algumas das medidas mais extremas do modelo de Bush, o que até foi apoiado por boa parte da comunidade cubano-estadunidense. Moveu-se um pouco em direção ao centro, mas deixou muito claro que não haverá maiores mudanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As “reformas” de Obama&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo ocorre na política interna. Os assessores de Obama durante a campanha foram muito cuidadosos em não deixá-lo comprometer-se com nada. As consignas foram “a esperança” e “a mudança, uma mudança na qual acreditar”. Qualquer agência de publicidade teria feito com que essas fossem as consignas, pois 80% do país pensavam que este andava por trilhos equivocados. McCain dizia coisas parecidas, mas Obama era mais agradável, mais fácil de vender como produto. As campanhas são só assuntos de técnica de mercado; assim entendem a si mesmas. Estavam vendendo a “marca Obama” em oposição à “marca McCain”. É dramático ver essas ilusões, tanto fora como dentro dos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos, quase todas as promessas feitas no âmbito de reforma trabalhista, de saúde e energia ficaram quase anuladas. Por exemplo, o sistema de saúde é uma catástrofe. É provavelmente o único país no mundo onde não há uma garantia básica de atenção médica. Os custos são astronômicos, quase o dobro de qualquer outro país industrializado. Qualquer pessoa que tenha a cabeça no lugar sabe qual é a consequência de um sistema de saúde privado. As empresas não procuram saúde, mas sim lucro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um sistema altamente burocratizado, com muita supervisão, altíssimos custos administrativos, onde as companhias de seguros têm formas sofisticadas de evitar o pagamento de apólices, mas não há nada na agenda de Obama para fazer algo a respeito. Houve algumas propostas “light”, como, por exemplo, “a opção pública”, que acabou anulada. Se alguém ler a imprensa de negócios, encontrará que a capa da Business Week reportava que as seguradoras estavam celebrando a sua vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram realizadas campanhas muito exitosas contra esta reforma, organizadas pelos meios de comunicação e pela indústria para mobilizar segmentos extremistas da população. É um país onde é fácil mobilizar as pessoas com o medo e colocar na cabeça delas todo tipo de idéias loucas, como a de que Obama vai matar as suas avós. Assim, conseguiram reverter propostas legislativas já por si débeis. Se, de fato, tivesse ocorrido um compromisso real no Congresso e na Casa Branca, isso não teria prosperado, mas os políticos estavam mais ou menos de acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama acaba de fazer um acordo secreto com as companhias farmacêuticas para assegurar-lhes que não fará esforços governamentais para regular o preço dos medicamentos. Os EUA são o único país no mundo ocidental onde não se permite que o governo use seu poder de compra para negociar o preço dos medicamentos. Cerca de 85% da população se opõem, mas isso não significa diferença alguma, até que todos vejam que não são os únicos que se opõem a estas medidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A indústria petroleira anunciou que vai utilizar as mesmas táticas para derrotar qualquer projeto legislativo de reforma energética. Se os Estados Unidos não implantarem controles firmes sobre as emissões de dióxido de carbono, o aquecimento global destruirá a civilização moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal Financial Times assinalou com razão que se houvesse uma esperança de que Obama pudesse ter mudado as coisas, agora seria surpreendente que cumprisse minimamente suas promessas. A razão é que ele não queria mudar tanto assim as coisas. É uma criatura daqueles que financiaram sua campanha: as instituições financeiras, instituições de energia, empresas. Tem a aparência do bom moço, seria uma boa companhia para o jantar, mas isso é insuficiente para mudar a política; afeta-a muito pouco, na verdade. Sim, há mudança, mas é de um tipo um pouco mais suave. A política provém das instituições, não é feita por indivíduos. E as instituições são muito estáveis e muito poderosas. Certamente, encontram a melhor maneira de enfrentar os acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios de comunicação estão um pouco surpresos de que esteja regressando para o ponto onde sempre esteve. Reportam, é difícil não fazê-lo, mas o fato é que as instituições financeiras se pavoneiam de que tudo está ficando igual a antes. Ganharam. Goldman Sachs nem sequer tenta esconder que depois de ter arruinado a economia está entregando generosos bônus a seus executivos. Creio que no trimestre passado reportou os lucros mais altos de sua história. Se fossem um pouquinho mais inteligentes tentariam esconder isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso se deve ao fato de que Obama está respondendo aqueles que apoiaram sua campanha: o setor financeiro. Basta olhar quem ele escolheu para sua equipe econômica. Seu primeiro assessor foi Robert Rubin, responsável pela prorrogação de uma lei que regulava o setor financeiro, o que beneficiou muito a Goldman Sachs; assim mesmo, ele se converteu em diretor do Citigroup, fez uma fortuna e saiu justo a tempo, antes do desastre. Larry Summers, a principal figura responsável pelo bloqueio de toda regulação dos instrumentos financeiros exóticos, agora é o principal assessor econômico da Casa Branca. E Timothy Geithner, que como presidente do Federal Reserve de Nova York, supervisionava o que ocorre, é o secretário de Tesouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma reportagem recente examinou alguns dos principais assessores econômicos de Obama. Concluiu-se que grande parte deles não deveria estar na equipe de assessoria do presidente, mas sim enfrentando demandas legais, pois estiveram envolvidos em manejos irregulares de contabilidade e em outros assuntos que detonaram a crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quanto tempo podem se manter as ilusões? Os bancos estão agora melhor do que antes. Primeiro receberam um enorme resgate do governo e dos contribuintes e utilizaram esses recursos para se fortalecerem. São maiores do que nunca, pois absorveram os mais fracos. Ou seja, está se assentando a base para a próxima crise. Os grandes bancos estão se beneficiando com uma apólice de seguros do governo que se chama “demasiado grande para quebrar”. Caso você seja um banco enorme ou uma grande casa de investimentos, é demasiado importante para fracassar. Se você é o Goldman Sachs ou o Citigroup, não pode fracassar porque isso derrubaria toda a economia. Por isso podem fazer empréstimos de risco, para ganhar muito dinheiro, e se algo dá errado, o governo se encarregará do resgate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt;  Agência&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16160&amp;amp;boletim_id=594&amp;amp;componente_id=10006"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Carta Maior&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; em 24/9/2009, com tradução de Katarina Peixoto&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2718885559268923658?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2718885559268923658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/america-latina-e-hoje-o-lugar-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2718885559268923658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2718885559268923658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/america-latina-e-hoje-o-lugar-mais.html' title='&quot;América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo&quot;, por Noam Chomsky'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srz8B8qUMQI/AAAAAAAAAmA/phvQXa48f54/s72-c/noam-chomsky.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2847866037593522255</id><published>2009-09-25T13:52:00.003-03:00</published><updated>2009-09-25T14:00:33.031-03:00</updated><title type='text'>Limites do planeta já foram extrapolados, diz estudo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srz2U8KkS8I/AAAAAAAAAl4/K-xt2HedsWY/s1600-h/dia_do_ambiente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385450094036536258" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 146px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srz2U8KkS8I/AAAAAAAAAl4/K-xt2HedsWY/s200/dia_do_ambiente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Por Fabiano Ávila&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Grupo de cientistas estipula nove fronteiras no sistema terrestre que os seres humanos não poderiam ultrapassar para o seu próprio bem, porém três delas já ficaram para trás, colocando em risco a capacidade da Terra de regular a si mesma. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quanta pressão o planeta ainda pode suportar antes que comece a entrar em colapso? Foi com esta pergunta em mente que um grupo de 29 pesquisadores de diversas partes do mundo resolveu procurar por “fronteiras” no sistema terrestre que deveriam ser respeitadas para se evitar grandes catástrofes ambientais e climáticas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A resposta veio com o trabalho “A safe operating space for humanity” (algo como “Um espaço operacional seguro para a humanidade”) publicado na edição desta quarta-feira (23), da revista Nature. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nele, os cientistas propuseram nove elementos que são fundamentais para as condições de vida na Terra: mudanças climáticas; acidificação dos oceanos; interferência nos ciclos globais de nitrogênio e de fósforo; uso de água potável; alterações no uso do solo; carga de aerosóis atmosféricos; poluição química; e a taxa de perda da biodiversidade, tanto terrestre como marinha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Os limites planetários seriam processos que influenciam a habilidade do planeta de se manter em um estado desejável para dar apoio ao desenvolvimento humano. Depois de identificar alguns desses processos, nós sugerimos os pontos de exploração máximos de cada um, mantendo uma margem segura para as conseqüências mais desastrosas”, explicou o líder do estudo, Johan Rockstrom, da Universidade de Estocolmo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao analisar cada um desses limites, o grupo chegou à conclusão que as atividades humanas já ultrapassaram os limites adequados para três delas: mudanças climáticas, biodiversidade e concentração de nitrogênio na atmosfera. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;No caso da biodiversidade, por exemplo, este limite seria menos de 10 extinções para cada um milhão de espécies por ano, porém hoje o registro é de mais de 100 extinções. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Segundo os pesquisadores, ultrapassar essas fronteiras não resulta em desastres imediatos, já que elas foram estabelecidas com alguma margem de segurança. “Entretanto, se continuarmos nesse caminho, veremos efeitos como a desestabilização das calotas polares, a formação de grandes áreas sem vida, mudanças nas monções africanas e indianas e inclusive a transformação da Amazônia em uma enorme savana”, declarou Rockstrom. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os autores, no entanto, ressaltam que o estudo não é um mapa completo para o desenvolvimento sustentável, mas que ele fornece elementos importantes para a identificação dos limites críticos do planeta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Nós estamos propondo essas noções para que sejam discutidas pela comunidade cientifica. Esperamos que o debate ao redor do aquecimento global se amplie, porque não são apenas os gases do efeito estufa que ameaçam o equilíbrio do planeta. Existem muitos outros sistemas, que interagem entre si, então ultrapassar uma fronteira pode resultar na desestabilização de todas”, afirmou um dos co-autores, Sander van der Leeuw, da Universidade do Arizona. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outro co-autor, Will Steffen, da Universidade Nacional da Austrália, explica que a humanidade está começando a forçar o planeta para fora do estável período do Holoceno, que teve início há 10 mil anos e no qual a agricultura e a sociedade complexa floresceram. “A expansão dos seres humanos pode agora enfraquecer a resiliência do Holoceno, que sem a nossa interferência continuaria por mais milhares de anos.” &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Nós estamos entrando agora no ‘Antropoceno’, uma nova era geológica na qual nossas atividades estão ameaçando a capacidade da Terra de regular a si mesma”, afirmou Steffen. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Controvérsia &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Sete críticos independentes convidados pela revista Nature para analisar o estudo, concluíram que, de uma forma geral, os números apresentados não são um consenso ou muito menos fatos comprovados. Porém, eles consideram a idéia de limites inovadora e dizem que pode ajudar as pessoas a verem melhor os problemas ambientais e climáticos como um todo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por exemplo, o presidente do Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas, William Schlesinger, questionou o limite do nitrogênio, que teria sido traçado de uma forma arbitrária. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já Steve Bass, do Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento, afirmou que o limite de solo reservado para a agricultura, que de acordo com a pesquisa deve ser de 15%, pode facilmente também ser estabelecido em 10% ou 20%, dependendo do ponto de vista. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;As formas escolhidas para mensurar os limites também foram questionadas. Para a climatologista da Universidade de Oxford, Myles Allen, as emissões de CO2 deveriam ter sido contadas de forma diferente. Por sua vez, o diretor do Museu de História Natural dos Estados Unidos, Cristian Samper, afirmou que a perda de famílias taxonômicas é muito mais relevante que a perda de espécies. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Peter Brewer, do Instituto de Pesquisas do Aquário da Baia de Monterey, nos EUA, questionou a relevância deste tipo de trabalho. “É realmente útil criar uma lista de limites ambientais sem sugerir planos para como se manter dentro deles? Sem o reconhecimento do que seria necessário econômica e politicamente para evitarmos ultrapassar essas fronteiras, este estudo pode apenas servir como mais um instrumento para assustar a sociedade.” &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os autores do estudo concordaram que não respondem como manter a humanidade dentro dos limites e isto é um ponto insatisfatório do trabalho. Porém reforçam a importância em chamar a atenção para questões que vão além da tão falada emissão de gases do efeito estufa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;“A questão é reconhecer o problema por completo e, então, introduzir medidas políticas que façam da comunidade internacional a guardiã desses limites. Não podemos focar apenas nas mudanças climáticas, precisamos de ações para os oceanos, biodiversidade, recursos naturais etc”, conclui Rockstrom. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.revistaforum.com.br/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.revistaforum.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2847866037593522255?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2847866037593522255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/limites-do-planeta-ja-foram.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2847866037593522255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2847866037593522255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/limites-do-planeta-ja-foram.html' title='Limites do planeta já foram extrapolados, diz estudo'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srz2U8KkS8I/AAAAAAAAAl4/K-xt2HedsWY/s72-c/dia_do_ambiente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-3332571800644159804</id><published>2009-09-22T14:39:00.002-03:00</published><updated>2009-09-22T14:43:03.901-03:00</updated><title type='text'>Maranhão terá sua primeira mina de ouro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkMZSC0sOI/AAAAAAAAAjc/aXNU58QBglk/s1600-h/Folha-290109-ENVIO-b.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384348457978081506" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 119px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkMZSC0sOI/AAAAAAAAAjc/aXNU58QBglk/s200/Folha-290109-ENVIO-b.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  O Maranhão terá sua primeira mina de exploração de ouro e metais não ferrosos. A obra será instalada no município de Godofredo Viana, no distrito de Aurizona. A descoberta de ouro no município remonta aos padres jesuítas que usavam índios e escravos para retirar o metal dos aluviões. Godofredo Viana abrigaria a terceira maior mina de ouro do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, o estado implantou a refinaria de petróleo (Bacabeira), da fábrica de celulose (Imperatriz) e da unidade de aciaria (Açailândia). Para a implantação da mina, o governo do Maranhão vai ajudar a pavimentação asfáltica da estrada, que liga Godofredo Viana ao povoado de Manaus. A obra facilitará o transporte até a primeira mina aurífera do Maranhão. A Mineradora Aurizona já investiu cerca de R$ 30 milhões no local. O empreendimento deve gerar 1.200 empregos diretos e indiretos. O valor do empreendimento é R$ 80 milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mineração Aurizona tem como sócios a Luna Gold Corp, por meio da Aurizona Goldfields Corporation, e a Brascan Recursos Naturais, subsidiária da Brascan Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo estudos da CPRM - Serviço Geológico do Brasil, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a área faz parte do Cinturão do Gurupi, que inclui a região nordeste do Pará e noroeste do Maranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A região abrange municípios como Viseu, Cachoeira do Piriá e Nova Esperança do Piriá, no Pará, e Maracaçumé, no Maranhão. O cinturão é historicamente uma área produtora de ouro em escala artesanal. O mapeamento geológico vem sendo feito nos últimos anos e, em 2008, estava previsto um levantamento aerogeofísico de alta resolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em agosto passado, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a Aeronáutica, o Exército e Marinha receberam R$ 9,1 milhões para manter os trabalhos de execução do Projeto Cartografia da Amazônia. A verba foi repassada pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), que este ano já havia destinado ao projeto R$ 31,6 milhões. Em 2008 foram R$ 68,5 milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo federal prevê investimentos de R$ 350 milhões para fazer o mapeamento cartográfico de uma área de 1.796.256 km2 na Amazônia Legal, compreendendo os estados do Amazonas, Pará, Amapá, Mato Grosso, Maranhão, Roraima e parte do Acre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo é identificar áreas com potencial para futuro aproveitamento de reservas minerais. O projeto começou em 2008 e a cartografia terrestre, geológica e náutica deve ficar pronta em 5 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cartografias ajudarão ainda a desenvolver projetos de infraestrutura, como rodovias, ferrovias, gasodutos e hidrelétricas, além de demarcação de áreas de assentamentos, de mineração, agronegócio e zoneamento ecológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; jornal O Globo &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-3332571800644159804?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/3332571800644159804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/maranhao-tera-sua-primeira-mina-de-ouro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3332571800644159804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3332571800644159804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/maranhao-tera-sua-primeira-mina-de-ouro.html' title='Maranhão terá sua primeira mina de ouro'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkMZSC0sOI/AAAAAAAAAjc/aXNU58QBglk/s72-c/Folha-290109-ENVIO-b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-388825984951330312</id><published>2009-09-22T14:33:00.003-03:00</published><updated>2009-09-22T14:35:46.193-03:00</updated><title type='text'>Quem tem medo da internet?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkK2eaQjnI/AAAAAAAAAjU/WDd2et1DQd0/s1600-h/emir.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384346760490552946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 181px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkK2eaQjnI/AAAAAAAAAjU/WDd2et1DQd0/s200/emir.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Os grãos-tucanos, entre eles o próprio presidente, fizeram tudo o que puderam para censurar a internet. Um colunista da empresa dos Frias vem perguntar “como me livro da internet livre”? Fica clara a resposta: terminando com a internet livre – isso o que pedem e outros.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas quem tem medo da internet? Por que tem gente com medo da internet? É uma pergunta que todos nos devemos fazer, para entendermos o tipo de “democracia” que eles pregam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A isso haveria que acrescentar a perguntar que, nem por ter vindo de Sarney, deixa de ser pertinente: Quem elegeu os donos das empresas monopolistas da mídia? Quem escolheu Otavio Frias Filho, foi seu pai. Da mesma forma as famílias Mesquita, Marinho e Civitas fazem passar de pai para filho. Quem votou por eles? O dinheiro, que permitiu a essas famílias montar uma empresa de mídia, situação que está vedada ao resto dos brasileiros. Aceitariam eles se submeter a um referendo público?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Medo da internet – que os fez torcer, calados, para não aparecer publicamente como estavam a favor da aprovação da censura na internet – tem os que detêm e goza dos privilégios do monopólio. São afetados pelas noticias semanais não somente sobre a crise financeira da mídia tradicional – a receita de publicidade dos jornais norteamericanos caiu 29% só na primeira metade deste ano -, mas também da sua credibilidade: quase dois terços dos nortemaericanos desconfiam das noticias divulgadas pelo jornalismo, o índice de credibilidade mais baixo desde que o Pewe Research Center começou a fazer esse tipo de pesquisa, em 1985.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Respondamos cancelando a assinatura dos seus jornais, deixando de ver seus programas de rádio e televisão. Mostrando como a internet nos permite informar-nos de maneira muito mais pluralista. Na internet se pode ler aos jornais que nos interessam, de qualquer lugar do mundo, interagindo, opinando, criando novos espaços.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tenhamos claro que os que têm medo da internet são os que usufruem dos monopólios, os que se submetem aos patrões que lhes pagam salários e lhes garantem espaços de que eles acreditavam que dependeríamos para conhecer o Brasil e o mundo. São os que acusam governos, partidos, movimentos sociais, de não serem democráticos, mas estão a favor da censura e da ditadura, como agora fica claro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem têm medo da internet, têm medo da democracia, têm medo da cidadania, têm medo do povo. Têm medo de ser derrotado de novo nas urnas. Têm medo de que o povo, uma vez mais, como declarou um deles, “derrote a opinião pública”. Opinião pública que, nas palavras do Millor, quando não era empregado dos Civita e tinha graça: “Opinião pública é a opinião que se publica”. Prezam uma falta opinião pública. Têm medo da internet, porque ela faz com que o que se publique não seja apenas o que eles decidem. Viva a internet, viva a democracia, viva o pluralismo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Blog do Emir Sader&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-388825984951330312?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/388825984951330312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/quem-tem-medo-da-internet.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/388825984951330312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/388825984951330312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/quem-tem-medo-da-internet.html' title='Quem tem medo da internet?'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkK2eaQjnI/AAAAAAAAAjU/WDd2et1DQd0/s72-c/emir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-6273158568175771045</id><published>2009-09-22T14:26:00.002-03:00</published><updated>2009-09-22T14:31:37.312-03:00</updated><title type='text'>Serra, a única opção da direita</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkJjBdvizI/AAAAAAAAAjM/_puAyblIxdY/s1600-h/Gilson%20Caroni.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384345326791396146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 99px; CURSOR: hand; HEIGHT: 113px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkJjBdvizI/AAAAAAAAAjM/_puAyblIxdY/s200/Gilson%2520Caroni.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;em&gt;Nunca foi tão nítida a distinção entre esquerda e direita no Brasil. Forjar falsos consensos no ano que antecede um pleito majoritário, uma disputa em que tudo "é ou bola ou búlica" apenas serve para levar água para os moinhos da direita. A moagem que só interessa à candidatura de José Serra.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Gilson Caroni Filho*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao afirmar, em discurso na sede do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), que os atuais pré-candidatos à presidência da República têm todos origem na esquerda, Lula desenhou um cenário que precisa ser melhor delineado para entendermos seus desdobramentos. Qual seria o alcance dessa observação feita em clima de descontração? Onde estão seus limites teórico-políticos? Por que foi rapidamente endossada pela grande imprensa e por conhecidos acadêmicos que pontificam em suas folhas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se, por sua trajetória pessoal, o governador de São Paulo, José Serra, em princípio, não chega a ser o “queridinho do mercado", é bom lembrar que circunstâncias históricas particulares não raramente produzem uma alteração diferencial do voto conservador. Sua provável candidatura vem de uma linhagem político-partidária definida desde a eleição de Fernando Henrique em 1994. Um consórcio que, por oito anos, abrigou parte dos grupos oligárquicos mais reacionários da política brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não faltará quem argumente que os maiores problemas de Serra serão o entorno e a política de alianças que terá que manter. Lorota, falácia pura. Como lembrou o sociólogo Chico de Oliveira em entrevista para a Revista Adusp, dois anos após a vitória de FHC, "a liderança da coalizão que sucateou o país sempre coube ao PSDB". Foram desse partido, e não do PFL, as diretrizes do neoliberalismo, de uma modernização conservadora que, reforçando as estruturas oligárquicas do Estado brasileiro, aprofundou o fisiologismo e o patrimonialismo que impedem a republicanização da prática política e do gerenciamento das demandas populares.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Afirmações que dão como esgotadas as contradições entre tucanos e petistas são mais exercícios de transformismo do que análises calcadas em qualquer evidência. Ignoram que a identidade partidária é, sobretudo, um fenômeno vinculado ao que é construído na participação política e no exercício do poder. Fingem não se dar conta de que os avanços obtidos no governo do presidente Lula dramatizam a urgência de profundas reformulações político-institucionais. E é isso que estará no centro das eleições de 2010: da consolidação das políticas sociais ao marco regulatório do pré-sal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com sua política de terra arrasada, o governo FHC açulou várias contradições e antagonismos da sociedade brasileira. Porém, ao mesmo tempo em que as levou ao paroxismo, construiu uma unidade de pensamento que aglutinou parcelas expressivas da população em torno de aspirações de uma mudança substantiva nas estruturas que sustentavam a ordem social vigente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) relativa ao ano de 2008 atestam a inegável inflexão ocorrida no país. Um quadro totalmente distinto daquele herdado em 2002, quando 46 milhões de habitantes viviam abaixo da linha da pobreza. Sem contar os 20% de desempregados e os que, mantendo os postos, sofriam uma queda de 10% na renda nacional.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se a fluidez do processo político brasileiro com freqüência prepara armadilhas para o analista, a identificação dos núcleos de inconformismo com os avanços obtidos permite uma clivagem segura. O governador Serra conta com o apoio da grande mídia e dos segmentos mais associados a modelos excludentes e a políticas externas marcadas por inserção subalterna no cenário mundial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Votam no governador os que defendem o Estado mínimo, os que advogam que o mercado é um mecanismo capaz de auto-regulação perfeita, os que se opõem a uma mudança de paradigma econômico, em suma, a direita truculenta que nunca teve qualquer projeto de país ou compromisso com a democracia. Os que se negam a passar a limpo radicalmente as instituições políticas, econômicas e culturais. Toda esta acumulação de farsa se reagrupa novamente sob a plumagem do tucanato.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dessa vez, ao contrário de outros momentos da história brasileira, há partidos políticos do campo democrático-popular consolidados e lideranças que podem assumir com coerência e nitidez a vocação renovadora exigida pela nova cidadania brasileira. Nunca foi tão nítida a distinção entre esquerda e direita. Forjar falsos consensos no ano que antecede um pleito majoritário, uma disputa em que tudo "é ou bola ou búlica" apenas serve para levar água para os moinhos da direita. A moagem que só interessa à candidatura de José Serra.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Gilson Caroni Filho&lt;/strong&gt; é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Site carta maior&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-6273158568175771045?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/6273158568175771045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/serra-unica-opcao-da-direita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/6273158568175771045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/6273158568175771045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/serra-unica-opcao-da-direita.html' title='Serra, a única opção da direita'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrkJjBdvizI/AAAAAAAAAjM/_puAyblIxdY/s72-c/Gilson%2520Caroni.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2957862965910326543</id><published>2009-09-18T18:36:00.002-03:00</published><updated>2009-09-18T18:40:25.549-03:00</updated><title type='text'>Nordeste ainda tem o maior índice de pessoas que não sabem ler e escrever</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrP92kVZW9I/AAAAAAAAAjE/DUqhqjZ_Weo/s1600-h/livros.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382925093546056658" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrP92kVZW9I/AAAAAAAAAjE/DUqhqjZ_Weo/s200/livros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  As desigualdades regionais persistem no acesso à educação, com reflexo no analfabetismo. O problema é muito mais evidente no Nordeste, onde o índice de pessoas que não sabem ler e escrever um bilhete simples é de 19,4%, quase o dobro da média nacional (10%), conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o coordenador do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, os dados divulgados hoje, 18, “espelham um certo apartheid de oportunidades educacionais”, que requer novas estratégias para ser superado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que tem impacto nesse analfabetismo, que permanece no mesmo patamar, é a evasão significativa dos alunos. Em geral, eles moram em lugares distantes [dos centros urbanos], trabalham durante o dia, em geral no campo, ficam muito cansados para estudar e têm dificuldades naturais de permanecer na escola”, explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As desigualdades entre as regiões também são evidentes no que se refere à média de anos de estudo da população. Em 2008, a parcela com mais de 10 anos de idade completou 7,1 anos na escola, em média. No Nordeste, o índice é o menor do país, de 5,9 anos, e no Sudeste, o maior, de 7,7 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há até dois anos, no Maranhão, 48 municípios não ofereciam ensino médio. Coisas assim levam a um desenvolvimento inferior do Nordeste em relação a outra parte mais rica do país”, destacou Mozart Neves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os sexos, a taxa de analfabetismo é maior entre os homens com 15 anos ou mais – de 10,2%. Para mulheres da mesma faixa etária é de 9,8% em todo o país. A Pnad ressalta, entretanto, que nas regiões Sul e Sudeste o problema é maior entre as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/09/17/materia.2009-09-17.1280534287/view"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agência Brasil&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2957862965910326543?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2957862965910326543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/nordeste-ainda-tem-o-maior-indice-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2957862965910326543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2957862965910326543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/nordeste-ainda-tem-o-maior-indice-de.html' title='Nordeste ainda tem o maior índice de pessoas que não sabem ler e escrever'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SrP92kVZW9I/AAAAAAAAAjE/DUqhqjZ_Weo/s72-c/livros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-2436972888477651616</id><published>2009-09-15T13:27:00.003-03:00</published><updated>2009-09-15T13:40:44.981-03:00</updated><title type='text'>Partilha do sensível</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sq_DNx_4tlI/AAAAAAAAAi8/XblBqDE7prc/s1600-h/entrevista3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381734721258042962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 147px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sq_DNx_4tlI/AAAAAAAAAi8/XblBqDE7prc/s200/entrevista3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;em&gt;A associação entre arte e política segundo o filósofo Jacques Rancière&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para Jacques Rancière (&lt;em&gt;foto&lt;/em&gt;), política e arte têm uma origem comum. Em suas obras, o filósofo francês desenvolve uma teoria em torno da "partilha do sensível", conceito que descreve a formação da comunidade política com base no encontro discordante das percepções individuais. A política, para ele, é essencialmente estética, ou seja, está fundada sobre o mundo sensível, assim como a expressão artística. Por isso, um regime político só pode ser democrático se incentivar a multiplicidade de manifestações dentro da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recém-lançado na França, seu último livro, Le spectateur émancipé (O espectador emancipado - ainda inédito no Brasil),debate a recepção da arte e a importância - ética e política - da posição do espectador. O volume é uma compilação de conferências realizadas por ele nos últimos anos, uma delas no Sesc, em São Paulo. Em 2002, uma de suas principais obras, O mestre ignorante, foi traduzida e distribuída gratuitamente entre professores em formação no Rio de Janeiro. Trata-se da história de Joseph Jacotot, que, no século 19, ensinou a língua francesa a jovens holandeses da classe operária. Detalhe: nem mesmo o professor conhecia o idioma de Zola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente discípulo do filósofo marxista Louis Althusser e coautor de Ler O capital, de 1965, Rancière afastou-se do pensamento do mestre nos anos 1970. Rejeitou a ortodoxia marxista da época, mas jamais deixou de se considerar um homem de esquerda. Até se aposentar em 2000, foi professor da Universidade Paris 8, fundada para acolher formas de pensamento que não encotravam espaço no ambiente da Sorbonne. Sua ligação com o Brasil é antiga. Sua esposa, Danielle Ancier, era professora de filosofia na USP em 1968. Eles se conheceram quando ele esteve no país para uma conferência sobre Ler O capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo nos recebeu em seu apartamento no nono arrondissement parisiense. Perto de completar 70 anos, afirma que "o presente não é muito alegre", mas critica as visões saudosistas de parte da esquerda. Defensor do ativismo social, ele comenta a ascensão dos ecologistas e questiona a ideia de um mundo dominado por imagens. Convidado para um colóquio no Rio de Janeiro pelo Ano da França no Brasil, ele recusou em função de um conflito de agenda, mas concendeu a seguinte entrevista para a CULT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT &lt;/strong&gt;- &lt;strong&gt;Seu último livro, Le spectateur émancipé, menciona o teatro, as artes performáticas, a fotografia, as artes visuais e o cinema, mas não fala de TV. O espectador de TV também é ativo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jacques Rancière&lt;/strong&gt; - No meu livro, eu tentei reinterpretar a relação das pessoas com o espetáculo sem me interessar tanto pela questão das mídias. Mas me centrei mais na ideia, tão comum, de que "agora não há nada mais além da TV... não há mais arte, não há mais cultura, não há mais literatura, nada".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há casos em que o espectador está na frente da TV mudando de canal sem prestar atenção ao que está vendo. Eu me preocupei mais com o cinema, as artes plásticas, nos quais uma relação forte do olhar está pressuposta. A TV, de modo geral, não pressupõe um olhar forte, mas um olhar alienado ou distraído.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No espetáculo, o espectador de teatro é levado a trabalhar, porque aquilo que ele tem à sua frente o obriga a um trabalho de síntese. É preciso sair de uma peça, de uma exposição ou do cinema com certa ideia na cabeça, o que não necessariamente é o caso da televisão, em que as coisas podem simplesmente passar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já um lugar onde os espectadores se encontram, para as artes performáticas, por exemplo, implica um recorte fechado no tempo. Não é uma questão de suporte, mas do tipo de atitude e de atenção criadas. Podemos nos colocar na frente de um filme de TV com a postura de quem está no cinema. Nesse momento, nós agimos como o espectador de cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT&lt;/strong&gt; - &lt;strong&gt;O senhor rejeita a ideia de estetização da política que encontramos em Walter Benjamin. Como podemos interpretar a manipulação das sensações dentro do campo político? Por exemplo, o incentivo ao medo do terrorismo, a apresentação de políticos como mercadorias não seriam maneiras de estetizar a relação das pessoas com o poder político?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - Penso que a política tem sempre uma dimensão estética, o que é verdade também para o exercício das formas de poder. De certa maneira, não há uma mudança qualitativa entre o discurso em torno do terrorismo hoje e o discurso midiático contra os trabalhadores no século 19, que dizia que os operários contestadores cortavam pessoas em pedaços. Sempre houve, digamos, uma série de discursos organizados pelo poder. Eventualmente, eles serviram como forma de ilustração. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não há novidade radical. A estética e a política são maneiras de organizar o sensível: de dar a entender, de dar a ver, de construir a visibilidade e a inteligibilidade dos acontecimentos. Para mim, é um dado permanente. É diferente da ideia benjaminiana de que o exercício do poder teria se estetizado num momento específico. Benjamin é sensível às formas e manifestações do Terceiro Reich, mas é preciso dizer que o poder sempre funcionou com manifestações espetaculares, seja na Grécia clássica, seja nas monarquias modernas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há um momento em que é preciso distinguir duas coisas: de um lado, a adoção de certas formas espetaculares de mise-en-scène do poder e da comunidade. De outro, a ideia mesma de comunidade. É preciso saber se pensamos a comunidade política simplesmente como um grupo de indivíduos governados por um poder ou se a pensamos como um organismo animado. Na imaginação das comunidades há sempre esse jogo, essa oscilação entre a representação jurídica e uma representação estética. Mas não creio que se possa definir um momento preciso de estetização da comunidade. Por exemplo, o nazismo, que é usado frequentemente como exemplo de política estetizada, na verdade também recuperou a estética de seu tempo. Pense nas demostrações dos grupos de ginástica em Praga nos anos 1930. Eram associações apolíticas ou absolutamente democráticas, com a mesma estética que encontramos no nazismo. Para mim, é preciso tomar distância da ideia de um momento totalitário da história marcado especialmente pela estetização política, como se pudéssemos inscrever isso num momento de anti-história das formas estéticas da política e das formas de espetacularização do poder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;CULT - Uma das críticas mais frequentes à arte contemporânea é a impossibilidade de definir o que é uma obra de arte e o que não é. O senhor escreve que, "para que uma maneira de fazer técnica seja qualificada como artística, primeiro é preciso que seu tema o seja". Como definir a obra de arte ou a arte em si?- Uma das críticas mais frequentes à arte contemporânea é a impossibilidade de definir o que é uma obra de arte e o que não é. O senhor escreve que, "para que uma maneira de fazer técnica seja qualificada como artística, primeiro é preciso que seu tema o seja". Como definir a obra de arte ou a arte em si? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - Não definimos a obra de arte como "obra". O que eu digo, no fundo, é que uma forma de arte é sempre ligada à dignidade dos temas. O romance torna-se grande arte quando a vida de qualquer um se tranforma em arte. A fotografia no cinema não é só uma forma de mostrar o visível, mas mostra que uma cena de rua ou a vida de qualquer pessoa tem direito de ser citada na arte. A partir do momento em que tudo é representável, não há mais especificidade. A especificidade não será dada, enfim, pela técnica em particular, mas pelos códigos de apresentação. Mais uma vez, não creio que haja uma radicalidade nova.Há algumas décadas, as análises de Arthur Danto vieram dizer que somente a instituição é quem faz a obra de arte. De certa maneira, isso sempre foi verdadeiro. A "representação da representação" ligada a certo tipo de procedimento ou de instituição sempre foi necessária para identificar uma coisa como pertencente ao universo da arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - Mas, hoje, mesmo uma grande parte do público questiona o fato de estar vendo "arte". Não há uma maior distância entre a apresentação e a recepção?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - Vivemos hoje em dia a contradição máxima, qualquer coisa pode entrar na esfera da arte. Mais do que nunca, a arte, hoje, se constitui como uma esfera à parte, com as pessoas que a produzem, com as instituições que a fazem circular, seus críticos. Numa época em que os afrescos de uma igreja eram o que se considerava arte, essa questão simplesmente não se colocava, porque a arte não existia como instituição. É a contradição constitutiva do regime estético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - A última Bienal de São Paulo tinha um andar inteiramente vazio, simbolizando o vazio na arte. Como podemos interpretar esse vazio? O senhor fala do fim da arte utópica. O vazio seria a arte "atópica"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - Podemos fazer o vazio significar várias coisas. Há artistas que organizam retrospectivas de suas obras, e o que vemos? Nada. Há apenas guias que falam. Há muitas possibilidades. Podemos conceber uma exposição sobre o tema do vazio no modernismo duro. Ou então imaginar uma exposição pós-moderna desencantada "mostrando o vazio porque a arte contemporânea é vazia". Ou ainda criar uma exposição em termos conceituais, em que efetivamente substituímos as obras pelo discurso sobre as obras, e assim por diante.&lt;br /&gt;Mas a verdade é que eu nunca estou muito interessado por esse tipo de estratégia. Se partimos da ideia de que não há nada, é preciso mostrar que não há nada, e mostrar que o que há não vale nada, e assim por diante. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;São estratégias eficazes, mas não tão interessantes. Quando não sabemos muito bem como qualificar algo, sempre podemos fazer uso do "vazio". Eu me lembro da Bienal de Veneza de dois anos atrás, em que havia uma multiplicidade de obras neo-naïf, neoexpressionistas, como iconografia provocante. Há multiplas estratégias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - O senhor critica muitas vezes a separação a priori entre atividade e passividade. Nesse contexto, como analisa as tecnologias colaborativas que estão surgindo na atividade artística?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - O que digo não é especialmente ligado à arte colaborativa. Em primeiro lugar, toda atividade comporta também uma posição de espectador. Agimos sempre, também, como espectadores do mundo.Em segundo lugar, toda posição de espectador já é uma posição de intérprete, com um olhar que desvia o sentido do espetáculo. É minha tese global, que não está ligada só a uma arte interativa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Todas as obras que se propõem como interativas, de certa maneira, definem as regras do jogo. Então, esse tipo de obra pode acabar sendo mais impositivo do que uma arte que está diante do espectador e com a qual ele pode fazer o que bem entender.Podemos dizer, então, que as obras estão no museu, na galeria, na internet, e o espectador é convidado a colaborar. Mas isso é só mais uma forma de participação, e não necessariamente a mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - O senhor recupera o lado político da literatura, graças a seu poder de reconfigurar os modos de existência, e evoca a passagem de Aristóteles em que ele diz que o ser humano é político porque possui o logos, ou seja, é capaz de fazer discursos. Hoje, os meios de publicação tradicionais, jornais, editoras etc. estão ameaçados por formas como blogs e redes sociais. Que tipo de mudanças podemos esperar na vida política com essas novas formas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - Isso depende de até que ponto a internet define uma escritura específica. Para mim, na verdade, a internet define essencialmente apenas um modo específico de circulação da informação, que não nega as formas anteriores da escrita. Dá para consultar, numa infinidade de sites, as obras clássicas da literatura e da filosofia, ao mesmo tempo em que existe a linguagem SMS.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo circula, cada vez mais rápido e com mais facilidade: da linguagem minimalista dos SMS aos livros todos, digitalizados pelas grandes bibliotecas. Muitas vezes, recuperam-se livros que não podem mais ser encontrados no papel. Desconfio sempre desse discurso de que o Google vai matar o livro. Não há motivo, porque podemos ler livros no Google.Para pensar essa questão da política e da literatura na era da internet, precisamos primeiro pensar nas relações entre tipos de mensagem. A internet é, para mim, um suporte que não vem associado a um tipo de mensagem particular. Portanto, não deve causar grandes mudanças.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É diferente do que aconteceu com a chegada do cinema, por exemplo. Podemos constatar que a literatura não tem hoje o papel que tinha no século 19. Apesar do número enorme de romances publicados, poucos são os que remodelam a imagem do indivíduo e da comunidade. Esse papel foi assumido pelo cinema. A literatura oferecia uma capacidade de alargar as formas de percepção do mundo e da comunidade, ela agia sobre a visão e o sentimento de praticamente qualquer um. Hoje, quem faz isso é o cinema, a televisão, a internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - Até há pouco tempo, havia Bush e Dick Cheney de um lado e, de outro, a Europa como uma espécie de guardiã do "bom senso" na política. Agora, os norte-americanos elegeram Obama e os europeus escolheram Sarkozy e Berlusconi, acompanhados por um fortalecimento geral dos partidos conservadores. Falando das eleições de 2002, o senhor disse que não se pode vencer a extrema direita associando-se ao consenso e às oligarquias. O ano de 2009 é a conclusão do que começou em 2002?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière &lt;/strong&gt;- Não acho que podemos comparar. Em 2009, foram eleições europeias. Se tomamos o caso da França, em 2005 houve o referendo da Constitição Europeia e a União triunfou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 2007, Sarkozy chegou ao poder e renegociou os poderes dessa Constituição. Ele decidiu que não se submeteria ao referendo pois, segundo ele, havia questões importantes de Estado envolvidas. Esse é um primeiro ponto. É preciso dizer que falamos de 40% do eleitorado que votou e é preciso pensar nos 60% que não votou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mudança entre 2002 e 2009 é que a parte do corpo eleitoral que não votou está mais à esquerda. A vitória da direita está ligada mais ao fato de que o eleitorado de esquerda não se reconhece nos partidos de esquerda, do que numa conversão da população inteira ao sarkozismo. O eleitorado de direita está contente com o que tem, está contente com Sarkozy e Berlusconi.&lt;br /&gt;O eleitorado de esquerda não está satisfeito nem com os homens que estão poder, como Gordon Brown, nem com os que estão na oposição, e o melhor exemplo é a oposição socialista na França. Não acho que haja um crescimento extraordinário da direita e da extrema direita, mas sim um desencanto da esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - Mas a crise gerou nos Estados Unidos um abandono da direita, representada por Bush...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière &lt;/strong&gt;- Houve uma mobilização enorme em torno das eleições norte-americanas. Uma série de pessoas que nunca tinham votado foi votar pela primeira vez, especialmente os negros.&lt;br /&gt;No caso da Europa, foi o contrário. Há países onde apenas 20% dos eleitores votaram, e só 40% na França. Não acho que esse contraponto deva ser pensado em relação direta com a crise financeira. O resultado foi precipitado por ela, mas a ideia de Obama contra Bush remete a uma insatisfação anterior e mais fundamental do que a mera reação à crise econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - Os desinteresses pela política e pela arte seriam duas vertentes da mesma situação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - Não tenho certeza, até porque o desinteresse pela política não é tão claro assim. Muita gente votou nas eleições presidenciais há dois anos. Nas eleições europeias, aparentemente muitas pessoas que normalmente votam não votaram, e muita gente que não costuma votar saiu de casa porque queria salvar o planeta. Esse é um primeiro aspecto.O segundo é que não creio que haja um desinteresse pela estética, pela arte. As pessoas ainda vão ver Jeff Koons em Versalhes. O interesse pelos artistas ainda é muito importante. É verdade que de vez em quando há coisas desastrosas, teve La force de l'art no Grand Palais e estava sempre deserto, mas as pessoas se davam cotoveladas para ver Picasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - Se a mudança do mundo passa por reconfigurações da maneira de pensar e entender a realidade, então ela não passa pelas revoluções como as conhecemos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - Podemos pensar nisso baseados nas revoluções que já aconteceram. Em primeiro lugar, uma revolução é uma ruptura na ordem do que é visível, pensável, realizável, o universo do possível. Os movimentos de revolução sempre tiveram a forma de bolas de neve.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A partir do momento em que um poder legítimo se encontra deslegitimizado, parece que não está em condições de reinar pela força, porque caíram todas as estruturas que legitimam a força. Criam-se cenas inéditas, aparecem pessoas que não eram visíveis, pessoas na rua, nas barricadas. As instituições perdem a legitimidade, aparecem novos modos de palavra, novos meios de fazer circular a informação, novas formas da economia, e assim por diante. É uma ruptura do universo sensível que cria uma miríade de possibilidades.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não penso as revoluções, nenhuma delas, como etapas de um processo histórico, ascensão de uma classe, triunfo de um partido, e assim por diante. Não há teoria da revolução que diga como ela nasce e como conduzi-la, porque, cada vez que ela começa, o que existia antes já não é válido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Existe uma carta interessante de Marx, um pouco após 1848, quando os socialistas pensavam que as estruturas seriam abaladas mais uma vez. Ele diz que as revoluções não funcionam como os fenômenos científicos normais, são mais como os fenômenos imprevisíveis, os terremotos. Não sabemos como elas vão se comportar. Todas as teorias científicas, estratégicas, das revoluções demonstram isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - Não podemos antecipá-las...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière -&lt;/strong&gt; Podemos prepará-las, mas não antecipá-las. A temporalidade autônoma de uma revolução, os espaços que elas criam não correspondem jamais ao quadro conceitual que temos no início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - A estratégia da esquerda tradicional é o confronto aberto, o que se opõe à sua teoria de reconfiguração estética da vida política...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - Temos de pensar na estética em sentido largo, como modos de percepção e sensibilidade, a maneira pela qual os indivíduos e grupos constroem o mundo. É um processo estético que cria o novo, ou seja, desloca os dados do problema.&lt;br /&gt;Os universos de percepção não compreendem mais os mesmos objetos, nem os mesmos sujeitos, não funcionam mais nas mesmas regras, então instauram possibilidades inéditas. Não é simplesmente que as revoluções caiam do céu, mas os processos de emancipação que funcionam são aqueles que tornam as pessoas capazes de inventar práticas que não existiam ainda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não sou contra processos cumulativos, claro: se imigrantes ilegais têm capacidade de fazer greves e manifestações em condições perigosas para eles mesmos, isso define um alargamento não só do poder e das capacidades que temos, mas também do mundo no qual inscrevemos nossas ações e nosso pensamento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A transformação dos mundos vividos é completamente diferente da elaboração de estratégias para a tomada do poder. Se há um movimento de emancipação, há uma transformação do universo dos possíveis, da percepção e da ação, então podemos imaginar como consequência também um movimento de tipo revolucionário, de tomada do poder. É claro que estamos falando do passado, porque o presente não é muito alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - Por que "o presente não é muito alegre"?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - O presente não é alegre porque não há esperanças fortes, digamos assim, que sustentem os movimentos existentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por exemplo, a recente greve das universidades, que criou algumas formas de manifestação, digamos, particulares: cursos na rua, no metrô, invenções para deslocar para o campo da sociedade como um todo o problema que atinge o ensino superior francês.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas todas essas inovações foram completamente isoladas do ponto de vista da informação. O ano de 1968 existiu em parte porque o rádio cobria profundamente o movimento estudantil, sabia-se tudo que acontecia, havia uma geração de jovens repórteres de rádio que fez circular as informações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora, aconteceu o contrário. A mídia aprisionou o movimento universitário numa espécie de paisagem hostil, gente que não entendia, que dizia coisas alucinantes. O partido majoritário de direita (UMP) criou associações de pais de estudantes exigindo o reembolso das inscrições porque os estudantes não tiveram aula. Isso era impensável há dez anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As forças da dominação e da exploração aumentaram consideravelmente seus meios de ação. Diante da crise financeira, não vimos nenhum discurso forte e sério contra o capitalismo, só esses pequenos grupos e partidos anticapitalistas com as mesmas ideias de décadas atrás. Nada que trouxesse esperança, movimentos com ideias alternativas a uma concepção hegemônica confrontada com suas próprias contradições.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O presente não é muito alegre porque as forças da dominação e da exploração fizeram progressos consideráveis. Estudei, por exemplo, o movimento operário do século 19, que criou novas formas de associação e de visão do mundo e que resultou em movimentos políticos que, como sabemos, falharam. Mas é certo que o universo dos possíveis foi amplamente reformulado. O povo em manifestação podia algo que não podia antes, diante da realeza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No mesmo sentido, o operariado adquiriu novos poderes e direitos face aos patrões. As formas de comunicação se comunicam entre elas e criam um universo de circulação de energia, ideias, vontades. Foi muito marcante, em 1968, vermos surgirem de repente, em diversos lugares ao mesmo tempo, formas de contestação e de ação.&lt;br /&gt;É claro que tudo isso caiu com o movimento, mas foi um momento em que os estudantes viram que podiam fazer o mesmo que os operários, e vice-versa. Criaram-se formas de ação completamente imprevistas. O que se transmite são aberturas do campo do possível, não do campo estratégico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CULT - No interior de sua distinção entre política e polícia, como podemos interpretar o crescimento da vigilância e do controle? Por que fizemos essa escolha, em vez do encontro político?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Rancière&lt;/strong&gt; - É a lógica do funcionamento dos Estados como instâncias de administração, e dos sistemas midiáticos: trocar a política pela identificação de problemas que precisam ser solucionados. Se não é o conflito que é motor, o motor é uma espécie de patologia da vida política que a administração se propõe a remediar. É o modo de funcionamento do Estado moderno. De um lado, há uma pretensão ao objetivismo, identificar os problemas e as imperfeições da sociedade, e, de outro lado, precisamente essa espécie de objetivismo idealizado é, essencialmente, uma questão de gestão das opiniões.Tomando a questão da segurança, qual é o balanço da gestão de Sarkozy, primeiro como ministro do Interior, depois como presidente da República? Um desastre. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Estamos muito menos seguros do que antes. O que está em funcionamento é a gestão da insegurança como um sentimento para agregar as pessoas em torno de um poder que gerencia a segurança. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Resisto muito às teorias paranoicas de "sociedade de controle" que dizem que "somos observados e controlados em todo canto". No 11 de Setembro, vimos como as pessoas podem passar tranquilamente diante das câmeras de segurança e fazer seu atentado sem serem molestadas. Acredito muito mais na ideia de uma administração ideológica, no sentido tradicional, dos sentimentos, particularmente no que diz respeito à segurança.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Criamos um sentimento de que vivemos na insegurança e precisamos de gestores de segurança. Isso cria uma legitimação de decisões autoritárias que podem se estender a praticamente tudo. No fim, a segurança acaba significando qualquer coisa. A pobreza dos subúrbios, a saúde dos idosos, os "países terroristas" pelo mundo, os poluidores, qualquer coisa.A segurança vira um sentimento de perigo onipresente, extrapolando a ideia da proteção das "pessoas de bem" contra os maus de qualquer tipo. Isso cria estruturas de gestão estatais e interestatais, que não são necessariamente da ordem do controle minucioso ou do terror, mas de um sentimento flutuante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Revista Cult&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-2436972888477651616?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/2436972888477651616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/partilha-do-sensivel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2436972888477651616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/2436972888477651616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/partilha-do-sensivel.html' title='Partilha do sensível'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sq_DNx_4tlI/AAAAAAAAAi8/XblBqDE7prc/s72-c/entrevista3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-5646013767176879502</id><published>2009-09-14T17:06:00.003-03:00</published><updated>2009-09-14T17:21:06.690-03:00</updated><title type='text'>Conteúdo sobre Corrupção</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sq6kMEJOrQI/AAAAAAAAAi0/I3Y4iugWJlM/s1600-h/porta_virtual.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381419131932159234" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sq6kMEJOrQI/AAAAAAAAAi0/I3Y4iugWJlM/s200/porta_virtual.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Nações Unidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.unodc.org/brazil/pt/programasglobais_corrupcao.html"&gt;http://www.unodc.org/brazil/pt/programasglobais_corrupcao.html&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.unodc.org/brazil/pt/programasglobais_corrupcao_causa.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Overmundo&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/a-corrupcao-no-brasil"&gt;http://www.overmundo.com.br/overblog/a-corrupcao-no-brasil&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wikipedia&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrup%C3%A7%C3%A3o_pol%C3%ADtica"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrup%C3%A7%C3%A3o_pol%C3%ADtica&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stephen Kanitz&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.kanitz.com.br/veja/corrupcao.asp"&gt;http://www.kanitz.com.br/veja/corrupcao.asp&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja&lt;br /&gt;&lt;a href="http://veja.abril.uol.com.br/idade/exclusivo/271102/p_054.html"&gt;http://veja.abril.uol.com.br/idade/exclusivo/271102/p_054.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-5646013767176879502?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/5646013767176879502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/conteudo-sobre-corrupcao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5646013767176879502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5646013767176879502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/conteudo-sobre-corrupcao.html' title='Conteúdo sobre Corrupção'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sq6kMEJOrQI/AAAAAAAAAi0/I3Y4iugWJlM/s72-c/porta_virtual.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-7320673221565755981</id><published>2009-09-14T16:54:00.002-03:00</published><updated>2009-09-14T17:04:02.353-03:00</updated><title type='text'>Corrupção</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sq6hVD42OnI/AAAAAAAAAis/o2rJY2Jm8fI/s1600-h/Brasil+-+corrupcao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381415987947387506" style="FLOAT: left; 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Envolve uma série de atos e comportamentos tais como: extorsão, peculato, prevaricação, nepotismo, patrimonialismo, entre outros.&lt;br /&gt;A corrupção é um fenômeno social complexo e de múltiplas facetas, podendo ocorrer tanto na esfera privada quanto na pública. Na primeira dá-se o nome de fraude e a segunda, pode ser subdividida em burocrática e política. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a name="Discussões em sala de aula"&gt;&lt;strong&gt;Discussões em sala de aula&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrupção existe no Brasil desde seu descobrimento. Já a encontramos no pedido de Pero Vaz de Caminha a El-Rei D. Manuel, em 1.º de maio de 1500, quando ele pediu por seu genro, ladrão, degredado em São Tomé. No final de sua carta, diz o escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, com em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — que d’Ela receberei em muita mercê&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Uma das características mais marcantes do nosso governo é a complacência com o crime e da impunidade que a cada dia que passa é impulsionada pelas falhas do nosso sistema punitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vemos uma grande indignação em relação a corrupção no país mas, muitas vezes, criamos desculpas para as oportunidades de corrupção e favorecimento que surgem para nós. Atualmente, nós vivemos um grande dilema ético. Será que nós também somos corruptos? Será que a situação difícil do país justifica nossa corrupção? Será que não somos corruptos porque não temos oportunidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não podermos responder todas as questões levantadas acima, pelo menos, devemos ter consciência que não existe corrupção benéfica e que o julgamento e interpretação pessoal pode prejudicar o cumprimento das leis gerando cada vez mais corrupção, que hoje é considerado um dos maiores males do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura brasileira facilita a corrupção, vemos o número de políticos corruptos crescerem a cada ano, mas será que podemos dizer que a solução seria mudar o sistema, leis e instituições? Com certeza, a melhoria do nosso sistema e instituições e o maior rigor no cumprimento das leis seriam um bom começo para a mudança da mentalidade do país, mas deveríamos também ser mais rígidos em nossas correções e punições para os que os que ainda não se corromperam não sejam incentivados pelo nosso sistema de punição precário e principalmente devemos tentar mudar nós mesmo que a cada dia estamos contribuindo para o crescimento de um sistema corrupto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a name="Causas da Corrupção"&gt;&lt;strong&gt;Causas da Corrupção&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Diversas causas levam à corrupção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fiscalização precária. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;A certeza da impunidade é fator altamente determinante para o crescente aumento e generalização da corrupção; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;As disparidades salariais do serviço público. Servidores com altos salários, quase sempre desproporcionais aos cargos que ocupam; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A burocracia complexa e enervante, que possibilita a corrupção; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A figura do intermediário, do despachante, a exigir propinas em troca de facilidades; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;A ineficiência do serviço público, que, atua como incentivador da corrupção, pois o particular não crê que será bem atendido sem propinar o funcionário público; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Os altos tributos que fazem com que empresas os soneguem para sobreviverem; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A pletora de leis confusas, levando a uma série de interpretações por parte do administrador, que podem propiciar a corrupção; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;O consumismo desenfreado. Para satisfazê-lo, o indivíduo quer enriquecer, e enriquecer depressa, levar vantagem em tudo; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a name="Como combater a corrupção"&gt;&lt;strong&gt;Como combater a corrupção&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Combate-se a corrupção com:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a redução da burocracia; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a transparência aos atos administrativos; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;uma maior fiscalização por parte dos tribunais de contas, que devem agir com mais eficiência e rapidez; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;liberdade total da imprensa investigativa; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;eficiência e celeridade da Justiça para julgar os processos de corrupção, evitando o sentimento de impunidade no povo; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o controle externo do Poder Judiciário; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;a educação do povo, mostrando aos jovens os prejuízos causados pela corrupção; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;a formação do caráter do homem, incutindo-lhe o porquê de ser honesto.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a name="Corrupção no Brasil"&gt;&lt;strong&gt;Corrupção no Brasil&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não é um país intrinsecamente corrupto. Não existe nos genes brasileiros nada que nos predisponha à corrupção, de desterrados portugueses. A Austrália, que foi colônia penal do império britânico, não possui índices de corrupção superiores de outras nações. Nós brasileiros não somos nem mais nem menos corruptos que os japoneses, que a cada par de anos têm um ministro que renuncia diante de denuncias de corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil a corrupção é detectada somente quando chega a milhões de dólares e porque um irmão, um genro, um jornalista ou alguém botou a boca no trombone, não por um processo sistemático de auditoria. As nações com menor índice de corrupção são as que têm o maior numero de auditores e fiscais formados e treinados. A principal função do auditor nem é a de fiscalizar depois do fato consumado, mas a de criar controles internos para que a fraude e a corrupção não possam sequer ser praticadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo remunera quem trabalha e ganha, mas não consegue remunerar quem impede o outro de ganhar roubando. Há quem diga que não é o papel do Estado produzir petróleo, mas ninguém discute que é sua função fiscalizar e punir quem mistura água ao álcool. Não serão intervenções cirúrgicas ( leia-se CPIs) nem remédios potentes (leia-se códigos de ética) que irão resolver o problema da corrupção no Brasil. Precisamos da vigilância de um poderoso sistema imunológico que combata a infecção no nascedouro, como acontece nos países considerados honestos e auditados. Portanto, o Brasil não é um país corrupto. É apenas um país pouco auditado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a name="Os números da corrupção pelo mundo"&gt;&lt;strong&gt;Os números da corrupção pelo mundo&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil caiu nove posições na lista dos países menos corruptos do mundo, de acordo com o Índice de Percepção de Corrupção (IPC), divulgado anualmente pela organização não-governamental Transparência Internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pontuação – que vai de 0 (para o mais corrupto), a 10 (para os menos corruptos) – o Brasil obteve 3,9 (0,1 ponto a menos que em 2002), ficando em 54º lugar entre os 133 países pesquisados, ao lado de Bulgária e República Checa. Em 2002, quando a lista tinha 102 países, o Brasil havia ficado em 45º lugar, com 4,0 pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Finlândia ficou de novo no topo da classificação, repetindo a pontuação de 9,7, logo na frente da Islândia, com 9,6, e de Dinamarca e Suécia, com 9,5. Somente outros dois países fizeram mais de nove pontos, Cingapura (9,4) e Suécia (9,3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os membros do G-7 (grupo dos sete países mais industrializados), o Canadá é o primeiro, junto com o Reino Unido. Ambos têm 8,7 pontos e estão na 11ª posição. A Alemanha (7,7) aparece em 16º, enquanto os Estados Unidos estão empatados em 18º com a Irlanda, ambos com 7,5 pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O novo IPC aponta altos níveis de corrupção tanto em países ricos quanto em países pobres. Isso demonstra que é fundamental que os países desenvolvidos garantam o cumprimento de convenções internacionais para impedir que empresas multinacionais ofereçam suborno", afirma Peter Eigen, presidente da Transparência Internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois de Estados Unidos e Irlanda está o Chile, em 20º lugar, com 7,4 pontos. O Chile é o primeiro país em desenvolvimento da lista e está à frente de grandes economias como Japão, França e Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laurence Cockcroft, presidente da Transparência Internacional na Grã-Bretanha destaca que "o índice de corrupção é muito preocupante em países europeus como Grécia e Itália e em países com grande potencial petrolífero como Nigéria, Angola, Azerbaijão, Indonésia, Cazaquistão, Líbia, Venezuela e Iraque".&lt;br /&gt;A Itália, que na década de 90 foi sacudida pela "Operação Mãos Limpas", de combate a corrupção, aparece em 35º lugar, com 5,3 pontos. Um lugar acima está o Uruguai (5,4), o segundo país latino-americano da lista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a Transparência Internacional 70% dos países fizeram menos de 5 pontos, enquanto 50% dos países em desenvolvimento fizeram menos de 3.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a name="Crônica de Veríssimo"&gt;&lt;strong&gt;Crônica de Veríssimo*&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Acho que o problema é que a corrupção é mal explorada no Brasil. São recursos imensos que passam de mão em mão sem que o país lucre com isto. Muitas vezes os recursos vão para o exterior, quando podiam ficar aqui, movimentando nossa economia. Pode-se fazer um paralelo entre o mau aproveitamento do nosso talento para a corrupção e a exploração do ouro do nosso solo. Que, como a corrupção, também é feita a céu aberto, com métodos pouco sofisticados e com grandes perdas para os cofres da nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrupção é outra riqueza natural do Brasil que está se perdendo, não por falta de verbas - no caso, há um excesso de verba - mas por falta de racionalização. Temos alguns dos maiores corruptos do mundo agindo por conta própria, na inspiração do momento, sem método e sem orientação. O próprio governo dá mau exemplo. Há corruptos em diversos ministérios, cada um agindo em faixa própria. Um hipotético corruptor que precise de favores ilícitos de mais de um departamento governamental perde tempo e dinheiro indo de um lado para o outro - sem contar, claro, o tempo que gasta na sala de espera, entre outros corruptores, esperando a sua vez, muitas vezes para descobrir que procurou o corrupto errado. Tudo isto seria evitado com a racionalização da corrupção no país. As pessoas se espantam com as cifras de um caso Coroa-Brastel, por exemplo. Mas é inimaginável o que poderia ter sido atingido se houvesse uma legislação específica para o setor. Os corruptos se ressentem da falta de normas. Muitos não realizam todo o seu potencial porque não sabem até onde podem ir. Como raramente são denunciados e nunca são punidos, os corruptos brasileiros não têm parâmetros para julgar o seu trabalho. Não há incentivo. Não há reconhecimento para o efeito multiplicador da corrupção na economia. Os corruptos formam um dos segmentos mais empreendedores e imaginativos da sociedade brasileira. O descaso das autoridades com eles equivale a um desperdício que a nação não pode tolerar, ainda mais numa época de crise. A solução talvez fosse a criação de um Ministério da Corrupção que centralizasse esta importante atividade e a regulamentasse. Existem vários corruptos eminentes que se prontificariam a assumir o Ministério, até sem receber nada, só para ter o ponto. O Ministério estabeleceria metas e cotas para a corrupção e, dependendo da disponibilidade, subvencionaria o pequeno e o médio corrupto, em troca de comissão. A verba para o Ministério da Corrupção não seria alocada, como para os outros Ministérios. Seria desviada. O Ministério participaria das reuniões do gabinete, mas embaixo da mesa.Etc., etc.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;*Luiz Fernando Veríssimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fonte:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.inf.ufes.br/~fvarejao/cs/corrupcao2003.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.inf.ufes.br/~fvarejao/cs/corrupcao2003.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-7320673221565755981?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/7320673221565755981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/corrupcao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7320673221565755981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/7320673221565755981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/corrupcao.html' title='Corrupção'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sq6hVD42OnI/AAAAAAAAAis/o2rJY2Jm8fI/s72-c/Brasil+-+corrupcao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-30956031230155080</id><published>2009-09-12T17:36:00.004-03:00</published><updated>2009-09-12T18:03:12.837-03:00</updated><title type='text'>Pochmann: Agora o capitalismo quer nosso cérebro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqwHjPQ7IQI/AAAAAAAAAik/oY6cfiXAMDQ/s1600-h/u2_marcio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380683956775231746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqwHjPQ7IQI/AAAAAAAAAik/oY6cfiXAMDQ/s200/u2_marcio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Por José Cristian Góes&lt;/strong&gt;, na Caros Amigos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O economista da Unicamp, Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), esteve em Aracaju (SE) para uma palestra e conversou com a Caros Amigos. Ele defende a completa refundação do Estado brasileiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O professor analisa a crise internacional e revela números surpreendentes das desigualdades no Brasil. Pochmann é categórico quando fala em educação: “Ela não transforma. Ela conforma para o trabalho”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ele garante que a atual crise econômica possibilita entrarmos em um novo padrão civilizatório em que os parâmetros de produção e consumo vão mudar. Chama a atenção para o meio ambiente e considera que o mundo vive um período de desgovernança pública. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É enfático ao tratar de República e democracia no Brasil: “Na nossa democracia sobram partidos e faltam ideias”; “dizemos que temos República no Brasil, mas não temos. República significa igualdade de oportunidades”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Pochmann é um dos maiores pesquisadores do País sobre o mundo do trabalho. É especialista em emprego e salários e autor de 27 livros sobre inclusão social, desenvolvimento econômico e políticas de emprego. Entre os livros de sua autoria do economista estão O Desafio da Inclusão Social no Brasil e Relações de Trabalho e Padrões de Organização Sindical no Brasil. Na Unicamp, é professor do Instituto de Economia e atua no Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit).&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Caros Amigos&lt;/strong&gt; – &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Como o senhor avalia a crise financeira mundial?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Márcio Pochmann&lt;/strong&gt; – Essa crise é uma crise do modo de produção capitalista, uma crise estrutural, sistêmica, uma crise que não é exclusivamente financeira, embora tenha sido nessa esfera que ela se originou. Essa crise impôs perdas expressivas aos ricos, impôs a queda da taxa de lucro das empresas, especialmente de alguns setores industriais. A crise impactou a área social. Estamos convivendo com maior desemprego, com aumento das desigualdades. Essa crise está contaminando o mundo da política. Cinco países tiveram alternância de poder em função, inclusive, do agravamento da crise. Não tivemos crises anteriores com problemas ambientais. Os impactos ambientais são extremamente degradantes. Temos uma crise inédita nesse sentido. Vale dizer que é uma crise que encontra o mundo, os países, em quase sua totalidade submetida à lógica mercantil. Nunca tivemos uma crise anterior com uma profundidade como esta. E não tem saída a curto e médio prazo porque a crise afetou as estruturas do padrão capitalista de produção e consumo. Não há como garantir a sustentabilidade da acumulação de capital.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O senhor diz que essa crise é de produção e consumo. Explique o que é a crise de consumo?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que deu sustentabilidade de longo prazo ao capitalismo no século 20 foi a produção de bens de consumo duráveis, como por exemplo, a casa própria e o automóvel. Não são apenas eles, mas a casa e o automóvel simbolizam o consumo no capitalismo do século 20. A produção desses bens se difundiu pelo mundo, no entanto, apenas um quarto da população mundial tem acesso a esse padrão de consumo. Apenas um quarto. É o que praticamente temos no Brasil. Para que esse padrão de consumo tivesse padrões mundiais, especialmente no mundo onde a renda percapita é muito baixa, foi necessário o aprofundamento do subdesenvolvimento, que é o que se pressupõe no Brasil. Em outras palavras: para que aqui no Brasil pudesse se instalar a indústria automobilística e a produção nacional comparável ao os países ricos foi necessário concentrar profundamente a renda, para poder viabilizar o padrão de consumo dos mais ricos. Se a gente for a qualquer cidade brasileira a gente vê segmentos sociais que participam de alto padrão de consumo. Há bairros de qualquer cidade brasileira onde há casas com garagem com quatro, cinco carros, cada membro da família tem um automóvel. Há casas compatíveis com padrão hollywoodiano de habitação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;É, aqui os ricos vivem muito bem...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os ricos vivem aqui muito melhor que a classe média e os ricos nos Estados Unidos e na Europa porque aqui os ricos não pagam impostos. E lá não existe como aqui essa massa de serviçais. É manicure, empregados domésticos, cortador de grama, faxineira, ou seja, um exército de prestadores de serviço. No Brasil, as famílias de classe média e ricas têm, em média, 13 serviçais à sua disposição para prestar serviços. São 13, no mínimo, ou seja, são mais de 20 milhões de pessoas que constituem esse exército com remuneração extremamente baixa. Por que é possível ir para uma pizzaria, churrascaria no Brasil e comer de forma extravagante pagando preços módicos? Porque aqueles que lá trabalham, o pizzaiolo, o churrasqueiro têm remunerações extremamente baixas. O que chama atenção é que viabilizar e internalizar esse padrão de consumo é somente possível com uma brutal concentração de renda, com um sistema tributário que concentra renda, que tira dos pobres e dá para os ricos e com um Estado que se organizou para atender fundamentalmente os ricos, o andar de cima da sociedade, como dizia Milton Santos. Esse andar de cima tem tudo. Tem banco público, tem sistema de tecnologia, tem compras públicas, ou seja, montou- se uma estrutura para sustentar os de cima. Isso não é uma experiência exclusivamente brasileira, mas talvez chegamos a maior sofisticação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E esse padrão de consumo tem forte impacto ambiental, não é?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro. O mundo com 6,5 bilhões de habitantes e que apenas um quarto participa do padrão de consumo, mantido esse padrão de consumo, daqui a três décadas a temperatura da terra será três a quatro graus superior ao que é hoje. Três ou quatro graus podem não ser muito para nós individualmente, mas a elevação da temperatura nesse patamar significa aqui no Brasil problemas muito sérios. Por exemplo, a produção de café, que hoje é feita em várias regiões no País, só poderá ser possível no Rio Grande do Sul. Nós teremos problemas gravíssimos de seca em algumas áreas e enchentes em outras. Estaremos falando não mais em Floresta Amazônica, mas na grande savana amazônica. Não estou pregando o caos, não. O que estou chamando atenção é que levado adiante esse modelo de produção e consumo, nós precisaríamos de três planetas para conformar a difusão desse padrão de consumo para mais pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E quem ou quais instituições mundiais podem resolver os problemas da crise e seus reflexos?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este é um aspecto grave. Estamos vivendo a plena desgovernança no mundo. Nós vivemos uma quadro de profunda anarquia do ponto de vista público porque as instituições que foram constituídas para fazer a governança pública do mundo estão completamente esgotadas para viver a nova realidade. Com o encerramento da 2ª guerra, estabelece-se a Assembléia Geral das Nações Unidas, ou seja, a ONU, que tinha o objetivo de estabelecer um padrão de convivência, de regulamento mínimo entre países. Veja, a ONU somente conseguiu fazer uma conferência sobre a crise só agora no mês de junho, quer dizer, quase um ano depois da crise ter se manifestado. A ONU não consegue reunir os países para estabelecer convergências. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) que estavam presentes nas crises anteriores, dizendo façam isso e aquilo, simplesmente desapareceram. Mal e porcamente conseguem projetar se a economia vai ou não crescer, ou seja, não têm o que dizer. Esse padrão de regulação pública está falido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E o G-20 e outros organismos estariam esgotados também?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O G-20 não é uma instituição. Como vai colocar em prática as medidas lá acordadas? Um exemplo do que foi discutido lá: não é possível no mundo de hoje a existência de paraísos fiscais, locais para onde vão recursos, às vezes de lavagem de dinheiro, sem qualquer tributação e controle. O G-20 chegou a essa conclusão, mas só à conclusão. Quem vai dizer isso? O G-20? Como estabelecer um novo padrão de governança pública no mundo, especialmente no momento em que há uma profunda concentração do poder econômico? Veja, nós temos 500 grandes corporações transnacionais que governam o mundo. Qualquer setor da atividade econômica que nós olhamos tem quatro, cinco grandes corporações que dominam o mercado. Nós estamos vivendo uma época que não são mais os países que governam o mundo, mas as grandes empresas. O segundo pós guerra criou as Nações Unidas, os países tinham as empresas. Os países eram maiores que as empresas. Hoje a realidade é inversa. As empresas têm os países.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Como assim, as empresas têm os países?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguém acha que o Brasil governa a Petrobras? Ou será a Petrobras que governa o Brasil, embora seja uma empresa pública? O faturamento anual das três maiores corporações do mundo é equivalente ao PIB do Brasil, que é a nona economia do mundo. O faturamento da Petrobrás era maior que o PIB da Argentina. Estamos em uma realidade onde existe uma pequena cidade de cinco mil habitantes e lá se instala uma siderúrgica e contrata três mil pessoas, gera faturamento, parte vai para a prefeitura em impostos, mas quem vai mandar naquela cidade? O prefeito democraticamente eleito ou o presidente daquela siderurgia? Hoje, muitos governantes se tornaram caixeiros viajantes de grandes empresas. O faturamento das 50 maiores corporações do mundo é maior do que o PIB de 100 países.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E o Brasil, diante dessa crise? De que forma ela nos afeta? Estamos nos comportando bem para sua superação?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estávamos indo em uma trajetória muito positiva de crescimento. Nos últimos cinco anos estávamos conseguindo combinar expansão econômica com melhorias sociais. O Brasil crescia duas vezes, quase três vezes mais do que crescia nos anos 80, e com isso houve uma melhora significativa do mercado de trabalho. Nós chegamos a 2007, por exemplo, com 50% dos trabalhadores ocupados com algum tipo de proteção trabalhista, seja por carteira, seja por conta da contribuição à Previdência Social. Ocorre que as décadas de 80 e 90 foram muito difíceis para o mundo do trabalhador brasileiro. Nos últimos 5 anos tivemos uma crescente de melhora significativa. Tivemos a redução do número de pobres, redução das desigualdades, incremento e ampliação no salário mínimo. O crédito melhora, há recuperação do volume de gastos sociais. A crise atinge o Brasil nessa trajetória positiva de expansão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Por isso não sentimos tanto os reflexos da crise mundial?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não só por isso. O Brasil não repetiu as políticas que anteriormente adotava diante de crises, pelo menos, analisando o período de 1980 para cá. De 80 para cá tivemos três crises importantes. A primeira foi da dívida externa, em 1981/83; a segunda foi a recessão no Governo Collor, 1990/1993; e a terceira foi a crise financeira na passagem do primeiro para o segundo mandato do presidente (FHC), uma crise onde se fez acordo com o FMI. Nessas três crises houve um padrão de política pública: era o de acreditar que a saída da crise se dava pelo mercado externo e não interno, ou seja, aumentava nossa subordinação às decisões internacionais. Nas três crises há uma repetição. O governo aumentou impostos, reduziu os gastos públicos, arrochou salários e não ampliou as políticas que atendem a base da pirâmide social. De outubro do ano passado para cá o governo do presidente Lula não repetiu essas medidas, pelo contrário.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O governo tem mantido o gasto público e até ampliado, ou seja, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não foi reduzido por conta da crise, e começou uma política habitacional ampla, onde pela primeira vez teremos 400 mil moradias sendo construídas para atender as pessoas muito pobres. O governo não aumentou impostos, pelo contrário, reduziu impostos. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é um exemplo. Mas teve medidas de redução do Imposto de Renda (IR). Tivemos a ampliação do salário mínimo que subiu em fevereiro em 12% e o aumento do número de famílias atendidas pelo Bolsa Família. É importante dizer que pela primeira vez desde 80 os pobres não estão pagando os custos da crise como no passado. Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) provam que de outubro do ano passado a março deste ano cerca de 315 mil pessoas saíram da condição de pobreza nas regiões metropolitanas. Isso mesmo na crise. De 80 para cá, em todas as crises houve aumento do desemprego e da pobreza. Nesta, até agora isso não ocorreu. Então, é uma forma diferente de enfrentar a crise.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Tudo bem que não entramos no grosso da recessão, mas também não vamos crescer, não é isso? Ou é possível acreditar em um crescimento?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É verdade que tivemos alteração na trajetória de crescimento. Diferentemente de outros países, como Índia e China, que não tiveram recessão, tiveram redução na taxa de expansão do crescimento, mas vão continuar crescendo 6%, 7% ao ano. Nosso diferencial em relação a China e a Índia decorre do estrago que o neoliberalismo fez no Brasil. Apesar de todas as medidas que foram tomadas, medidas anticíclicas, ainda estamos distantes de um programa ousado de enfrentamento da crise que nos permita sair dela em condição superior que ingressamos. Por exemplo, em todos os períodos de crise e depressão, o Brasil soube ousar. Mesmo durante o autoritarismo, o Brasil reagiu. Nós fizemos o segundo plano nacional de desenvolvimento, que ajudou a completar a sua estrutura industrial. O Brasil construiu um investimento importante na matriz energética que foi o Proálcool. O Proácool foi uma resposta à crise do petróleo de 1973. Agora estamos diante de uma oportunidade histórica. É a primeira vez que o Brasil enfrenta uma crise pelo regime democrático.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A democracia brasileira está amadurecida e consolidada para o enfrentamento da crise?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esse é um problema. Em nossa democracia sobram partidos e faltam idéias. Como construir convergências nacionais? Essa é a questão. A democracia exige convergência nacional e o partido político é instrumento disso. Democracia não é falar mal do governador, do presidente, falar qualquer coisa. Democracia é construção de convergências, de projetos estruturantes. O desafio que temos pela frente é enorme. A democracia nos dá essa condição. Não é mais o FMI, a ditadura que nos impossibilita de praticarmos o novo. Quem está impossibilitando somos nós mesmos, dada nossa incapacidade de construirmos convergências. Chamo a atenção que a crise não é só destruição, mas uma oportunidade de construção de algo superior. Ela abre perspectiva do enfraquecimento da dominação política que antes moldava o mundo, ou seja, abre a possibilidade de construção de um novo padrão civilizatório.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Como assim? Um novo padrão civilizatório?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No século 19 tínhamos uma sociedade agrária. Naquele momento quase tudo era trabalho. Há 100 anos as mulheres eram apenas máquinas de reprodução humana, essa era a sua função social. Homens e mulheres viviam 35 anos de idade, em média. Uma mulher que vivia até 35 anos poderia ter tido de 15 a 20 filhos. Era necessário ter muitos filhos porque se trabalhava na terra, a produtividade era muito baixa e precisava ter muita gente mexendo na terra. Viver era trabalhar na sociedade agrária. Começava-se a trabalhar aos cinco, seis anos de idade. Não tinha escola. Não tinha regulação do mercado de trabalho. Se trabalhava até morrer. Não tinha alternativa. Na sociedade agrária 75% da vida estava comprometida com o trabalho. Tudo isso foi superado pelo padrão da sociedade urbano industrial. Nesse velho padrão as pessoas viviam até 60 anos de idade, em média, começavam a trabalhar depois dos 15. Ingressam no mercado de trabalho e ficam 30, 35 anos na mesma ocupação. Concluída essa fase do trabalho, viviam mais uns 10 a 15 anos e encerravam o ciclo de vida. Essa sociedade permitiu que o trabalho significasse 40% do tempo de vida, sendo 60% restantes de inatividade para o trabalho formal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Então com o século 21 entramos em um outro processo civilizatório.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Isso. Ocorre que diferente da sociedade do século 19 e 20, a sociedade do século 21, que não têm um nome ainda, seja lá pós industrial, da informação, do conhecimento, é uma sociedade muito diferente. Agora as pessoas vão viver 100 anos de idade ou mais. Ora, alguém viver 100 anos muda completamente a trajetória de vida. Uma das principais funções da escola dos ricos, da elite é construir com as crianças, individualmente, seu projeto de vida. Para alguém que vai viver 100 anos terá dormido 30 anos. Alguém já planejou seu sono? Planejou o local onde dorme? Evidentemente que todo mundo quer chegar aos 100 anos com tudo funcionando. Portanto o planejamento de como dormir, o que comer, o que fazer são decisivos para essa vida saudável com mais idade. Nessa sociedade do conhecimento o principal ativo não é mais o trabalho material. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O principal ativo é o trabalho imaterial. Numa sociedade agrária e urbano industrial, o que concentrava o trabalho era a agricultura, pecuária, indústria, construção civil. Esses trabalhos são tangíveis, eu posso contá-lo, ou seja, há um produto físico, há uma concretude no esforço do trabalho humano, manual ou intelectual. Na sociedade do conhecimento, o que domina é o trabalho imaterial. No Brasil de hoje 70% dos postos abertos são no setor terciário, de serviços. Na sociedade do conhecimento, por conta das novas formas de gestão do trabalho, das tecnologias, está se trabalhando cada vez mais fora do local de trabalho. Trabalha-se em casa, em todos os lugares, pelo celular, pela internet. O trabalho não é mais exercido no local fixo e não temos regulação. Estamos entrando numa sociedade que podemos ficar 24 horas plugados no trabalho. Este é um trabalho extenuante. O capitalismo não quer mais só o nosso coração, quer o nosso cérebro. Este trabalho fora de casa é um trabalho que gera produtividade, gera riqueza, uma riqueza que não está sendo disputada pelos sindicatos, não está sendo tributada pelos sistema tributário, ou seja, essa riqueza está gerando grandes ricos e está sendo muito concentrada. A repartição dessa produtividade imaterial nos permitiria construir uma outra sociedade. Por exemplo, na sociedade que se constitui não há razão técnica nenhuma para que a jornada de trabalho ultrapasse as 12 horas semanais. São três dias por semana, quatro horas por dia e pronto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Então se muda completamente o conceito de trabalho, de estudo, de vida?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É. Na sociedade do conhecimento não há justificativa técnica, não há razão alguma que as pessoas comecem a trabalhar antes dos 25 anos de idade. Não é a sociedade do conhecimento? O principal ativo não é a informação? Por que começar a trabalhar cedo? Por que começar a trabalhar antes de ter completado a universidade? Mas isso já existe no Brasil. Dificilmente vamos encontrar um filho de rico que tenha começado a trabalhar antes dos 25 anos de idade, depois de ter completado a universidade, ter feito MBA, ter estudado fora do país. Somente no Brasil os filhos de pobres estão condenados a trabalhar sempre. A gente quer dar trabalho para os filhos dos pobres, não quer educação. As ações de educação são todas voltadas para o mercado de trabalho. Os filhos dos pobres começam muito cedo a trabalhar. Por começar muito cedo, eles não estudam e vão ocupar os piores postos no mercado de trabalho brasileiro. Temos república no Brasil? Não temos república, nada. República significa a igualdade de oportunidades. E se há os que começam a trabalhar aos 15 anos de idade e outros só aos 25, não há igualdade de oportunidade. Os filhos dos ricos vão começar depois e ocupar os principais postos do mercado de trabalho, seja no setor público, seja no setor privado. O mercado de trabalho reproduz a desigualdade. Os filhos de pobres continuarão sendo pobres e os filhos dos ricos sendo ricos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Isso sem falar dos jovens que abandonam os estudos.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No Brasil temos 37 milhões de jovens na faixa etária de 16 a 24 anos. A metade desses jovens não estuda. A outra metade que estuda está fora de série, não acompanha a relação idade e série. Os jovens filhos de pobres no Brasil só estudam quando trabalham. Nós não temos estudantes que trabalham, mas jovens trabalhadores que estudam. Quando falta trabalho ou a renda é pouca ele abandona o estudo. Este ano 500 mil jovens do ensino médio abandonarão a escola por não ter complementação de renda. Um jovem que trabalha e estuda está comprometendo 16 horas diárias, ou seja, não tem tempo pra estudar. Trabalhar e estudar não combina. É por isso que o Brasil avança na oferta de vagas e piora na qualidade de ensino. O padrão civilizatório superior exige educação para a vida toda. Na sociedade do conhecimento não dá para exercer uma profissão ao longo da vida sem estar estudando e isso significa um abandono profundo da sociedade passada. Só estudam crianças, adolescentes e alguns jovens... isso acabou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Os desafios da educação são enormes?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ocorre que a educação de hoje não transforma as pessoas. Não está transformando. A educação conforma as pessoas para o mercado de trabalho. Não é uma educação para a vida. A educação que nós vamos precisar daqui para frente é educação para a vida, isso significa inverter a educação do jeito que ela é agora. O princípio da educação é a do especialista. Todo mundo quer ser especialista. Você vai ao hospital e tem lá o especialista em dedo direito, em dedo esquerdo. Tem o advogado especialista em uma área, outro em outra área, ou seja, a nossa estrutura educacional é de especialistas. O problema é que abandonamos o princípio da universalidade, isto é, da unidade do conhecimento. Todos tínhamos uma unidade do conhecimento. Hoje não temos. O resultado é que temos o especialista que sabe cada vez mais de menos coisas. A sociedade do conhecimento, da informação, nos coloca dados, análises de forma absurda que não temos condição de acompanhar, sistematizar. Resultado, nós estamos nos transformando cada vez mais numa população de ignorantes, analfabetos. Na minha área, por exemplo, não consigo acompanhar a profusão de livros, teses, artigos... isso só da minha área de conhecimento. E as outras áreas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Nesse novo padrão civilizatório qual o papel da educação?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A educação tem o papel nobre, não só de reconstituir a base de conhecimento, mas de ser um agente de transformação, da sistematização do conhecimento. É uma atividade nobre, inclusive do ponto de vista da sociabilidade. À educação caberá esse papel rico de reconstruir os laços sociais porque hoje estamos diante de uma sociedade doentia , uma sociedade que consome remédios em um volume impressionante, uma sociedade dos indivíduos. Ninguém tem mais tempo para nada. Não tem mais diálogo. Um cidadão passa 4, 5 horas por dia na frente de um computador, nem ao banheiro vai. Tem tempo para conversar com qualquer pessoa e não tem tempo para conversar com seu filho, que está ao seu lado. Quando vai almoçar em um restaurante com a família, fica em frente da TV olhando o filme e o que predomina é o silêncio. Eu mesmo falo muito com meu filho pelo celular e internet, mas isso não é sociabilidade. Sociabilidade é olho no olho, é o carinho, é a expressão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O senhor, no fundo, defende a refundação do Estado a partir desse outro padrão?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro. O Estado brasileiro precisa ser refundado. O Estado que temos hoje não serve. É um Estado apenas para os ricos e poderosos. Um novo Estado significaria a reinvenção do mercado. Por exemplo, dizem que o Estado admite competição. Isso é uma grande mentira. No mercado não tem competição. O mercado está completamente dominado pelas grandes corporações, embora 95% do mercado seja constituído de médias e pequenas empresas, mas elas não têm condições de participar de concorrências públicas, das grandes concorrências privadas, porque não há democracia no mercado, não há competição. O Estado que está aí não pode ser uma série de caixinhas, mas tem que atuar através de políticas matriciais, articuladas, integradas. O Estado que nós temos é um Estado herdeiro dos problemas do século 19 e 20. Temos o problema do analfabetismo. Como resolver? Só com professores, escola, material, pedagogia? Claro que não. Hoje o enfrentamento ao analfabetismo fica só na caixa do Ministério da Educação. Mas todo mundo sabe que o analfabetismo não é só um problema de educação. São questões de saúde, alimentação. O Estado de caixinhas fracassou. Nós fracassamos. Temos 11% da população analfabeta, doenças do século 19. Reforma agrária! Faz 60 anos que tentamos fazer reforma agrária e a estrutura fundiária que temos hoje é pior do que a estrutura de 1950, com o agravante de que hoje as terras estão sendo contratadas nas mãos de empresas estrangeiras. Estamos falhando e o problema não está na falta de recursos financeiros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O que precisa ser feito para reduzir mais rapidamente a desigualdade entre pobres e ricos?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se formos comparar o Brasil com países menos desiguais vamos observar que o Brasil não fez as reformas clássicas do capitalismo contemporâneo. Nós não fizemos a reforma agrária. No Brasil a propriedade é muito concentrada. Os meios de produção estão concentrados nas mãos de 6% da população. 20 mil famílias dominam o país, absorvem 70% do serviço dos juros da dívida. O Brasil também não fez a reforma tributária. Em muitos países os ricos pagam impostos. Aqui os ricos não pagam impostos, seja porque não tem impostos seja porque praticam o planejamento tributário que permite transferir o pagamento dos impostos para as pessoas. Você vai a uma consulta médica ou odontológica e ela custa um valor X, mas se você quiser o recibo o valor da mesma consulta é X mais Y, ou seja, quem paga o imposto é o próprio usuário. E por fim, o Brasil não fez a reforma social.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E o Bolsa Família, como o senhor avalia?&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É importante, mas é uma ação de emergência. Não vamos resolver os problemas dos miseráveis num estalo de dedos, mas essas pessoas precisam viver. Há um preconceito muito grande quando se transfere recursos para os pobres no Brasil. Para os ricos não há preconceito nenhum. Já falamos do imposto de renda, por exemplo. Os filhos da classe média que vão estudar na universidade privada com bolsa pública ninguém chama de política compensatória, assistencial. O Bolsa Família minimiza a pobreza. Alguém pode dizer que é muito pouco. Pode ser, mas não é pouco para quem vive com R$ 30, R$ 40 mensais. Veja bem, o Estado administra recursos apropriados e precisa ter contrapartida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O público do Bolsa Família paga imposto, é quem mais imposto paga. Os 10% mais pobres do Brasil, ou seja, 20 milhões de brasileiros, que vivem com renda média mensal per capita de R$ 70 essa gente transfere R$ 35 dos R$ 70 em impostos para o governo, porque os impostos indiretos são os que mais oneram essa população. Os 10% mais ricos não comprometem 20% do que ganham com pagamento de impostos, embora usem mais que isso do Estado. Por exemplo, na declaração de Imposto de Renda é possível descontar gastos com educação, saúde, assistência privada. Isso é estranho. O Brasil financia educação e saúde pública, mas também financia a privada! Em 2007, foram utilizados R$ 14 bilhões para financiar a saúde privadaa, através dos descontos do Imposto de Renda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E esse pessoal que teve o financiamento da saúde privada paga pelo Estado é quem contrata os sete milhões de empregados domésticos, que não tem carteira assinada. Qual o compromisso das pessoas que recebem do Estado o financiamento de sua educação e saúde privadas em contratar domésticas assinando a carteira? É o mesmo caso de desoneração que está sendo feita nas indústrias. As indústrias foram beneficiadas com a redução do IPI, mas não mantiveram o emprego, e sequer repassaram para o preço. É a mesma coisa que a classe média que tem acesso aos recursos do imposto de renda e contrata pessoas sem carteira assinada. Dos 7 milhões de empregadas domésticas contratadas, menos de 30% tem carteira assinada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; revista Caros amigos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-30956031230155080?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/30956031230155080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/pochmann-agora-o-capitalismo-quer-nosso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/30956031230155080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/30956031230155080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/pochmann-agora-o-capitalismo-quer-nosso.html' title='Pochmann: Agora o capitalismo quer nosso cérebro'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqwHjPQ7IQI/AAAAAAAAAik/oY6cfiXAMDQ/s72-c/u2_marcio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-6805719715873391243</id><published>2009-09-12T16:57:00.004-03:00</published><updated>2009-09-12T17:01:31.072-03:00</updated><title type='text'>A rede idiota</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqv9fwBIWoI/AAAAAAAAAic/rPOndXFrPqY/s1600-h/i141406.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380672901731605122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 173px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqv9fwBIWoI/AAAAAAAAAic/rPOndXFrPqY/s200/i141406.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Zeca Baleiro*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De todas as ilusões que a internet alimenta, a que julgo mais grave é a terrível onipotência que seu uso desperta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo leio no Google, num site aberto ao acaso, a internet surgiu com objetivos militares, ainda em plena Guerra Fria, como uma forma de as Forças Armadas americanas manterem o controle, caso ataques russos destruíssem seus meios de comunicação ou se infiltrassem nestes e trouxessem a público informações sigilosas. Outro site diz: "Eram apenas quatro computadores ligados em dezembro de 1969, quando a internet começou a existir, ainda com o nome de Arpanet e com o objetivo de garantir que a troca de informações prosseguisse, mesmo que um dos pontos da rede fosse atingido por um bombardeio inimigo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as décadas de 70 e 80, estudantes e professores universitários já trocavam informações e descobertas por meio da rede. Mas foi a partir de 1990 que a internet passou a servir aos simples mortais. Hoje há um bilhão de usuários no mundo todo, afirma outro site. Outro informa que o Brasil é o quinto no ranking dos países com mais usuários na internet, tem hoje cerca de 50 milhões de internautas ativos, atrás apenas de Índia, Japão, Estados Unidos e China, estes últimos com 234 e 285 milhões de usuários, respectivamente, informa ainda outro site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustro com essas informações (suspeitas, como todas que vagam no espaço virtual) a abrangência que tem hoje a internet em todo o mundo, em especial no Brasil. Quase nada acontece hoje sem que passe pela grande rede. Coisas importantes e coisas nem tão importantes assim, como este texto, que não chegaria tão ágil à redação da IstoÉ se não fosse enviado de um computador a outro num piscar de olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo demonizar a internet, até porque sou bastante dependente dela. De todo modo, é histórico o mau uso que os humanos fazem de meios fantásticos de comunicação, e o rádio e a tevê estão aí e não me deixam mentir. De todas as ilusões que a internet alimenta, a que julgo mais grave é a terrível onipotência que seu uso desperta. Todos se acham capazes de tudo, com direito a tudo, opinar, julgar, sugerir, depreciar, mas sempre à sombra da marquise, no confortável "anonimato público" que o mundo paralelo da rede propicia. Consultam o Google como se consulta um oráculo, como se lá repousasse toda a sabedoria do mundo. Pra que livros, enciclopédias, se há o Google? - perguntam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro "A Marca Humana", de Philip Roth, um personagem fala: "As pessoas estão cada vez mais idiotas, mas cheias de opinião." Não sei o que vem por aí, é cedo para vaticínios sombrios, mas posso antever um mundo povoado por covardes anônimos e cheios de opiniões. O sujeito se sente participando da "vida coletiva", integrado ao mundo, quando dá sua opinião sobre o que quer que seja: a cantora que errou o "Hino Nacional", o discurso do presidente, a contratação milionária do clube, o novo disco do velho artista, etc. Julga-se um homem de atitude se protesta contra tudo e todos em posts no blog de economia e comentários abaixo do vídeo no YouTube. Faz tudo isso no escuro, protegido por um nickname, um endereço de e-mail, uma máscara. Raivosa, mas covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: A propósito, comunico, a quem interessar possa, que não tenho Twitter. Não me sigam que não sou novela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Zeca Baleiro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;é cantor é compositor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Revista Istoé&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-6805719715873391243?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/6805719715873391243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/rede-idiota.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/6805719715873391243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/6805719715873391243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/rede-idiota.html' title='A rede idiota'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqv9fwBIWoI/AAAAAAAAAic/rPOndXFrPqY/s72-c/i141406.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-3867256367092845205</id><published>2009-09-12T16:17:00.002-03:00</published><updated>2009-09-12T16:23:01.524-03:00</updated><title type='text'>A enchente de Serra e Kassab não tem dono</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqv05IrjmWI/AAAAAAAAAiU/6xD0fzSGOlY/s1600-h/ENCHENTES+SP.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380663442244082018" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 145px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqv05IrjmWI/AAAAAAAAAiU/6xD0fzSGOlY/s200/ENCHENTES+SP.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mauro Carrara&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na época em que Luiza Erundina era prefeita, as enchentes sempre tinham dono. Tempos depois, esses desastres passaram a ter até mesmo causa: Marta Suplicy.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesses dois tensos períodos, ao se formar a primeira poça de água na cidade, o Estadão e a Folha já se alvoroçavam, enviando seus repórteres furiosos às portas da Prefeitura. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas duas gestões, ao lado das fotos de carros naufragados e moradores lavados pelo pranto, os diários estampavam-se imagens das prefeitas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Nos telejornais, gente como Boris Casoy bradava: “isto é uma vergonha”. Ana Maria Braga, com sua cara de torta de palmito, solidarizava-se com as famílias das casas inundadas. Em tom pungente, reclamava do descaso da autoridade municipal. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, todas as tragédias se convertiam imediatamente em incômodo patrimônio petista. Nos portais da Internet, senhoras indignadas reclamavam do terninhos bem cortados de Marta Suplicy e de seus penteados de estilo, alçados à categoria de precipitadores de temporais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 2.004, por exemplo, Marta foi visitar as vítimas das enchentes no Vale do Aricanduva, na Zona Leste. Naquele dia, havia ali uma claque oposicionista bem armada, insuflando os moradores. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma mulher que perdera seus móveis insultou a prefeita. Um vereador oposicionista da região adestrou uma turba de desocupados para chutar e esmurrar os carros da comitiva. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No dia seguinte, completou-se o rito condenatório, como fotos do quiprocó em todos os grandes jornais paulistanos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Até o informe do PSTU na Internet aproveitou-se do episódio. Na época, copiaram os textos dos Frias e Mesquitas: “é um verdadeiro absurdo querer culpar as forças da natureza pelas tragédias causadas pelas enchentes, como fez a prefeita Marta Suplicy”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Neste 8 de Setembro, São Paulo foi novamente lavada por chuva forte. Bueiros se empanturraram de detritos, rios transbordaram, o trânsito se transformou num inferno, barrancos cederam e gente simples morreu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Esta tragédia, no entanto, não têm dono. Como não teve aquela do buraco do metrô que engoliu uma dezena de cidadãos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os indignados nas gestões petistas nem se lembraram de questionar o dono de jornais José Serra e o “padrinho maroto dos ambulantes da Mooca e da Lapa”, Gilberto Kassab. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No caso do governo do Estado, ninguém perguntou sobre a obra paga-empreiteira que retalhou ainda mais a Marginal do Tietê. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nem houve imprensaleiro que se indignasse com as valas abertas nos canteiros desmatados, logo convertidas em enormes piscinas de lodo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Quanto a Kassab, nenhum profissional de gravador e bloquinho foi questioná-lo sobre o acordo que firmou com as coletoras de lixo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por conta de sua política de limpeza urbana, os Jardins e os bairros nobres agora recebem tratamento VIP. Muitas áreas de favelas e de novos loteamentos da periferia, ao contrário, passaram a ser atendidas apenas quando possível. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As câmeras das TVs exibiram, durante toda a terça-feira, uma série de flancos da cidade em que as bocas-de-lobo soluçavam tapadas por sacos plásticos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Isso nas costas da Penha, no Rio Pequeno, no Parque Novo Mundo e em mais uma dúzia de bairros. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Detalhe: não era simplesmente “lixo”. Eram sacos, sacos de lixo.&lt;br /&gt;A imprensa de José Serra e seus funcionários dos telejornais culparam São Pedro e os “moradores porcos” pelos entupimentos e pelas enchentes que paralisaram a maior cidade do país. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Agora, cabe a singela pergunta: por que alguém que pretende sujar e emporcalhar a cidade se preocuparia em reunir o lixo em sacos de plástico? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Por que uma mãe de família, por mais humilde que seja, sabotaria o ambiente de seus próprios filhos? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Cadê o repórter? Por que não foi perguntar aos chefes? Hem?!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fonte:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Novae&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-3867256367092845205?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/3867256367092845205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/enchente-de-serra-e-kassab-nao-tem-dono.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3867256367092845205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3867256367092845205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/enchente-de-serra-e-kassab-nao-tem-dono.html' title='A enchente de Serra e Kassab não tem dono'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqv05IrjmWI/AAAAAAAAAiU/6xD0fzSGOlY/s72-c/ENCHENTES+SP.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-5650708470884170660</id><published>2009-09-12T16:08:00.002-03:00</published><updated>2009-09-12T16:12:01.782-03:00</updated><title type='text'>Entre a Constituição e a coligação</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqvyaa1xHVI/AAAAAAAAAiM/OVrUNdyAqCw/s1600-h/constituicao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380660715519548754" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 149px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqvyaa1xHVI/AAAAAAAAAiM/OVrUNdyAqCw/s200/constituicao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Frei Betto*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O governo Lula encontra-se num dilema hamletiano: respeitar a Constituição e desagradar o maior partido de sua coligação eleitoral, o PMDB, ou agradar os correligionários de José Sarney e desrespeitar a Constituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Constituição Brasileira de 1988 traz, no seu bojo, inegável caráter social. Falta ao Executivo e ao Legislativo passá-lo do papel à realidade. Uma das exigências constitucionais é a revisão periódica – a cada 10 anos - dos índices de produtividade da terra. Eles são utilizados para classificar como produtivo ou improdutivo um imóvel rural e agilizar, com transparência, a desapropriação das terras para efeito de reforma agrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os índices atuais são os mesmos desde 1975! Os novos seriam calculados com base no período de produção entre 1996 e 2007, respaldados por estudos técnicos do IBGE, da Unicamp e da Embrapa. Os índices também serviriam de parâmetro para analisar a produtividade em assentamentos rurais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inúmeros ruralistas, latifundiários e empresários do agronegócio não querem nem ouvir falar de revisão dos índices de produtividade. É o reconhecimento implícito de que predominam no Brasil grandes propriedades rurais improdutivas e que, portanto, segundo a Constituição, deveriam ser desapropriadas para beneficiar a reforma agrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta, 12 de agosto, dirigentes do MST e ministros do governo Lula reuniram-se em Brasília. O MST havia promovido nos dias anteriores uma série de manifestações, consciente de que governo é que nem feijão, só funciona na panela de pressão. Além de reivindicar a revisão　dos índices de produtividade da terra, o MST, a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e a Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar) querem a reposição do corte de R$ 550 milhões feito este ano no orçamento do Incra, quantia destinada à obtenção de terras para a reforma agrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O representante do Ministério da Fazenda declarou que a crise é grave, a arrecadação diminuiu entre 30 e 50% no primeiro semestre deste ano, e que o governo tem dificuldades de repor o orçamento do Incra, embora conste da lei orçamentária aprovada pelo Congresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trabalhadores rurais querem apenas que se cumpra a lei. É impossível acreditar que o Ministério da Fazenda não tenha recursos. Se fosse verdade, não teria desonerado impostos de outros setores da sociedade, como a indústria automobilística, cujo IPI mereceu desoneração de cerca de R$ 20 bilhões, e o depósito à vista dos bancos, que possibilitou a eles reter, em seus cofres, R$ 80 bilhões. O governo tem dinheiro, mas reluta em investir na reforma agrária e na pequena agricultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reforma agrária viria modernizar o capitalismo brasileiro. Inclusive conter os reflexos da crise financeira mundial no setor agrícola. No Brasil, a crise afetou a produção de soja, algodão e milho, e reduziu o preço das commodities e a taxa de lucro dos produtores rurais. Mas quem pagou a conta foram os trabalhadores rurais assalariados. Cerca de 300 mil ficaram desempregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O agronegócio é o modelo de produção que expulsa mão-de-obra porque adota a mecanização intensiva. Que rumo tomaram os desempregados? Vieram engrossar o cinturão de favelas em torno das cidades, viver de bicos, enquanto seus filhos são tentados e assediados pela criminalidade. Por que o governo não assentou essa gente?&lt;br /&gt;O Brasil é, hoje, o maior consumidor mundial de agrotóxicos. Na safra passada, jogaram 713 milhões de toneladas de veneno sobre o nosso solo, a nossa água e os nossos alimentos. Enquanto aumentam as exportações, aumenta também a produção de alimentos contaminados, responsáveis pela maior incidência de enfermidades letais, como o câncer. É preciso mudar o atual modelo agrícola, prejudicial ao meio ambiente e à agricultura familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O prazo dado pelo presidente Lula para a revisão dos índices de produtividade da terra expirou a 2 de setembro, sem que o Planalto se posicionasse. A decisão sobre a atualização havia sido tomada em 18 de agosto (&lt;a href="http://noticias.uol.com.br/politica/2009/08/18/ult5773u2116.jhtm" target="_blank"&gt;&lt;http:&gt;&lt;/a&gt;), numa reunião de Lula com ministros, da qual não participou o ministro da agricultura, Reinhold Stephanes. Na ocasião, foi estipulado um prazo de 15 dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A portaria de revisão dos índices precisa ser assinada por Stephanes e pelo ministro Guilherme Cassel, do desenvolvimento agrário, a tempo de entrar em vigor em 2010. Segundo a assessoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Cassel rubricou a medida um dia após a promessa feita por Lula, e a encaminhou a Stephanes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro da Agricultura, pressionado pela bancada do seu partido, o PMDB, já se manifestou publicamente contrário à proposta e não assinou a portaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta ao presidente Lula decidir-se entre Constituição, que ele assinou como constituinte e tem por obrigação respeitar, e o setor do PMDB que ainda encara o Brasil como um imenso latifúndio ainda dividido entre a casa-grande e a senzala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Frei Betto&lt;/strong&gt; é escritor&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-5650708470884170660?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/5650708470884170660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/entre-constituicao-e-coligacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5650708470884170660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5650708470884170660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/entre-constituicao-e-coligacao.html' title='Entre a Constituição e a coligação'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqvyaa1xHVI/AAAAAAAAAiM/OVrUNdyAqCw/s72-c/constituicao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-221436679681921934</id><published>2009-09-12T16:01:00.002-03:00</published><updated>2009-09-12T16:05:51.775-03:00</updated><title type='text'>Setembro decisivo para Obama mostrar que veio mudar</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqvw4uAXWmI/AAAAAAAAAiE/U49OQ3cJsZo/s1600-h/obama_deus.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380659037037091426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 198px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqvw4uAXWmI/AAAAAAAAAiE/U49OQ3cJsZo/s200/obama_deus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Luiz Eça*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Barack Obama chegou à Casa Branca com a promessa de uma mudança na política externa de George Bush. Seu objetivo era tornar o país um agente efetivo na promoção da paz e da justiça nas relações internacionais. Mas Obama temia as resistências internas. Por isso mesmo, procurou atrair também o apoio de setores que não partilhavam de seus ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Hilary Clinton, da linha dura democrata, foi nomeada Secretária de Estado. E Obama manteve membros do governo Bush em postos chave na área internacional, como Robert Gates, Secretário da Defesa, e os generais que vinham dirigindo o Pentágono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama pensava que todos eles se "comportariam", seguindo fielmente as diretrizes dele, o presidente. E, participando do governo, garantiriam a boa vontade dos congressistas ligados a eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito pouco foi conseguido por enquanto. Nestes nove meses de governo, Obama realizou uma série de avanços na direção de suas promessas, logo seguido por recuos para posições opostas, que coincidem com as daqueles "falcões" que ele colocou nos cargos de comando de sua política externa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, essa política, sendo otimista, segue indefinida. Somente na retórica ela se aproxima do que foi dito na campanha e empolgou os eleitores e os povos de todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mês, o presidente americano terá chances de assumir posturas mais claras. Desde 10 de setembro, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, estão examinando a proposta do Irã para resolver a questão nuclear e decidirão por sanções ou acordos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na reunião da ONU em 21 de setembro, Obama pretende anunciar o reinício das negociações de paz entre Israel e árabes. Caso, previamente, as partes concordem, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No problema do Irã, tudo indica que o presidente americano vestirá a pele de George&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bush. Sem maiores análises, seu representante já foi vetando as propostas iranianas. E, no entanto, ele havia começado seu governo com a maior boa vontade, enviando mensagens de amizade a Teerã, declarando sua firme intenção de resolver a questão nuclear via negociações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo mudou quando o governo islâmico reprimiu com violência os manifestantes contrários aos resultados eleitorais. No princípio, Obama declarou-se neutro, procurando preservar um clima favorável às relações com os iranianos. Logo, porém, pressionado pela imprensa e o congresso, fez declarações fortes contra o governo Ahmedinejad. Que retrucou também com violência. E, aí, encarnando Bush, Obama substituiu os bons modos pelas ameaças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez a porteira aberta, já se sabe o que acontece... O vice, Biden, declarou que, se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel quisesse bombardear o Irã, os EUA não se oporiam. Hillary Clinton afirmou que não acreditava em negociações, só em sanções, que seu governo ajudara os manifestantes anti-Ahmedinejad e, por fim, que os EUA não permitiriam que os iranianos continuassem a enriquecer o urânio, mesmo sob "intensa fiscalização da ONU". Sempre na pressuposição de que o programa nuclear iraniano visa produzir bombas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insuspeita IAEA, Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, através de seu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diretor, o egípcio El Baradei (prêmio Nobel da Paz), garante que não há indícios disso. E confirma, "com absoluta certeza", que nenhuma parte do urânio já enriquecido estaria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sendo usada para outros fins que não a produção de energia elétrica. No último boletim da IAEA, foi comunicado que o Irã aceitou novas ampliações da fiscalização feita pela agência, embora ainda houvesse questões que continuavam sem respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta reunião dos países que discutem a questão nuclear iraniana, o ministro das relações exteriores russo, Serge Lavrov, declarou que valia a pena trabalhar a partir da proposta do Irã para se chegar a um acordo mais completo e satisfatório. Se Obama quiser mesmo ser justo, deverá concordar. E pleitear que o governo iraniano aceite todas as solicitações da Agência da ONU para tornar sua fiscalização 100%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não é o que se espera. Obama parece muito comprometido com a adoção de sanções ainda mais duras para forçar o Irã a abandonar o enriquecimento de urânio, que estaria sendo destinado para a produção de armas nucleares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém prova que isso seja verdade. Mas Israel garante que é. Era suficiente para Bush, parece ser suficiente para Obama. Como no caso do Irã, as relações especiais com Israel continuam influenciando a discussão do affaire Palestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 9 meses , Obama e seu enviado à Palestina, George Mitchell, vêm exigindo que Israel congele os assentamentos como condição para iniciar negociações com a Autoridade Palestina, objetivando a criação de um Estado árabe independente. Embora isso seja expressamente determinado por tratados internacionais, o premier Netanyahu resiste a fazer sua parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, aparentemente cedeu à pressão. Concordou em congelar, porém, apenas temporariamente – por 6 meses. Isso depois de Obama, pressionado por uma carta de 70 senadores, ter convencido diversos países árabes a fazerem concessões: abertura de escritórios comerciais israelenses em seus países, permissão para a El Al voar sobre seus territórios, concessão de vistos de viagens para cidadãos israelenses, entre outras. Excelente negócio para Israel. Não para os palestinos, pois receberiam aquilo a que tem direito legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito contente, Obama programou viagem de Mitchel para Telaviv a fim de acertar todos os detalhes já nesta semana. Foi surpreendido pela decisão de Netanyahu de continuar a construção de 2.500 edifícios que estavam em obras e aprovar na planta o início das obras de mais 500. E Netanyahu ainda acrescentou que os assentamentos em Jerusalém Oriental não seriam interrompidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os líderes árabes, evidentemente, rejeitaram quaisquer negociações nesses termos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fará Obama? Ele pode forçar Netanyahu a obedecer. Tem muitos meios para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá cortar os 4 bilhões em armamentos cedidos anualmente a Israel, ou mesmo contingenciar seu pagamento em vez de fazê-lo de uma vez; retirar o veto dos EUA nas muitas propostas contrárias a Israel aprovadas no Conselho de Segurança; interromper os programas bilaterais de defesa que desenvolvem armamentos em Israel com tecnologia e fundos americanos; forçar a AIPAC (principal lobby pró-Israel nos EUA) a registrar-se como lobby estrangeiro, o que a obrigaria a abrir seus livros à investigação do governo americano; mandar que os departamentos de Justiça e do tesouro investiguem as numerosas entidades de caridade, isentas de taxas, que são na verdade angariadoras de fundos para os assentamentos israelenses na Cisjordânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso, estaria comprando uma briga, não só com o governo israelense, mas também com sua imensa base aliada no Congresso e na imprensa. Contaria com o apoio do povo que, na última pesquisa, já se manifestou em sua maioria contrário ao apoio incondicional que os EUA vêm prestando ao governo de Telaviv. E mostraria ao mundo que ele veio mesmo para mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama poderá também optar por forçar a Autoridade Palestina a negociar. Se isso acontecer e os árabes se submeterem, novamente George Bush estará assumindo. Com a agravante de que, desta vez, a reação do mundo islâmico será muito mais séria, como costuma acontecer com aqueles que descobrem que foram enganados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política interna de um presidente não pode ser julgada por suas intenções. Suas ações são o que efetivamente conta. As boas intenções e a retórica generosa de Obama representam muito pouco. A tarefa que ele tem pela frente é descomunal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no novo mundo pós-crise a vocação imperial dos EUA parece anacrônica, divorciada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inclusive de suas necessidades nacionais, resta convencer seu povo que o "sonho americano" deve mudar. Esquecer idéias hegemônicas que só têm causado pesadas perdas em termos de soldados mortos e dinheiro jogado fora em guerras inúteis, que só&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;danificam a imagem internacional dos EUA, sem vantagens que as justifiquem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não ser para aqueles cuja resistência tem de ser vencida: as indústrias de armamentos e de petróleo e os lobbies pró-Israel, especialmente. Constituem uma força poderosa, pois têm a seu favor talvez a maioria dos congressistas e da imprensa escrita, falada e vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sem vencê-los, não haverá mudança. Nem mesmo Obama, que terá neste setembro duas chances de mostrar ao mundo que, sim, os EUA podem ser respeitados pela justiça de suas ações e não pelo temor que sua força inspira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Luiz Eça&lt;/strong&gt; é jornalista.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Correio da Cidadania&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-221436679681921934?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/221436679681921934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/setembro-decisivo-para-obama-mostrar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/221436679681921934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/221436679681921934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/setembro-decisivo-para-obama-mostrar.html' title='Setembro decisivo para Obama mostrar que veio mudar'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqvw4uAXWmI/AAAAAAAAAiE/U49OQ3cJsZo/s72-c/obama_deus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-525149035027220589</id><published>2009-09-09T11:40:00.002-03:00</published><updated>2009-09-09T11:45:44.625-03:00</updated><title type='text'>O 11 de setembro de 2001 marcou o apogeu da rede de Osama Bin Laden</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqe_XL5HIkI/AAAAAAAAAh8/UeBs0qzRudo/s1600-h/1209420047.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379478684967576130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 194px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqe_XL5HIkI/AAAAAAAAAh8/UeBs0qzRudo/s200/1209420047.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  Teriam os ataques do 11 de setembro, oito anos atrás, marcado o apogeu da Al-Qaeda? A proeza da Al-Qaeda, organização jihadista clandestina que não tem o apoio de nenhum país desde a queda do Taleban afegão em novembro de 2001, é paradoxal.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Seu líder, Osama Bin Laden, não conseguiu enviar outro comando fora das bases da Al-Qaeda no Waziristão paquistanês para repetir um ataque tão impressionante e mortífero quanto o que atingiu Nova York e Washington em 2001. Entretanto, as ideias da Al-Qaeda ganharam adeptos, e milhares de combatentes entraram em jihad. Muitos morreram, outros ainda estão lutando, e o mundo está longe de estar protegido desses jihadistas absolutistas que sonham com um califado mundial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A proeza e o futuro da Al-Qaeda estão, na verdade, totalmente ligados à resposta dada pelos seus inimigos, com os Estados Unidos à frente. Uma resposta estranha, até esquizofrênica. Enquanto desde o fim de 2001 a Al-Qaeda reconstitui suas bases no Waziristão, o esforço de guerra foi levado ao Afeganistão, e depois ao Iraque. Essas aventuras militares em países onde a Al-Qaeda havia sido eliminada (Afeganistão) ou não existia (Iraque) criaram mais jihadistas do que suprimiram.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em compensação, a luta antiterrorista clássica até foi bem-sucedida. Os jihadistas do grupo responsável pelo 11 de setembro foram mortos ou presos. Apesar do sucesso de alguns comandos inspirados pela Al-Qaeda, como o 11 de março de 2004 em Madrid, ou o 11 de julho de 2005 em Londres, os países ocidentais conseguiram se proteger. Complôs foram frustrados. Ainda que nenhum país possa se declarar protegido de um atentado, o paciente trabalho dos serviços de inteligência e das polícias traz seus resultados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para sustentar e avançar suas ideias, a direção central da Al-Qaeda decidiu conceder seu "rótulo" a outros movimentos islâmicos armados. Após o fracasso da Al-Qaeda no país dos Dois Lugares Santos (Arábia Saudita), que nunca conseguiu realmente se instalar na pátria de origem de Bin Laden, dois grupos "franqueados" tiveram mais sucesso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O primeiro, Tawhid wal-Jihad (Unificação e Guerra Santa), comandado pelo jihadista jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, teve uma incrível expansão depois de se tornar Al-Qaeda no país dos Dois Rios (Iraque). Após ter assassinado em 2003 o chefe da ONU em Bagdá, Sérgio Vieira de Mello, o grupo de Zarqawi se tornou, com os atentados e os sequestros, o principal inimigo do governo iraquiano xiita e de seus aliados americanos. Ele conseguiu por um tempo controlar o coração da guerrilha sunita, em Faluja.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi somente após a morte de Zarqawi, em 2006, e a chegada do general americano David Petraeus a Bagdá, em 2007, que a Al-Qaeda no país dos Dois Rios perdeu sua influência, com os Estados Unidos organizando a volta da guerrilha sunita contra os jihadistas estrangeiros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O segundo, o Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC), comandado pelo islâmico argelino Abdelmalek Drukdal, encontrou uma capacidade de ação após se tornar Al-Qaeda no Magrebe Islâmico. Em contato com a Al-Qaeda por meio de Zarqawi, Drukdal sonhava se tornar "emir" [governante] da Al-Qaeda para o Magrebe e para o Saara. Ele conseguiu atingir o coração de Argel. Seus problemas eram basicamente o pequeno número de combatentes do qual dispunha, e o fato de que ele não conseguiu atingir o alvo principal designado pelos chefes da Al-Qaeda: a França.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fora do Waziristão, a Al-Qaeda não tem territórios sob seu controle. Bin Laden e seu assistente, o ideólogo islâmico egípcio Ayman al-Zawahiri, vivem escondidos, perseguidos, isolados do mundo. Eles conseguem difundir suas mensagens escritas, em áudio ou vídeo pela internet, mas ninguém sabe se eles exercem qualquer comando operacional sobre o movimento jihadista. Eles não conseguem nem mesmo organizar ações de impacto perto de sua base, no Paquistão ou no Afeganistão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesses dois países, são talebans pashtuns que conduzem o combate. Alguns têm ligação com a Al-Qaeda, outros se distanciaram. E não se sabe qual é o controle exercido por Bin Laden e Zawahiri sobre os campos jihadistas estrangeiros instalados no Waziristão, quer sejam sauditas, egípcios, jordanianos, iemenitas ou uzbeques.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na verdade, a sorte da Al-Qaeda, após o golpe magistral do 11 de setembro, foi ter tido diante de si uma direção americana (Bush, Cheney, Rumsfeld) obcecada pelo Iraque e Saddam Hussein. Ao desencadear uma guerra contra um país que não tinha nenhuma ligação com a jihad internacional, dando a impressão de travar batalha contra os muçulmanos e o Islã, Washington serviu aos interesses da Al-Qaeda muito além das expectativas de Bin Laden, que dessa forma se tornou o "xeque" incontestável dos jihadistas internacionais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O sucesso de Bin Laden se deve ao fato de que a incompreensão diante da réplica americana ao 11 de setembro tornou a Al-Qaeda popular nas mesquitas do Golfo ou nas madraçais [escolas muçulmanas] paquistanesas, nos subúrbios do Cairo ou nas favelas de Casablanca. Os Estados Unidos foram, de certa forma, o melhor aliado da Al-Qaeda.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desde sua chegada à Casa Branca, Barack Obama procura reverter a tendência, retirando aos poucos o exército americano do Iraque e afirmando querer voltar a orientar sua ação sobre a guerra contra a Al-Qaeda. No dia 4 de junho ele pronunciou um discurso no Cairo para declarar que não estava em guerra nem com o mundo muçulmano, nem com o Islã. Ele acentuou a pressão sobre o Paquistão, intensificando a campanha de bombardeios por aviões não tripulados conduzida no fim da presidência Bush, e incitando o exército paquistanês a atacar santuários jihadistas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas Obama também tomou a decisão de aumentar o esforço militar no Afeganistão, país onde nenhum vestígio da Al-Qaeda persiste desde o fim de 2001. O argumento principal é que uma volta do Taleban ao poder viria acompanhada de uma volta de seus companheiros da Al-Qaeda. Possível, mas não certo. Por enquanto, a guerra afegã contribui sobretudo para aumentar o número de combatentes inimigos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fonte:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Le Monde/Folha de São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-525149035027220589?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/525149035027220589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/o-11-de-setembro-de-2001-marcou-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/525149035027220589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/525149035027220589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/o-11-de-setembro-de-2001-marcou-o.html' title='O 11 de setembro de 2001 marcou o apogeu da rede de Osama Bin Laden'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Sqe_XL5HIkI/AAAAAAAAAh8/UeBs0qzRudo/s72-c/1209420047.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-3361136809750364338</id><published>2009-09-08T15:42:00.002-03:00</published><updated>2009-09-08T15:51:50.399-03:00</updated><title type='text'>Crise da civilização: A união de todas as crises</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqanluKWTdI/AAAAAAAAAh0/u6SNne_lEPA/s1600-h/globo_estetoscopio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379171071429070290" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 158px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqanluKWTdI/AAAAAAAAAh0/u6SNne_lEPA/s200/globo_estetoscopio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  O francês Jean Pierre Leroy chegou ao Brasil na década de 1970. Padre, ele atuou na região do Pará. É filósofo e mestre em Educação pelo Instituto de Estudos Avançados em Educação/FGV. Foi Coordenador do Programa de Pesquisa sobre Campesinato em Áreas de Fronteira, Assessor da Comissão Pastoral da Terra e do Programa Nacional Fase Amazônia. Atualmente, é Membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e assessor do Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e do Xingu. Escreveu, recentemente, o artigo O lugar da crise do desenvolvimento capitalista na crise de civilização baseado nas ideias que propagou durante o Fórum Social Mundial deste ano.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A IHU On-Line conversou com Leroy, por telefone, sobre o que ele chama crise da civilização. “Frente à crise política que conhecemos aqui no Brasil, vemos como é complexa e como está nos fazendo falta, de fato, uma esquerda. Um campo político que tenta segurar as pontas e, ao mesmo tempo, tenha um projeto ético de igualdade, que parte das bases da sociedade, e com projeto que resgate essa convivência com a natureza e a possibilidade da humanidade de amanhã continuar conectada com ela e poder continuar vivendo nela e dela”, apontou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Confira a entrevista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O senhor afirma que vivemos uma crise de civilização. Como se manifesta essa crise?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Jean Pierre Leroy&lt;/strong&gt; – O primeiro ponto é que não vislumbramos um projeto portador de utopia. Claro que existem muitos movimentos na base da sociedade que ainda mantêm, mas sempre mínimos. Em todo o lugar que olhamos a tendência majoritária de movimentos sociais se torna cotada, vê o imediato e não mantém a busca de uma utopia. Não falo só do Brasil, falo em termos gerais. Isto existe na base da sociedade, mas ainda podemos dizer que nenhum projeto, desses movimentos de base que mantêm um sentido utópico, consegue impor e fazer com que a sociedade reconheça os seus projetos. Hoje o que há é um vazio frente à possibilidade de renovar e repensar o mundo. O segundo ponto, da crise da civilização, é como os grandes problemas estão afetando o mundo.&lt;br /&gt;Sabemos que a crise, as guerras e as incompreensões em torno do fundamentalismo colocam em perigo o conjunto da humanidade, porque cada um se volta para si mesmo e as diferenças acentuam as incompreensões entre povos e nações. Ninguém sabe onde isto vai nos levar. A crise climática se torna mais profunda a cada dia. Isso ameaça a humanidade de modo desigual, mas é uma ameaça geral. Frente a isso se vê uma paralisia quase total. É neste sentido que falo de crise da civilização. O modelo dominante de produções do consumo no mundo é o industrial, nascido com a Revolução Industrial. A medida de felicidade para a humanidade é ter bens. E isto numa espiral crescente de consumo, inovação, tecnologia, e de novos produtos, aderida pelo conjunto dos países.&lt;br /&gt;Não quer dizer que na base da sociedade todo mundo está envolvido neste modelo, mas pelo desejo quase todo mundo está envolvido, mesmo que não tenha condição de consumir. Talvez isso seja mais profundo que esta falta de utopia alimentada por esse modelo, que nos devora por dentro. Isto é um elemento que faz com que não se pense em utopia, porque pensa em como vamos sobreviver, em como vamos viver amanhã. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A partir de que momento histórico o senhor acredita que a humanidade entrou no estágio da crise de civilização?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Jean Pierre Leroy&lt;/strong&gt; – Acho que, olhando o passado fica mais fácil dizer, cada civilização porta dentro de si as sementes de seu sucesso e, ao mesmo tempo, as sementes do seu fracasso futuro, de um momento em que ela chegará ao fim. A civilização ocidental, por exemplo, foi muito marcada pelo cartesianismo. Descartes, filósofo francês, separou a raça humana da natureza de modo muito forte, dizendo que a humanidade está acima da natureza e está necessitando dominá-la. Dizendo isso ele permitiu, do ponto de vista da filosofia, que a humanidade pudesse desenvolver a inteligência e as tecnologias, mas ao mesmo tempo, levou o homem a se afastar tanto da natureza, artificializando o mundo, que hoje estamos começando a pagar caro por isso. Em uma sociedade como o renascimento, com gente como Descartes, que ajudou a humanidade a avançar em uma linha onde obteve sucesso, ao mesmo já estava a ruína da sociedade de hoje.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Não se trata de uma incongruência falar em crise de civilização, considerando que essa mesma civilização – manifestação da possibilidade da convivência humana – é responsável pela crise?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Jean Pierre Leroy&lt;/strong&gt; – Sim, mas quando se diz crise da civilização não se está lamentando forçosamente que esta civilização esteja em crise, se constata que está em crise e, é claro, que é produzida por ela mesma. No início das civilizações está sua destruição futura. Ela mesma se destrói. Este modelo de produção e de consumo é inerente a esta civilização ocidental, que se estende hoje a todo o mundo. É claro que este modelo é destrutivo porque não consegue universalizar os bens, marginaliza e sempre marginalizará parte da humanidade, e porque não há recursos naturais capazes de dar conta e de fornecer os recursos necessários para a reprodução desse modelo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – &lt;em&gt;O liberalismo e a esquerda clássica são tributárias da mesma racionalidade: a crença no progresso infinito. Ambas têm a mesma responsabilidade pela crise de civilização?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Jean Pierre Leroy&lt;/strong&gt; – Não devíamos esquecer que a União Soviética, com o capitalismo de estado, também reproduzia esse modelo do ponto de vista econômico e de uso dos recursos naturais. Tanto que hoje, na ex Alemanha Oriental e na Europa do leste, há muitos lugares onde já se deixou uma catástrofe de destruição ambiental, de contaminação de solos, de áreas industriais extremamente contaminadas, e não falo só de Chernobyl, elas mesmas estavam implicadas neste modelo. Aliás a gente vê, no caso do Brasil, que boa parte do PT e da esquerda está achando que há o progresso e o desenvolvimento, e quer continuar com esse modelo. Isto, sem dúvida, permeou as esquerdas também. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O capitalismo nos últimos dois séculos assistiu a duas grandes revoluções: a Revolução Industrial e a Tecnológica. Sob a perspectiva cultural, qual das duas impactou mais a sociedade humana?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Jean Pierre Leroy&lt;/strong&gt; – Ambas. A Revolução Tecnológica é diretamente ligada à Revolução Industrial. A Industrial levou à produção e ao consumo de massa e isso impactou no sentido de que permitiu a organização maciça, e que a população possa aumentar de modo exponencial. A morte jovem não se tornou a única alternativa para a maioria da humanidade. Esta revolução ajudou enormemente a humanidade a poder aumentar, o que levou a uma corrida tecnológica permanente, com o aperfeiçoamento de produtos. Isto renova a capacidade de alimentar mais população, de permitir que as pessoas vivam mais e dar qualidade de vida, ainda a uma minoria. Como isso foi capturado pelas empresas e pelo mercado, leva a uma corrida onde se explora a mão-de-obra e muita vezes a marginaliza e a torna inútil.&lt;br /&gt;Com esse esquema sempre temos mais povos e classes sociais que ficam sobrando. E por outro lado, leva a uma superexploração dos recursos naturais. Não tem jeito. Tem gerações de celulares que fazem cada vez mais coisas, mas para cada uma delas deve ter muita água, recursos naturais, energia e minerais. A base da produção da sociedade não muda com essas novas tecnologias. Por que cada nova tecnologia leva a mais produto. Esta combinação da industrialização do artefato, sempre a um grau mais sofisticado de tecnologia, está nos levando à catástrofe. Esta também é a lei do mercado. As empresas buscam seu lucro. E como, hoje, as empresas estão sempre mais anônimas com investidores do capital e muito distantes da produção, então, só interessa mesmo o lucro. Tecnologia e lucro combinados nos levam a esse buraco. Progressivamente a impressão que se tem é que quem está “dando as cartas” e está dizendo qual deve ser nosso futuro são as grandes multinacionais e os grandes lotes empresariais. Todos os governos estão presentes em todas as grandes negociações internacionais. Hoje, para não se buscar mais longe, aqui no Brasil vemos claramente o poder dos grandes grupos empresariais.&lt;br /&gt;Eles que dizem para onde deve ir o consumo e a produção de energia, o que devemos produzir no campo e como devemos produzir. Não imaginemos que sejam só produtores rurais na bancada ruralista no Congresso, é todo um grupo do agronegócio e grandes multinacionais que estão por trás disso também. Isto é uma incoerência e uma catástrofe. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quais seriam as bases de um projeto de esquerda radicalmente transformador frente à crise de civilização?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Jean Pierre Leroy&lt;/strong&gt; – Frente à crise política que conhecemos aqui no Brasil, vemos como é complexa e como está nos fazendo falta, de fato, uma esquerda. Um campo político que tenta segurar as pontas e, ao mesmo tempo, tenha um projeto ético de igualdade, que parte das bases da sociedade, e com projeto que resgate essa convivência com a natureza e a possibilidade da humanidade de amanhã continuar conectada com ela e poder continuar vivendo nela e dela. O que há provavelmente, e talvez mais do que investir em espaços formais de poder no plano local, nacional, regional e mundial, é costurar, aos poucos, espaços em que setores da base da sociedade tentem viver de outra maneira e tentem conectar estas questões econômica, ecológica, da igualdade e da justiça, conjuntamente num projeto de vida.&lt;br /&gt;Hoje existem tantas coisas fantásticas que se fazem, mas a necessidade que haveria é de costurar aos poucos isso, mostrando que, no fundo, todas as iniciativas de setores da sociedade e movimentos sociais de pequenos grupos, poderiam ser interpretadas como a busca de um outro modo de viver e de se relacionar com os outros e com o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IHU On-Line – &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;É possível identificar movimentos sociais que interpretam corretamente a natureza da essência da crise civilizacional e trazem consigo o gérmen de outra sociedade? Quem são esses movimentos?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Jean Pierre Leroy&lt;/strong&gt; – Hoje eu diria que nenhum movimento por si lançou algo que traga isso. Acho que isto é um problema, inclusive. A Via Campesina coloca questões fundamentais. Primeiro por que resgata a percepção de que, lá na base da sociedade, existem setores ainda excluídos e marginalizados, que devem ser considerados, e que tem direito à igualdade e dignidade. Também resgata a percepção que existem classes sociais, e que ainda existem setores sociais que querem eliminar outros. E, ao mesmo tempo, dentro deste movimento há muita gente que também tem a clareza de que deve reatar esse laço com a natureza e que tem um papel pela agricultura camponesa, pela produção de água e cuidar da biodiversidade.&lt;br /&gt;Esses movimentos, com todas as suas ramificações são muito interessantes, mas também enfrentam a questão do machismo com os movimentos de mulheres. Do outro lado eu, pessoalmente, não acho que sozinhos podemos dizer “aqui está o nosso futuro” ou “este movimento é o exemplo acabado”. Não vejo nenhum movimento sozinho capaz de dizer “eu o represento”. É buscar dentro de novas formas, não digo de organização mas de conexão a novas redes, que juntas dizem “estamos cada um com nossas diferenças, mas avançando na mesma direção”. Hoje tem muita gente na universidade, indivíduos que individualmente não são nada, mas coletivamente, cada um no seu lugar, trabalham para um novo movimento, para novas ideias. As escolas que tentam dar outra direção ao ensino, isto em uma ou duas escolas, não é movimento pois é pequeno e isolado, mas temos que ver e tentar pensar que é de um conjunto ainda muito pulverizado, mas que pode surgir alguma coisa. Internacionalmente é a mesma coisa. Hoje, talvez a Via Campesina seja o exemplo maior de movimento que ainda consegue congregar. Hoje tem movimentos indígenas, como o movimento que está partindo dos Andes e da Bolívia pelo bem viver. Politicamente não tem um peso no Brasil, o peso dele é quase nulo, mas ao mesmo tempo eles colocam questões superimportantes que vão na mesma linha da Via Campesina ou de um pequeno movimento urbano que perceba que não dá para ir como a gente está indo. Acho que mais do que apontar um só movimento, vamos buscar se conectar com outros que já avançam, mas que estes movimentos tenham também a percepção que “uma andorinha só não faz a primavera”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; IHU on-line&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-3361136809750364338?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/3361136809750364338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/crise-da-civilizacao-uniao-de-todas-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3361136809750364338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3361136809750364338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/crise-da-civilizacao-uniao-de-todas-as.html' title='Crise da civilização: A união de todas as crises'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqanluKWTdI/AAAAAAAAAh0/u6SNne_lEPA/s72-c/globo_estetoscopio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-3509903891348623931</id><published>2009-09-08T15:21:00.003-03:00</published><updated>2009-09-08T15:34:54.303-03:00</updated><title type='text'>A novela quase ao vivo da Globo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqajhpmPkUI/AAAAAAAAAhs/nCoHiVTKDTk/s1600-h/novela-2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379166603437904194" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 172px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqajhpmPkUI/AAAAAAAAAhs/nCoHiVTKDTk/s200/novela-2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;por Luiz Carlos Azenha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O formato da nova novela das 8 da Globo permitirá a Ali Kamel realizar o seu sonho: manipulação quase ao vivo na dramaturgia, repercutindo o noticiário do Jornal Nacional.&lt;br /&gt;Eu, que trabalhava na emissora em 2006, testemunhei pessoalmente quando os objetivos políticos da emissora transbordaram para além do Jornalismo, atingindo a linha de shows, os programas de auditório, etc.&lt;br /&gt;Agora teremos a novela em "tempo real", que poderá aproveitar todos os escândalos gerados pelas capas da revista Veja, reciclados pelo JN. Vai ser show:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;30/08/2009 - 12h17Manoel Carlos quer ligar notícias de jornal à trama de novela&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;AUDREY FURLA NETO da Folha de S. Paulo&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Envelhecer gera uma angústia, uma apreensão porque, por mais que viva, você tem pouca vida pela frente, não é?", diz Manoel Carlos, apoiando o queixo sobre a bengala de madeira que usa para caminhar nas ruas do Leblon, bairro onde vive, na zona sul do Rio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Eu não me considero uma pessoa com medo de morrer, mas, mesmo sem o medo, você tem uma certa urgência, uma certa pressa", diz. Autor de sucessos de audiência no horário das oito da Globo, ele assina agora a novela "Viver a Vida", que estreia no próximo dia 14.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E completa: "É aquele negócio: um dia a mais é um dia a menos. Gera uma intranquilidade. Mas, eu, particularmente, tenho encontrado bastante paz nesse sentido. Porque estou com 76 anos, escrevo 12, 14 horas por dia e tenho disposição para o trabalho".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao todo, Maneco, como é conhecido, escreve de 40 a 50 páginas diariamente para a nova novela, que, apesar de suas aflições com a velhice, terá a mais jovem Helena da história de suas protagonistas. A personagem praticamente fixa nas tramas do autor desde "Baila Comigo" (1981) será vivida agora por Taís Araújo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De sua "urgência", a novela vai herdar "capítulos quase quentes". "Queria ver o capítulo hoje e escrever o de amanhã", diz ele, que, minutos antes, apontava a ansiedade como um problema ao envelhecer: "Viver a vida é estar em paz com esse universo meu, estar tranquilo, sem grandes ansiedades. O problema é a ansiedade. Estar cheio de desejos. Isso é que, às vezes, gera intranquilidade. É preciso estar calmo".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Novela verdade&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Maneco, que já costumava incluir "várias coisas por adendos no dia da gravação ou um dia antes", quer agora "estreitar ao máximo a distância entre escrever e produzir".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A novela quase ao vivo do autor exige agilidade e paciência de seu elenco: em "Páginas da Vida" (2006), os atores reclamavam por ter de decorar os tais adendos no dia ou horas antes da gravação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em "Viver a Vida", ele diz que já avisou Camila Morgado, que fará o papel de uma comentarista de economia, da possibilidade de entrar até mesmo ao vivo. "Ela sabe disso: pode ser chamada se acontecer uma coisa muito grave na economia", afirma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo ele, o diretor da trama, Jayme Monjardim, aceitou a proposta. Já quanto à viabilidade técnica, o autor é mais vago: "Pode ser ao vivo, pode não ser. Se der para gravar 15 minutos antes, pode ser. Normalmente não dá".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outra de suas ideias é ligar uma notícia do "Jornal Nacional" a "Viver a Vida". "A crise no Senado, a crise econômica, a morte do Michael Jackson, é evidente que eu aproveitaria [na trama]. É tão fácil meter um ator no estúdio e fazer um comentário", diz o autor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez por isso Maneco goste de dizer que suas novelas são "verossímeis". "Tenho o rótulo por aí de fazer novelas realistas. Eu não acho. Faço novelas coerentes com a realidade. Ninguém voa nas minhas novelas."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mesmo assim, ele afirma que, por ser obra de ficção, "a novela se presta a qualquer coisa". "A Record não está fazendo uma novela por tanto tempo sobre seres mutantes? Qual é o problema? Acho absolutamente válido. Tanto é válido que dá audiência", diz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Longe de ter mutantes, "Viver a Vida" é uma espécie de mais do mesmo do autor: os protagonistas, como em tramas anteriores, são ricos e apaixonados, há personagens com dramas de saúde etc.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"No capítulo cinco, os espectadores já dizem: esse cara vai ficar com aquela moça. Eles sabem tudo, do hábito de ver novela. Porque as novelas têm códigos imutáveis", diz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é sinal de que as tramas são previsíveis? "Por que é que vocês se surpreendem tanto com isso? Cada autor faz o que quer", conclui.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; Blog do Azenha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-3509903891348623931?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/3509903891348623931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/novela-quase-ao-vivo-da-globo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3509903891348623931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/3509903891348623931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/novela-quase-ao-vivo-da-globo.html' title='A novela quase ao vivo da Globo'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqajhpmPkUI/AAAAAAAAAhs/nCoHiVTKDTk/s72-c/novela-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847254988296273825.post-5703451665384747004</id><published>2009-09-08T14:59:00.001-03:00</published><updated>2009-09-08T15:04:24.553-03:00</updated><title type='text'>Informar ou editorializar?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqacQejZgkI/AAAAAAAAAhc/wGtlHANsPeo/s1600-h/sorria%20vc%20est%C3%A1%20sendo%20manipulado.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379158611834012226" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 137px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqacQejZgkI/AAAAAAAAAhc/wGtlHANsPeo/s200/sorria%2520vc%2520est%25C3%25A1%2520sendo%2520manipulado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Emir Sader&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pena que a falta de prioridade ou a disposição de vetar aos brasileiros a possibilidade de assistir, diretamente, fazendo seus próprios juízos políticos, sem depender das versões que os órgãos da mídia dariam do importante evento, fez com que os brasileiros – em sua grande maioria – não pudessem assistir em direto os debates da reunião da Unasul, realizados em Bariloche na semana passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez essa atitude dos canais de televisão deva-se a que as intervenções diretas e integrais dos mandatários latinoamericanos tenham sido, por si mesmas, denúncias das versões que grande parte da mídia insiste em passar aos leitores, ouvintes e telespectadores, com a forte dose de ideologização e de preconceito que carregam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, teriam se dado conta, a partir da intervenção de Hugo Chavez, que expôs um resumo detalhado de documento do governo norteamericano – atualizado este ano, já no governo Obama – da função bélica das bases militares dos EUA no mundo, incluindo a América do Sul. Havia menção explícita a uma das bases que a Colômbia menciona na lista de bases militares do convênio que têm com os EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os brasileiros teriam sabido, por exemplo, que Carmona, o efêmero presidente colocado no cargo pelo golpe militar venezuelano de 2002, rapidamente expulso pela reação popular de apoio a Hugo Chavez, está asilado na Colômbia, confirmando os vínculos entre a direita golpista daquele país com o presidente colombiano Uribe. Um detalhe significativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teriam todos podido saber, pelas exposições, mapas e gráficos exibidos pelo presidente do Equador Rafael Correa, que a produção de coca na região tem na Colômbia seu inquestionável líder, com mais de metade, uma produção que segue em aumento, seguida do Peru e da Bolívia, tento a Venezuela e o Equador erradicado completamente sua produção. Os EUA seguem sendo, de longe, a principal destinação do tráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mapas demonstram como a Colômbia não tem capacidade de controle das fronteiras com o Equador, dominada por grupos paramilitares e guerrilheiros. Revelam que, pela concentração da produção de cocaína e pela falta de controle de seu território, o problema da região é Colômbia, de que os outros países são vitimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula assinalou para Uribe, depois que este mencionou um sem número de convênios assinados pelo seu país, que se os acordos com os EUA – que incluem tropas norteamericanas, na Operação Colômbia – não resolveram o problema do tráfico de drogas, não vale a pena estender os acordos com esse país, convidando-o a integrar um plano dos governos da região para renovar os métodos de luta contra o narcotráfico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teriam podido ver que quem saiu melhor da reunião foi Lula, que tinha o objetivo de impedir que a Unasul fosse rompida, pelas evidentes contradições entre a grande maioria dos governos e o colombiano. Quem pôde assistir toda a reunião, se deu conta do imenso isolamento em que está a Colômbia, ao mesmo tempo que Uribe chegou à reunião com acordos já assinados com os EUA e afirmando que nada o faria voltar atrás. Os riscos de ruptura eram enormes portanto e o logro foi conseguir uma resolução comum de todos os governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À imprensa opositora só interessava saber se Lula saiu ainda mais fortalecido ou não. Errou ao dizer que não, mas também errou ao não se dar conta da importância da reunião e do isolamento do governo colombiano. Triste papel da imprensa que se faz, não instrumento de informação, mas de filtro pelo qual só passa o que lhe interessa, da maneira que lhe interessa. Pobres leitores, ouvintes e telespectadores, vítimas dessa imprensa mercantil e ideologizada, que confunde editorial com informação, editorializa tudo e se transforma em panfletos ideologizados no lugar de instrumentos para uma cidadania informada e capaz de construir democraticamente a opinião pública que o Brasil requer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Fonte:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Blog do Emir Sader&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847254988296273825-5703451665384747004?l=bilu-br.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bilu-br.blogspot.com/feeds/5703451665384747004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/informar-ou-editorializar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5703451665384747004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847254988296273825/posts/default/5703451665384747004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bilu-br.blogspot.com/2009/09/informar-ou-editorializar.html' title='Informar ou editorializar?'/><author><name>Jornal Toda Semana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/Srq2zJyOwtI/AAAAAAAAAkQ/6gWdFi9_mnU/S220/Z1pvzrkh.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_1ZfyR0Z3Hvc/SqacQejZgkI/AAAAAAAAAhc/wGtlHANsPeo/s72-c/sorria%2520vc%2520est%25
